Cultura, Lamego

Lamego mostra esculturas de Gonçalo Mabunda feitas a partir de material bélico

Mabunda_Francisco_Lopes2014Um dos mais consagrados artistas plásticos africanos chega agora a Lamego com a exposição “Ilegível Memória”, uma mostra que apresenta alguns trabalhos de Gonçalo Mabunda feitos a partir de fragmentos de material bélico da guerra civil moçambicana. Através das suas esculturas, com uma forte conotação política, o artista dá formas antropomórficas a metralhadoras, lançadores de mísseis, armas de fogo e outras armas desactivadas, apelando deste modo à reflexão do público.

Nascido em Maputo em 1975, Gonçalo Mabunda começou a trabalhar como estafeta na Associação Núcleo de Arte, da qual é hoje responsável. Neste ano, inicia os primeiros passos na pintura e, lentamente, vai despertando o seu interesse pelo mundo das artes plásticas. Em 1995, participa no workshop Ujamma IV, como assistente do artista sul-africano Andreies Botha, o seu grande mentor. Participa depois num curso de escultura em metal e bronze na Tecknikon de Natal e, desde 1997, trabalha a tempo inteiro como artista, sendo atualmente o mais consagrado dos jovens artistas plásticos moçambicanos.

O seu currículo conta já com uma colaboração com a fundação Bill Clinton, que lhe pediu para fazer os prémios da sua fundação, os Global Initiative Awards, e com várias exposições nos mais conceituados museus de arte moderna, entre eles o Centro Pompidou, em Paris, ou ainda a famosa Jack Bell Gallery, em Londres.

Patente ao público até ao final do mês de abril, no Salão Nobre do Teatro Ribeiro Conceição, a exposição “Ilegível Memória” tem conquistado a admiração de muitos lamecenses, atraídos pela originalidade expressa em cada uma das esculturas do autor. Entre o espólio existente, as cadeiras são os trabalhos que mais despertam a atenção por constituírem uma forte alusão irónica a alguns governos africanos que se perpetuam no poder através da lei das armas. No dia da inauguração da exposição, Gonçalo Mabunda realçou a proximidade afetiva que une o povo moçambicano e português e agradeceu à Câmara Municipal de Lamego a oportunidade de expor a sua obra no coração da região do Douro.

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