Desporto, Mação

Mário Coluna homenageado em Mação

mcoluna8A cerimónia teve início no Salão Nobre dos Paços do Concelho. Para além do Presidente e Vereadores da Câmara Municipal marcaram presença Yolanda Coluna, filha de Mário Coluna; o Ministro-Conselheiro da Embaixada de Moçambique, Ananias Benjamim Sigauque; Paulo Lourenço, Secretário-geral da Federação Portuguesa de Futebol; José Augusto Pinto de Almeida, mais conhecido como José Augusto, também ele uma Glória do Benfica, ex-internacional português e colega de Mário Coluna; e José Maia Marques, Maçaense, membro da Assembleia Municipal, homem do desporto, com reconhecido trabalho desenvolvido nesta área no Concelho de Mação e autor da proposta de homenagem a Mário Coluna. Presentes estiveram também vários familiares e amigos do antigo jogador de futebol, presidentes de junta de freguesia do Município e representantes de associações concelhias, assim como população em geral e comunicação social.

Nesta cerimónia muito se falou sobre a vida e história do antigo jogador de futebol.

Vasco Estrela realçou o seu “exemplo de postura na vida” e a forma como desempenhou as suas funções não só desportivas, mas também cívicas, afirmando que o Município de Mação “está naturalmente orgulhoso pelo facto de as raízes de Mário Coluna serem desta terra”. Por isto, disse que “é importante que a Câmara Municipal, o Município e todos nós saibamos reconhecer aqueles que são um pouco diferentes, que são talvez um pouco melhores ou que tiveram a oportunidade de fazer um pouco mais nas suas diversas áreas de formação. Penso que não nos devemos acanhar, sob este ponto de vista. Sentimos orgulho pelo Município estar a reconhecer um dos seus”.

Já Ananias Sigauque definiu este como um “evento histórico para a Vila de Mação e para a família Coluna, bem como o grande prestígio para o meu país que vê seu cidadão reconhecido pelos seus feitos na modalidade desportiva-rainha, que é o futebol de 11”. Realçou também a coincidência da data desta cerimónia. “É uma data histórica porque faz precisamente hoje, 5 de setembro, 61 anos que Mário Coluna realizou o jogo particular de estreia frente ao Futebol Clube do Porto”.

Disse ainda que “Moçambique teve a honra de beneficiar da prestação de serviços de Mário Coluna, factos que contribuíram para a organização e desenvolvimento do nosso futebol.” Sobre esta homenagem “bem merecida”, afirmou que “deverá inspirar os jovens a abraçarem as atividades desportivas, a despoletarem talentos, bem como a formarem-se no espírito da valorização e da convivência”. Propôs, “para imortalizar a grande figura, a grande força e exemplo que o ‘Monstro Sagrado’ representa para Moçambique e Portugal, que se possa estabelecer uma ponte de relacionamento entre o Município de Mação e o distrito de Inhaca”. Uma proposta que o Presidente da Câmara Municipal de Mação afiançou que iria abordar com a devida ponderação.

O dia foi naturalmente de enaltecimento a Mário Coluna, de quem foi referida a “grandeza enquanto homem e enquanto desportista” conforme referiu Paulo Lourenço, da Federação Portuguesa de Futebol, também ele com raízes no concelho vizinho de Abrantes. “Não sou Maçaense, mas sou de muito perto e sinto tanto quanto vocês um grande orgulho de saber que existem aqui raízes muito fortes de uma lenda do futebol nacional”.

José Augusto, também uma antiga glória do futebol português, colega e amigo de Mário Coluna, esteve em Mação em representação do Sport Lisboa e Benfica. Dele realçou “o carácter”. “Era, efetivamente, um exemplo para todos aqueles que jogavam no Benfica. Eloquente, digno daquilo que era a sua preseça dentro do campo. De tal forma que, quando questionava uma decisão do árbitro, o árbitro dizia: ‘Oh Sr. Mário Coluna, a falta está assinalada’. Todos respeitavam o Sr. Mário Coluna.”.

Yolanda Coluna, filha do futebolista, orgulhosa, agradeceu este reconhecimento do Município de Mação e a proposta apresentada por José Maia Marques para que o Polidesportivo do Cerejal recebesse o nome do seu pai.

José Maia Marques, homem do desporto e autor da proposta apresentada na Assembleia Municipal do Concelho de Mação, em representação da bancada do Partido Socialista, sublinhou na sua intervenção os tempos de juventude em que via os jogos de futebol na televisão. “Era muito diferente o jogo que o Benfica apresentava do jogo que nós apresentávamos na Ortiga. Corríamos atrás da bola e o Benfica trabalhava a bola com qualidade”. Sublinhou ainda a inspiração que Mário Coluna constituiu para a escolha da sua área de formação e desempenho da sua profissão. “Tirei o meu curso de Educação Física e consegui ensinar três gerações de jogadores, de meninos, desde os infantis até aos juniores, três vezes. Ora isso implica que fui treinador de futebol aqui em Mação mais de 35 anos e algumas das coisas que transmiti aos miúdos aprendi-as com aqueles exemplos dados pelo Coluna e muitos outros, como o José Augusto”.

 

Mário Coluna nasceu em Inhaca, Moçambique, a 6 de agosto de 1935. Era filho de mãe moçambicana, de seu nome Lúcia, e pai português, o Maçaense José Maria Esteves Coluna.

Mário Coluna cedo demonstrou a sua vocação para o desporto, com incursões no boxe, atletismo e basquetebol. Mas foi no futebol que vingou!

Depois da passagem por alguns clubes em Moçambique na sua juventude, chega ao Sport Lisboa e Benfica em 1954, onde foi jogador durante 16 temporadas, 7 delas enquanto capitão.

Foi um dos melhores jogadores do Benfica, entre 1954/55 e 1969/70 fazendo 525 jogos oficiais.

Conquistou a Taça dos Campeões Europeus em 1961 e 1962 – com um golo em cada final.

Foi campeão nacional 10 vezes e conquistou a Taça de Portugal em sete ocasiões ao serviço do Benfica.

Com a camisola da seleção portuguesa, efetuou 57 jogos e marcou oito golos, envergando a braçadeira de capitão quando Portugal foi 3.º classificado no Mundial de 1966, em Inglaterra, que ainda hoje continua a ser a melhor classificação lusa em campeonatos do Mundo.

Foi também internacional, jogando no Olympique de Lyon.

“Capitão”, “Monstro Sagrado”, ou simplesmente “Senhor Coluna”, a forma como Eusébio insistia em chamá-lo, foram as alcunhas que foi granjeando ao longo das 16 épocas com as cores do Benfica.

A 19 de Dezembro de 1966, foi agraciado com a Medalha de Prata da Ordem do Infante D. Henrique.

Foi treinador de vários clubes e criou uma Academia de Futebol para formação de jovens moçambicanos, com apoio financeiro da FIFA.

Foi presidente da Federação Moçambicana de Futebol e também deputado em Moçambique.

A última vez que Mário Coluna esteve em Mação foi em 25 de setembro de 2008 para um almoço em sua honra que contou com muitos dos seus amigos e familiares de Mação. Mais de cinquenta anos depois, a antiga glória benfiquista voltava a Mação, a terra onde chegou a passar férias na década de 50.

A 25 de Fevereiro de 2014, com 78 anos, Mário Coluna perde a vida no Instituto do Coração em Moçambique.

Refira-se que a atribuição do nome do ex-jogador de futebol Mário Coluna ao Polidesportivo do Cerejal resultou de uma deliberação da Assembleia Municipal recomendando à CMM que o mesmo fosse atribuído a um espaço público da vila de Mação.

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