Cultura, Torres Vedras

A maçonaria torriense vai ser abordada durante abril no Edifício dos Paços do Concelho de Torres Vedras

A maçonaria portuguesa em Torres Vedras “A Maçonaria em Torres Vedras” vai ser tema de comunicações e debate durante o mês de abril no auditório do Edifício dos Paços do Concelho de Torres Vedras.

 

Ao final de tardes de sexta-feira, pelas 18h30, este espaço vai acolher três sessões dinamizadas por Jorge Paulino Pereira que abordarão “um tema da história torriense do qual nada se sabe”, consistindo as mesmas em palestras e na apresentação de livros deste autor.

 

Na sessão do dia 5 de abril será apresentado o livro A Maçonaria Portuguesa em Torres Vedras: Dos inícios do século 19 até 1910. A propósito desta publicação é referido que “desde os primórdios da nossa História, Torres Vedras (atual cidade) foi uma vila importante no contexto nacional. Identificaram-se vários torrienses em lojas maçónicas de Lisboa e de Coimbra nos inícios do século 19. A loja mais antiga de Torres Vedras, conhecida, foi a Fidelidade, integrada no Grande Oriente do Rito Escocês, e que esteve ativa a partir de 1840. Entre 1898 e 1912, o Grande Oriente Lusitano Unido esteve sempre representado em Torres Vedras, por meio de Triângulos (Triângulo nº 5, de 1898; Triângulo nº 69, de 1905) e depois por intermédio da Loja Regeneração (nº 292). Esta última oficina foi fulcral no movimento maçónico por se ter tornado numa das oficinas mais relevantes do Oeste da Estremadura, contribuindo decisivamente para a divulgação dos ideais republicanos. Na estrita dependência desta loja maçónica havia uma Carbonária Republicana que haveria de ter continuidade e relevância ao longo de quase toda a primeira metade do século 20”.

Já no dia 12 de abril será a vez de ser apresentado o livro O final da monarquia: a organização revolucionária da Maçonaria e da Carbonária de Torres Vedras (1898-1908). Esta publicação explica que “ao longo do século 19 e até ao virar do século 20, Torres Vedras era a povoação mais importante do Oeste da Estremadura e uma das mais ativas do litoral de Portugal. Contudo não passava de uma vila de Província que vivia na dependência da cidade de Lisboa e sobretudo da oligarquia fundiária que controlava as quintas e as propriedades agrícolas da região. A partir de finais da segunda metade do século 19, a praga da filoxera destruiu os vinhedos locais, degradando os rendimentos e a riqueza dos ricos e dos médios proprietários e lavradores da região. Paralelamente registou-se um aumento da indústria e do comércio na vila, o que fortaleceu o poder da média burguesia e da pequena burguesia urbanas. Foram os elementos da alta e da média burguesia de Torres Vedras, que tinham um espírito mais culto e mais liberal que viriam a introduzir uma mudança significativa no dia a dia político, social e cultural daquela vila e região. Alguns deles viriam a estar integrados em oficinas maçónicas e tiveram parte ativa nas associações locais e na condução das grandes ações locais. Em novembro de 1905, foi constituído um Triângulo maçónico com 5 obreiros, na Obediência do Grande Oriente Lusitano Unido, que foi fundamental na organização do movimento republicano local e regional. Os maçons constituíram a Comissão Municipal Republicana, controlaram um dos jornais locais Folha de Torres Vedras, tiveram postos relevantes em associações locais, e organizaram uma Carbonária Republicana. Foi em 1907 que os maçons assumiram um cunho mais notoriamente anticlerical porque a Igreja Católica detinha um poder efetivo junto da Corte e em todo o Portugal e obviamente também em Torres Vedras. Na vila e na região, foi a loja maçónica local que se destacou nesta propaganda e ação política”.

Por último, no dia 19 de abril será a vez de ser lançado o livro Rumo à república: a vitória da Maçonaria e da Carbonária de Torres Vedras: 1909-1910. Segundo o mesmo “foi sobretudo ao avançar com uma estratégia francamente anti-clerical que os republicanos conseguiram um maior apoio popular quer em Lisboa quer nas principais cidades e vilas de Portugal. Ora esta tática foi desencadeada pela cúpula da Maçonaria Portuguesa e contou com os apoios das lojas maçónicas, sobretudo das do Rito Escocês Antigo e Aceite, algumas das quais tinham montado Carbonárias Republicanas na sua dependência. Era esse o caso de Torres Vedras. Na noite de 4 para 5 de outubro de 1910, uma insurreição republicana rebentou em Lisboa. A adesão dos militares ficou muito aquém do esperado e o desaire parecia eminente. Os republicanos foram obrigados a proteger-se na Rotunda, resistindo às mal organizadas tropas monárquicas que os pretenderam desalojar. Apenas os marinheiros foram mais bem-sucedidos, controlando o Quartel dos Marinheiros que rapidamente ficou cercado e sobretudo 2 barcos de guerra no rio Tejo (Adamastor e S. Rafael). Mesmo assim, estavam numa posição muito vulnerável. A vitória republicana deveu-se talvez mais à incompetência dos chefes militares e políticos monárquicos do que a uma organização correta e bem estruturada dos republicanos. (…) Em Torres Vedras, os republicanos liderados pela loja maçónica local tiveram um papel decisivo na paragem dos reforços monárquicos que seguiam para Lisboa para reprimir os revoltosos. Os maçons da loja Regeneração (nº 292), em conjunto com vários oficiais do regimento monárquico (alguns dos quais eram maçons) conseguiram impedir que o comboio de tropas seguisse para Lisboa, como pretendia o comandante das forças. Também a Carbonária Republicana de Torres Vedras teve ação (importante, mas não decisiva) no bom sucesso desta ação. Depois da implantação da República, em 5 de outubro de 1910, os maçons de Torres Vedras que eram pouco mais de uma vintena, controlaram todos os órgãos locais. Fizeram-no como elite que eram. E depois, mais tarde, serão eles que assegurarão a estabilidade, dialogando numa base construtiva com a Igreja Católica e evitando os extremismos que caraterizaram a vida nacional nos primeiros anos da Primeira República”.

 

A aquisição de cada um dos referidos livros terá nas mencionadas sessões um preço de 17 euros.

A iniciativa “A Maçonaria em Torres Vedras” relaciona-se com a comemoração, a 22 de abril, o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor.

 

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