Economia, Estarreja, Sociedade

Carpinteiros Navais evocados na Variante Sul ao Eco Parque em Estarreja

DSC_0041ssA remodelada estrada, de ligação entre Estarreja e Pardilhó e de acesso ao Eco Parque Empresarial, leva-nos às portas da “Vila da Ria” onde está hoje perpetuada a homenagem aos carpinteiros navais. A sessão de inauguração da Variante Sul (Estrada Municipal 558) decorreu no último sábado. José Eduardo de Matos anunciou o início da construção do prolongamento da principal avenida do parque empresarial do município.

 

A resolução de um velho problema de segurança rodoviária foi destacada em primeiro lugar pelo presidente da Câmara Municipal de Estarreja, José Eduardo de Matos. “A estrada tinha um conjunto de problemas, nomeadamente no inverno quando alagava. Quisemos resolver esse problema de segurança e está à vista que o projeto resultou. A estrada ficou melhor, mais segura, mais bonita e permitiu a possibilidade de se andar a pé ou de bicicleta com segurança. Melhoramos a entrada da vila da Ria e contribuímos para que o Eco Parque tenha este melhor acesso”, tendo sido criada uma rotunda de entrada a esta zona de concentração empresarial.

 

A melhoria das infraestruturas de suporte às atividades empresariais/industriais não poderia ficar por aqui. A Câmara Municipal está a garantir a ligação direta da Avenida Pacopar do Eco Parque à Variante Norte, facilitando o acesso às vias rápidas A1 e A29. “Dentro de um mês a obra vai começar”, anunciou o autarca estarrejense classificando esta ligação de “inadiável”.

 

A requalificação da Variante Sul, numa extensão de 3 kms, representou um investimento total de 528.648,46€, com uma comparticipação de 80% do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), no âmbito do Mais Centro – Programa Operacional Regional do Centro. Foi adotada uma plataforma única e dada continuidade à Rede Municipal de Ciclovias e Percursos Pedonais.

 

 

Terra de construtores das embarcações típicas da Ria

 

Em terra com forte tradição na ligação à Ria de Aveiro e à construção dos tradicionais barcos da Ria, como o moliceiro, a bateira e o mercantel, e do mar como o barco de arte xávega, a sessão de inauguração da Variante Sul incluiu a homenagem aos Carpinteiros Navais, com a inauguração de uma peça escultural representando uma serra, da autoria de Marco Almeida Matos, na nova rotunda de entrada na freguesia.

 

José Eduardo de Matos deu “nota positiva” à equipa da Câmara Municipal. Idealizada pelo engenheiro Marco Matos, da Divisão de Obras Municipais, a serra com uma altura de 6 metros, foi realizada pelos carpinteiros da Câmara. Complementando, a rotunda foi embelezada pelo Setor de Serviços Urbanos que recriou a roda do leme. “Nestes momentos em que temos mais dificuldades, temos que nos reinventar. Há nos funcionários públicos gente com capacidade e com vontade e nós temos cá em Estarreja e fico satisfeito por isso”.

 

“Os carpinteiros navais são uma saudade para muitos”, salientou o presidente ao relembrar a época em que, ainda criança, “o ministro das corporações veio inaugurar a sede do sindicato nacional dos carpinteiros navais. Ainda hoje, Pardilhó é uma das poucas terras que ainda consegue fazer barcos”.

 

Arménio Almeida é um desses poucos homens que ainda se dedica à construção e reparação de barcos de madeira. “Pardilhó toda a vida foi uma terra de carpinteiros navais”, afirmava mostrando-se satisfeito com a homenagem a todos os construtores de embarcações, onde se incluem trabalhadores como o seu pai e irmão. Aprendeu com o mestre Henrique Lavoura, passou pelos estaleiros de António Esteves e Felisberto Amador, também sobreviventes dos tempos áureos das embarcações em madeira que ainda hoje dão vida às embarcações mais típicas da Ria na Ribeira das Bulhas.

 

No seu estaleiro, situado à porta de casa, produz essencialmente bateiras destinadas à pesca na Torreira e Murtosa, uma ou outra para Pardilhó. Normalmente, estes barcos têm 7 metros de comprimento. Em 2005 construiu 12 embarcações, mas os pedidos foram diminuindo e o ano passado fez apenas duas. Uma bateira de 7 metros leva um mês a fazer e custa cerca de mil euros. Arménio Almeida aplica entre 500 a 600 pregos feitos à mão e 3 a 4kg de pregos de arame em cada barco que constrói.

 

Outro carpinteiro naval presente na sessão, José Duarte da Silva, agora com 82 anos, e que começou nestas andanças com 12 anos, dizia que os carpinteiros navais merecem a homenagem mas “em Pardilhó estão a acabar”, recordando quando “ainda era pequeno e a força dos carpinteiros navais era cá”. A fraca procura também justifica no seu entender a falta de interesse pela profissão. “Antigamente, quando eu andava no Bico da Murtosa, ao sábado via-se dezenas de moliceiros, hoje não se vê nada disso”, além de que as condições de navegação também pioraram, regista.

 

Contudo, ao mesmo tempo que se homenageia “o passado e os carpinteiros navais”, José Eduardo de Matos fez questão de lembrar “aos mais novos que esta pode ser uma boa função e que importa que os mais novos se interessem por estas artes. Esta é uma função que não se pode nem deve perder”, advertiu o presidente do Município.

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