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Património cultural da Marinha Grande registado em livro e CD

A Câmara Municipal, no âmbito das comemorações dos 250 anos da chegada de Guilherme Stephens à Marinha Grande, no passado dia 15 de dezembro, apresentou a edição do livro e do CD “Palco de Memórias”, que reúnem um importante espólio cultural que se encontrava por documentar, algum do qual constava apenas de testemunhos orais.

O programa de encerramento daquelas comemorações e do 21º aniversário do Museu do Vidro decorreu naquele espaço museológico e na Casa da Cultura Teatro Stephens, tendo começado com a cerimónia de doação da peça “Via Sacra”, por Lucinda da Conceição Almeida Belo e José Miguel Cruel Belo ao Museu do Vidro.

Seguiu-se a inauguração da exposição documental, iconográfica e bibliográfica intitulada “Guilherme Stephens – Um Homem à frente do seu tempo”, que está patente até 19 de janeiro de 2020, no Foyer da Casa da Cultura . Trata-se de uma exposição alusiva a Guilherme Stephens e ao seu papel no desenvolvimento económico, cultural e social da Marinha Grande, enquanto proprietário da Real Fábrica de Vidros, homem progressista, de grande sensibilidade intelectual e humanista, e promotor de inúmeras ações com vista ao progresso socioeconómico, educativo e artístico dos seus operários e da comunidade. Podem ser observados documentos originais e reproduções de outros, manuscritos por Guilherme Stephens, entre outras curiosidades.

No âmbito do encerramento das comemorações, foram apresentados o livro e o CD “Palco de Memórias” da autoria de Norberto Barroca e direção musical de Tiago Ferreira, resultantes da peça homónima levada à cena em 2014, aquando da reinauguração da Casa da Cultura Teatro Stephens.

Na cerimónia de apresentação das duas obras, que decorreu no Teatro Stephens, a presidente da Câmara, Cidália Ferreira, admitiu que “a Marinha Grande, através de todos os autarcas que passaram pela Câmara Municipal, souberam preservar a história do Teatro e de Guilherme Stephens, através da história que foi contada e da reconstrução deste espaço”.

“Deu-nos um enorme orgulho sabermos que, neste palco, foi contada a nossa história, através de Norberto Barroca, e queríamos que tal ficasse registado na memória de todos os marinhenses. É também, por isso, que o CD foi editado, para que fiquem registadas as nossas memórias e músicas e que elas não se percam”, acrescenta.

Para Cidália Ferreira, “este ano de comemorações dos 250 anos da chegada de Guilherme Stephens deve-se a Álvaro Órfão, que alertou para esta data, e também a Gabriel Roldão e Luís Abreu e Sousa. Um factor decisivo no sucesso destas comemorações e concretamente na recriação histórica, foi sem dúvida o envolvimento das nossas coletividades e da cerca de uma centena de atores e voluntários, sem eles não teria sido possível montar este espetáculo que todos recordaremos nas nossas memórias”. As comemorações foram muito para além das iniciativas realizadas e “é com orgulho que somos um concelho de empreendedorismo e indústria que vem de uma herança de Guilherme Stephens”.

Para o autor do livro, Norberto Barroca, que não pôde estar presente na cerimónia e deixou uma testemunho filmado, o livro retrata “memórias do que aconteceu neste Palco ao longo dos anos. Memórias do Teatro na Marinha Grande que aqui começou com os Irmãos Stephens, há 250 anos”.

“Aqui Guilherme Stephens fez construir a sua casa de teatro. Tinha um Pano de Boca cuja imagem fazia a apologia do trabalho, com a Indústria e a Abundância, desterrando a Mendicidade. Mas o teatro foi destruído pelas invasões francesas e, depois, reconstruído com o nome do seu criador. Este Teatro Guilherme Stephens foi palco de grandes espetáculos graças ao empenho de homens de cultura desta terra e de entusiastas atores amadores”, continua.

“Para memória futura, fica um resumo breve do que foi a história deste Palco. Acompanhando o texto da peça teatral, paralelamente, é apresentada uma contextualização histórica que nos ajuda a situar no tempo. Este livro poderá ser um ponto de partida para estudos mais aprofundados do que aqui iniciei. Do mesmo modo, recordam-se e ficam registadas algumas das músicas que fizeram a história deste Palco. Músicas de inspirados autores feitas para espectáculos deste Teatro”, acrescenta Norberto Barroca.

Para Tiago Ferreira, responsável pela direção musical do CD “Palco de Memórias”, destaca o facto deste trabalho ter começado com a apresentação da peça de teatro “Palco de Memórias” e reunir “músicas tradicionais da Marinha Grande e algumas melodias e textos de autores marinhenses, como Norberto Barroca, Paulinho Garcia, Sérgio Bento, José Ferreira da Silva, Francisco Correia Moita, Armando Santos, António Vasconcelos Ribeiro e Eliseu”.

“Como havia pouca informação destes temas, à luz da tradição oral, foi necessário fazer um trabalho de recolha escrita em partitura e harmonização para que pudessem ser interpretados no teatro. Após a encenação da peça, em 2014, ficou um trabalho escrito em partitura de recolha dos temas tradicionais e de algumas melodias que existiam ainda manuscritas em partituras pelos autores” e que agora está registado em CD, explica Tiago Ferreira.

O CD reúne 16 temas com direção musical, transcrição, harmonização e arranjos de Tiago Ferreira. Participam os músicos: Ana Santo (voz principal feminina), João Leiria (voz principal masculina), José Carlos (bateria e percussão), Adelino Oliveira (contra baixo e guitarra clássica), Tiago Ferreira (piano e sintetizadores), Ana Catarina e Ana Santo (coros), Paulo Bernardino (clarinete), Ricardo Silva (guitarra portuguesa), Deolinda Bernardo (voz), Silvina Pereira (voz).

Após a apresentação do livro e do CD, foram tocados e interpretados alguns temas reunidos no CD, pelos músicos que participaram no espetáculo “Palco de Memórias”.

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