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Abandonados em Évora, amados na Europa

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Mais de uma dezena de cães que estavam à guarda do Canil Municipal de Évora já foram adotados por famílias estrangeiras no âmbito da internacionalização do Projeto Fiel do Serviço Veterinário Municipal, que pretende alterar comportamentos e mentalidades relativamente aos animais de companhia, em especial os cães.

Confrontados com o constante flagelo de abandono de animais, que se agudizou nos últimos tempos devido à precarização das condições financeiras das famílias portuguesas, os responsáveis pelo canil eborense desenvolveram, com a ajuda de uma série de voluntários, o “Fiel Out of Portugal”, que permitiu para já o envio para lá da fronteira de 15 cães, designadamente para a Bélgica e Holanda.

“Estes países, por oposição ao que se passa em Portugal, há muito que praticam a adoção responsável de animais e a esterilização dos mesmos, daí que não haja nem sobrepopulação, nem o abandono”, explica a veterinária municipal.

Segundo Ana Margarida Câmara, o processo de adoção acaba por ser “muito simples. Nós temos dois intermediários, uma senhora holandesa residente em Estremoz e um jovem estudante de veterinária, da Universidade de Évora, com dupla nacionalidade, que fazem a ponte entre o Canil Municipal e as associações protetoras dos animais”.

“Dados a conhecer os animais para adoção através da internet, as famílias candidatas são, primeiramente, visitadas por um elemento dessas associações para ver se têm condições para receber os animais, e só depois é que formalizam o pedido. “Depois”, explica ainda, “desenrola-se todo o processo burocrático”.

Quando teve início, o projeto “Fiel out of Portugal” também teve a Alemanha como um destino privilegiado, contudo a crise na Roménia provocou um elevado número de abandonos e os germânicos começaram a adotar cães provenientes deste país.

Por terra ou pelo ar

Outro dos fatores que tem vindo a contribuir para esta “quinzena de finais felizes” prende-se com a despesa envolvida e com a forma como são transportados os animais até aos novos lares. “Quer seja pelo ar ou por estrada, estamos a falar de valores muito acessíveis face ao poder de compra das famílias adotantes”.

Quando vão de avião, e depois de encontrado um parceiro de voo – cidadão responsável pelo animal – a viagem custa cerca de 60 euros, e se for por estrada, através de uma empresa especializada, o transporte ronda os 150 euros.

Por outro lado, os cães antes de “levantar voo” são previamente esterilizados, chipados, vacinados, desparasitados e testado para a Leishmaniose, uma “grande oferta da edilidade que significa muito dinheiro se levarmos em linha de conta os preços praticados numa clínica privada”, lembra.

O Fénix e a Yoda, dois rafeiros, serão os próximos sortudos que vão deixar de fazer companhia aos restantes 58 residentes do Canil Municipal, rumando a uma vida melhor no próximo dia 23 de fevereiro.

 

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