Cultura, S. João da Madeira

Castelos, palácios, máquinas e engenhos “projetados” por visionários da Arte Bruta em S. João da Madeira

Obra de José Teófilo Resende - Arte Bruta - Núcleo de Arte da Oliva

Da extraordinária e diversificada coleção “Treger/Saint Silvestre”, a curadora italiana Antonia Gaeta recolhe mais um surpreendente conjunto de obras para apresentar ao público no Núcleo de Arte da Oliva Creative Factory, em S. João da Madeira.

Sob o título “As Leis do Número de Ouro”, esta nova exposição é inaugurada neste sábado, 29 de abril, às 17h00, numa sessão com a presença da curadora e dos colecionadores Richard Treger e António Saint Silvestre.

São obras de Arte Bruta, ou seja, criações de artistas que não se consideram como tal, livres de influências, de preocupações comerciais e de notoriedade individual. Muitos deles são mesmo excluídos da sociedade.

As obras escolhidas relevam “o aspeto dos excêntricos, dos construtores e dos visionários na tentativa de revelar, através de um paralelismo com as propriedades quase mágicas do número de ouro, artistas cuja obra procurasse a perfeição das mais sublimes realizações arquitetónicas”, revela a curadora Antonia Gaeta.

Nesta exposição de Arte Bruta revelam-se “castelos, palácios e cabanas saem da mente fértil dos inocentes; planos, máquinas, engenhos, dão voltas incessantes acionadas pelo espírito criativo de seres vivendo à margem do mundo”, como refere o colecionador e artista “outsider” António Saint Silvestre.

O colecionador deixa alguns exemplos destes “arquitetos” visionários que criaram as obras que vão estar expostas do Núcleo de Arte da Oliva: “Na Alemanha, Karl Hans Janke, internado num hospital psiquiátrico, desenhou quatro mil planos técnicos, ou Martin Erhard, um mineiro que desenhou plantas para casas subterrâneas e móveis, e ainda o sérvio Tanasic, um arquiteto que enlouqueceu e pregava os seus desenhos nas árvores de jardins públicos”.

A Coleção Treger/Saint Silvestre, que o Núcleo de Arte da Oliva acolhe, é constituída por núcleos de arte bruta, artes marginais e arte contemporânea e ainda núcleos de vocação etnográfica, como a coleção de crucifixos contemporâneos e de Arte Vudu do Haiti. É única na Península Ibérica e é uma das mais relevantes a nível internacional.

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