Cultura, Tomar

Aldeia ignora a crise e lança colecção de livros sobre a História local em Tomar

Com uma cerimónia evocativa e o lançamento do livro “Linhaceira e as suas escolas”, terá início no próximo dia 24 de Março o programa comemorativo do Centenário das Escolas na Linhaceira, concelho de Tomar, iniciativa da Associação de Pais local, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Tomar, e que se prolongará até 2018.

No dia 24 de Março de 1913, a Comissão Administrativa Municipal de Tomar, correspondente ao actual executivo autárquico, deliberava pela primeira vez construir uma escola primária na Linhaceira. Cem anos depois, a Associação de Pais e Amigos das Escolas de Linhaceira (APAEL) pretende evocar a data devidamente, dando início a um conjunto de iniciativas que se vai prolongar até 2018, data do centenário da efectiva entrada em funcionamento da escola.

Para comemorar este acontecimento de forma condigna, vai ser inaugurada a 24 de Março a Biblioteca de Temas Linhaceirenses – não uma biblioteca física (pelo menos para já) mas um projecto editorial que conjuga o livro tradicional com suportes multimédia e internet, e cujo objectivo é ser um repositório de toda a informação disponível sobre a aldeia e a freguesia em que se insere, iniciativa da APAEL que conta com o apoio da Câmara Municipal de Tomar.

No dia em que se evoca o início do centenário, será lançado o primeiro livro, “Linhaceira e as suas escolas”, de Miguel Garcia Lopes e Nuno Garcia Lopes. Sendo a primeira vez que se publica um livro especificamente sobre a aldeia, a obra começa com uma síntese histórica onde são apresentados um conjunto de dados nunca antes revelados publicamente e que vêm lançar uma nova luz sobre o passado daquele que é actualmente o maior centro populacional do concelho, a seguir à cidade de Tomar.

Mas são as escolas o principal foco de atenção, com um enquadramento histórico desde as primeiras movimentações locais no sentido de conseguir a sua construção, no princípio do século XX, quando as crianças do resto da freguesia tinham que se deslocar à sua sede, na Asseiceira, por caminhos difíceis e perigosos, para aí terem acesso à instrução.

Associando a investigação que já vinham fazendo sobre a História da Linhaceira a um ano de intensa pesquisa sobre aquilo que com as escolas se relacionava, os autores compulsaram todas as fontes disponíveis, desde bibliotecas e arquivos até ao contributo fundamental da comunidade, o que lhes permitiu contar de forma pormenorizada os avanços e recuos registados de 1913 a 1918, que culminaram com a população local a construir a primeira escola pelos seus próprios meios.

Mas seguiram também, de forma quase detectivesca, desde o Sardoal onde nasceu, até às Caldas da Rainha onde viria a falecer, o percurso de um homem que só aos 35 anos chegou à freguesia como professor mas cuja determinação e teimosia o levaram a lutar contra tudo e contra todos e a dar aulas a crianças e adultos na Linhaceira ainda antes de a escola ali estar criada oficialmente.

Através de jornais e fotografias antigas e de documentação diversa, contam-se depois os quase cem anos em que na Linhaceira foram criadas mais duas escolas primárias e um jardim-de-infância, passando também pela telescola, pelos edifícios precários, pelo ensino de adultos e não esquecendo a construção prevista do centro escolar.

A obra, que se pode considerar um autêntico trabalho colectivo, tantos foram os contributos recebidos ao longo da sua génese, tem paginação e design de Miguel Atalaia, igualmente responsável pela criação dos logótipos do Centenário das Escolas na Linhaceira e da Biblioteca de Temas Linhaceirenses.

 

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