Castro Marim, Sociedade, Vila Real de Santo António

Diálogo e compromisso foram as pedras de toque no debate com a Reserva Natural do Sapal de Castro Marim/Vila Real de Santo António

Debate Sapal«Há pessoas que pensam que sabem tudo! Durante muitos anos, julgou-se que os valores ambientais eram incompatíveis com o desenvolvimento económico. Considero que a sustentabilidade da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim/Vila Real de Santo António passa, objetivamente, por um diálogo franco e aberto com as populações locais. Não é mais possível continuar a desenvolver o país em torno das capelinhas, de costas voltadas para as pessoas».

Foi assim, de forma vigorosa e acutilante, que o Presidente da Câmara Municipal de Castro Marim, Dr. Francisco Amaral, falou na sessão de abertura, no debate “A Reserva Natural e Castro Marim no contexto atual”, no passado dia 15 de março, no auditório da Biblioteca Municipal.

Por seu turno, o Diretor do Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas do Algarve, Arq. José António Pacheco, começou por agradecer o amável convite da Câmara Municipal, para participar num debate de grande acuidade para o futuro desta reserva natural.

“Temos que ajudar a desmistificar as questões ligadas ao ambiente e perceber a importância das áreas classificadas. A conservação sustentável dos recursos naturais, do património florestal e o valor da biodiversidade são questões que devem convocar-nos a todos. O ordenamento e o planeamento do território não podem ser encarados como um mal, antes como uma oportunidade”, assegurou.

Num debate modelado pelo diálogo e pelo compromisso, em torno das questões que gravitam à volta da Reserva Natural, com uma plateia interessada e interventiva, foram apresentados quatro painéis:

“A gestão da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e VRSA e a qualidade de vida da população – o contexto atual e perspetivas de futuro”, no qual, a Drª. Alexandra Silva, técnica superior do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, fez uma caracterização desta importante zona natural, que está classificada desde 1975, sendo a primeira reserva natural do país. A aprovação do Plano de Ordenamento da Reserva Natural em 2008, o Plano de gestão desta zona húmida e o impacte do Novo Quadro de Apoio Comunitário (QCA) 2014-2020, a criação de uma Agenda Cultural e a parceria com a Câmara Municipal sobre a Casal do Sal, em construção, foram algumas das questões abordadas na sua comunicação.

A arquiteta Cátia Susano, Chefe da Unidade Orgânica de Administração Urbanística, Ambiente e Serviços Urbanos, da Câmara Municipal apresentou o painel “O Plano de Pormenor da Zona de Lazer de Castro Marim”, dando a conhecer este instrumento de ordenamento do território para a vila de Castro Marim, que está em vias de ser aprovado pela autarquia e que prevê, entre outras valências, a construção do Centro Columbófilo, a instalar na encosta do Forte de São Sebastião, a futura área desportiva e a criação de percursos pedonais.

Outro dos painéis apresentados foi “A sustentabilidade ambiental do sal tradicional no ecossistema da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim e Vila Real de Santo António”, tendo como orador o Eng. João Geraldo Mendonça Pedro, da Cooperativa Terras de Sal, CRL, que referiu a importância da evolução da produção de sal de Castro Marim, “um potencial a recuperar e a preservar”, mas onde falta investimento, designadamente, no que se refere à capacidade de armazenamento e à comercialização. O sal está associado ao mercado alimentar e como tal não pode ser encarado apenas como um produto local, mas antes à escala mundial.

No último dos quatro painéis que integrou o debate dedicado à Aquacultura “Soluções ecológicas na produção de pescado e bivalves nos esteiros da Carrasqueira e Lezíria em Castro Marim”, o Dr. André Lima Cabrita, Administrador da Atlantik Fish, Lda, falou da importância económica do projeto da sua empresa para os dois concelhos, também, para a região, assim como a produção de peixe em sistema de aquacultura, um investimento que ronda os 3 milhões de euros, ocupando uma área de 35 hectares.

Quase a finalizar o debate, o Diretor do Departamento de Conservação da Natureza e das Florestas do Algarve mostrou-se confiante no futuro da Reserva Natural do Sapal de Castro Marim/Vila Real de Santo António. “É preciso vencer a inércia ao nível dos grandes investimentos. Vamos continuar a investir na educação ambiental, levo daqui ensinamentos importantes. Temos que ser capazes de cicatrizar as feridas em aberto e dar um novo rumo no relacionamento entre instituições, com trabalho e bom senso, conseguimos frutos positivos”, concluiu.

Por último, o Presidente da Câmara Municipal de Castro Marim realçou a utilidade de continuar a discutir o futuro do concelho, nas diferentes áreas de intervenção municipal. “Gostaria que houvesse maior abertura por parte da Reserva Natural do Sapal, para intensificar parcerias com a autarquia, no sentido deste património ímpar na Europa, poder ser visitado por mais turistas nacionais e estrangeiros”.

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