Economia, Mercado

74 empresas dominam mais de metade dos negócios do pós-venda automóvel

expoMECANICA2014_DSCF0093A conjuntura desfavorável bateu forte no mercado automóvel português na última meia dúzia de anos, mas não conseguiu abalar – muito menos mudar – a estrutura empresarial do seu pós-venda. E, na antecâmara da 2.ª edição do expoMECÂNICA – Salão de Equipamentos, Serviços e Peças Auto, a realidade de 2009 surge em 2015 como que praticamente imutável aos olhos de quem observa e estuda o setor: não obstante o respetivo tecido ser composto em 72% por firmas de pequena dimensão (cujas vendas não excedem os 500 mil euros) – responsáveis por unicamente 15% da atividade comercial -, «mais de metade do negócio total, cerca de 56%, está nas mãos de 74 empresas». Apenas.

A constatação é de Joaquim Candeias, o diretor da Associação Automóvel de Portugal (ACAP) que preside à Divisão de Peças e Acessórios Independentes (DPAI), e os seus alicerces são os dados emanados do Observatório criado há três anos no seio da instituição – uma das que empresta o seu apoio ao certame que a KiKai Eventos organiza na EXPONOR – Feira Internacional do Porto (Pavilhão 6 e galerias adjacentes), de 5 a 7 de junho (todos os pormenores em www.expomecanica.pt).

Mas serão várias as realidades empresariais a perpassar daqui a alguns dias pelo polo de exposições e negócios da Associação Empresarial de Portugal (AEP), em Leça da Palmeira – pelo menos tantas quantas os 140 protagonistas do aftermarket automóvel nacional que estarão presentes, agregados num momento de promoção da atividade, debate setorial, troca de experiências e atualização profissional.

Na esfera do expoMECÂNICA 2015 rodopiarão ainda cerca de uma trintena de iniciativas paralelas, que permitem conferir não só um acrescido dinamismo ao acontecimento como servem de mostruário da vitalidade do setor.

 

Retoma com crescimento de 2 a 3% ao ano, diz a ARAN

Ora, a fazer fé não só nos últimos indicadores económicos como também na prospetiva das associações representativas da área, o pior parece ter já passado. Será mesmo assim?

Para o diretor da DPAI da ACAP, os anos mais difíceis «já filtraram o mercado», tendo sobrevivido apenas as empresas «que adoptaram as estratégias de crescimento adequadas». Há, no entanto, um (ainda) «longo caminho a percorrer», no âmbito da «qualificação, da adopção de boas práticas e do acesso à crescente complexidade técnica dos veículos». Fatores que Joaquim Candeias considera «determinantes» para assegurar a «continuidade de muitos operadores económicos» e uma «maior capacidade competitiva».

É por estas e por outras, razões, que o presidente da Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN), António Teixeira Lopes, acredita num crescimento muito lento do pós-venda automóvel luso (avaliado em 2,4 mil milhões de euros de volume de negócios), já a partir deste ano. «Infelizmente, a retoma ocorrerá muito devagar, sendo no aftermarket na ordem dos 2 a 3% ao ano», prognostica, sob a égide do 2.º Salão de Equipamentos, Serviços e Peças Auto.

A Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA), que também empresta o seu apoio ao expoMECÂNICA, alinha pelo mesmo diapasão. Jorge Neves da Silva, secretário-geral da instituição, situa entre 2008 e 2012 os anos negros do setor (em que encerraram mais de 5.000 oficinas), e aponta 2013 como o ano do início da “reação”. «Apesar de continuar a encerrar um número significativo de empresas, tem-se assistido ao aparecimento de novos operadores, os quais, de certo modo, vieram repor a dimensão do mercado», pondera, sinalizando no ano transacto o fim da «crise muito profunda».

As perspetivas, são, por isso, de um «crescimento que, contudo, não deixará de ser lento», isto «se, entretanto, não forem tomadas medidas pró-ativas do ponto de vista legislativo» rumo à sustentabilidade do setor, argumenta Jorge Neves da Silva.

 

200 milhões em impostos por cobrar

A economia paralela tem sido, nos últimos anos, um dos alvos principais dos esforços associativo-empresariais. Ao ponto do líder da ARAN enfatizar, no encerramento do último ano fiscal, que o Estado português estará a perder anualmente 200 milhões de euros em impostos por não proceder à devida fiscalização das cerca de 2.500 oficinas ilegais que existirão no País. «Cerca de 40% da atividade oficinal portuguesa escapa a impostos, por estar ilegal ou não passar fatura», sublinhou Teixeira Lopes, então.

