Cultura, Sardoal, Sociedade

Fogaréus dão luz aos trilhos do Calvário, em Sardoal

fogareus_28A noite é escura ou não fosse o breu um resíduo negro da paisagem. O dia foi-se finando devagar e o crepúsculo aconchegou-se no manto fusco das memórias ancestrais. Esta noite é especial. Parece que o Sardoal se quedou na marcha infindável dos tempos. Os olhos buscam as sombras mas as sombras deambulam sem rosto. Apenas as velas, as candeias e archotes dão tosca liberdade às feições dos peregrinos. Que o interior das almas não necessita de outra luz. São muitos aqueles que percorrem as ruas em passo lento e silêncio respeitoso. Os acordes dolentes da secular filarmónica acentuam o pulsar das emoções. Arrepiam quem os ouve. A Procissão dos Fogaréus percorre os trilhos do Calvário. Vai rompendo a negritude em busca de um sentido…

Este é o ambiente místico de Fé e Tradição que envolve a Procissão do Senhor da Misericórdia (ou Fogaréus), que se realiza na quinta-feira, dia 28 de março, pelas 21h30m.

Através da colaboração da LTE – Electricidade de Lisboa e Vale do Tejo, a electricidade da rede pública é desligada nas artérias por onde passa o Cortejo religioso que é apenas iluminado, como atrás se refere, pela luz das velas, archotes e candeias.

Segundo os dicionários a palavra fogaréu, designa fogueira, fogacho, adorno escultural em forma de chama ou recipiente situado em lugar elevado e onde de noite se acendem matérias inflamáveis para iluminar. Pensa-se que provém da expressão portuguesa Fogarel, mas não há certezas quanto a isso.

A Procissão dos Fogaréus é organizada pela Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Sardoal e integra o Sermão do Mandato, na Igreja do Convento de Santa Maria da Caridade. A Filarmónica União Sardoalense entoa marchas fúnebres ao longo do percurso.

Registe-se que nesta Procissão, podem ainda ser apreciados os ricos painéis, provavelmente do século XVIII, pertença da Misericórdia, representando Cenas da Paixão. Os painéis autênticos encontram-se na Igreja da Misericórdia, ao dispor do público, saindo na Procissão as suas réplicas, por motivos de segurança e preservação.

Esta manifestação de Fé existe desde tempos remotos, embora ao longo das épocas, tenha registado alguns períodos de maior desmotivação popular.

No dia 29 de março tem lugar a Procissão do Enterro do Senhor, às 18h30m, e no Domingo de Páscoa, às 10 horas é levada a efeito a Procissão da Ressurreição.

 

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