Esta «muito visível» economia paralela do setor «sempre existiu», ressalva o representante da ANECRA, «mas nunca se sentiu de uma forma tão intensa, impactante e dramática como agora». E que está, enfatiza Neves da Silva, a penalizar sobremaneira a «muito ligeira» recuperação do aftermarket automóvel luso.

 

Feira cresceu em expositores (33%), área (57%) e apoios

Apesar deste contexto, e a exemplo do que havia acontecido no ano passado, aquando da estreia do Salão de Equipamentos, Serviços e Peças Auto, a resposta do tecido empresarial à 2.ª chamada do expoMECÂNICA voltou a exceder as expectativas da Organização.

Segundo José Manuel Costa, diretor da KiKai, nos contactos mantidos com os operadores do setor nos últimos meses, «inúmeras empresas notaram-nos que o contexto económico desfavorável incutiu a necessidade de novas estratégias, as quais permitiram não só um ajustamento ao mercado como, inclusive, um crescimento comercial, em variadíssimos casos».

«Mais do que alcançar as metas – já de si ambiciosas – a que nos propusemos, conseguimos ultrapassá-las! Se abrisse hoje portas, o expoMECÂNICA mostrar-se-ia com 140 empresas e entidades inscritas (mais cinco do que objetivo), e estamos com dificuldade em dizer “não” aos pedidos de participação que ainda vamos recebendo, para preencher os quase 11 mil metros quadrados de área que programámos e que estão praticamente lotados há duas/três semanas. Feitas as contas, a feira cresceu 33% em expositores, 57% em área e conquistou mais apoios institucionais», refere o mesmo responsável, satisfeito com a taxa de fidelidade ao evento na ordem dos 80% e pela circunstância de ter conseguido chegar a meia centena de novos expositores.

O número de global de marcas (nacionais e internacionais) representadas, por sua vez, deverá exceder as 650 de 2014.

Em face dos indicadores de crescimento da mostra, e da trintena de iniciativas paralelas previstas no programa (palestras, debates, workshops, apresentação de novidades e produtos, entre outros), Sónia Rodrigues, igualmente diretora na KiKai, acredita que o índice da visitação poderá ver-se incrementado em 34%, a rondar as 15 mil entradas de profissionais do setor. «É uma fasquia ambiciosa, mas julgamos estarem reunidas todas as condições para lá chegarmos. Acima de tudo, queremos que o expoMECÂNICA se consolide como o acontecimento que faz a diferença na sua área de atuação. E onde os negócios acontecem», remata.

 

A síntese do evento:

expoMECÂNICA 2015 – 2.º Salão de Equipamentos, Serviços e Peças Auto

Organização: KiKai Eventos

Data: de 5 a 7 de junho de 2015

Local: EXPONOR – Feira Internacional do Porto, Pavilhão 6

Horário: das 10:00 às 20:00, nos dias 5 e 6 (sexta-feira e sábado); e das 10:00 às 19:00, no dia 7 (domingo)

Em exposição: peças auto; ferramentas; pneus; equipamentos para teste; oficinas mecânicas e elétricas; estações de serviços e de lavagem de carros; combustíveis; lubrificantes e aditivos; tintas e vernizes; ceras e materiais de limpeza; funilaria e pintura; tecnologia, equipamentos, produtos e serviços para a indústria automóvel; concessionários; entidades sectoriais; e publicações especializadas

Perfil do visitante: O expoMECÂNICA é um salão profissional. O acesso faz-se mediante convite e os profissionais devem credenciar-se antes da sua visita. É interdita a entrada a menores de 14 anos.

Apoios: Associação Nacional do Ramo Automóvel (ARAN), Centro de Formação Profissional da Reparação Automóvel (CEPRA), Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA), Associação Automóvel de Portugal (ACAP), Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (ANTRAM)

Media partners: Turbo Oficina, Turbo Oficina Pesados, Turbo Oficina Pneus, Jornal das Oficinas, Revista dos Pneus, Vida Económica – Suplemento da ARAN, Revista da ANECRA, Transportes em Revista, Revista Eurotransporte, Jornal dos Transportes

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