Arouca, Cultura

Casa das Pedras Parideiras: «Museu da Jóia» do geoparque Arouca

No passado sábado, dia 3, foi inaugurada a Casa das Pedras Parideiras, localizada à entrada da aldeia da Castanheira, em pleno planalto da serra da Freita, em Arouca, naquele que é considerado um dos geossítios de maior relevância, juntamente com as Trilobites Gigantes de Canelas, do território do Geoparque Arouca, desde 2009 sob os auspícios da UNESCO.

 

No local onde há várias gerações se convive com um fenómeno natural com cerca de 300 milhões de anos e raro no mundo, abriu agora portas ao visitante um centro de interpretação, com a finalidade de se dar «um passo significativo na conservação, compreensão e valorização deste importante património geológico», salientou a propósito a Presidente da Associação Geoparque Arouca (AGA), Margarida Belém.

 

Sendo também a responsável pela área do turismo no atual executivo da Câmara de Arouca, Margarida Belém sublinhou: «Este espaço foi pensado com objetivo de ser criada uma infraestrutura de informação e interpretação das Pedras Parideiras, mas também como uma oportunidade de requalificar a zona envolvente, reforçando-se a atratividade do coração da Freita, enquanto lugar de interação social e guardião de artes ancestrais».

 

Contrariando o nevoeiro que apareceu sem ser convidado, muitas foram as pessoas presentes nesta cerimónia, com destaque para os habitantes das povoações da Freita, principalmente da aldeia anfitriã da Castanheira, para quem houve um olhar especial: «Quero agradecer nomeadamente ao senhor Manuel Tavares por nos ter vendido este imóvel», que na altura servia de palheiro no piso de cima, muito embora «não tenha sido fácil fazer-se o negócio». Reconhecimento público do autarca Artur Neves, um dos principais protagonistas na decisão de se levar por diante o projeto de criação do Geoparque Arouca e para quem a inauguração da Casa das Pedras Parideiras representou «um dos momentos mais felizes que estou a viver, na qualidade de Presidente da Câmara».

 

 

Outros projetos turísticos vão avançar em Arouca

 

Na presença de outros autarcas e de representantes de várias instituições e coletividades locais, entre uma moldura de gente anónima, Artur Neves deu a conhecer projetos futuros na vertente do turismo da Natureza, principalmente a construção de um passadiço ao logo do rio Paiva, o qual irá permitir a fruição de uma paisagem fantástica, muito apreciada pelos praticantes de «rafting», por exemplo. «Este será um investimento com um orçamento previsto de 2 milhões de euros e a obra deverá ser adjudicada dentro de dois meses», anunciou o autarca, acrescentando ser intenção do atual executivo dar continuidade ao projeto de desenvolvimento de Turismo Ativo, numa visão integrada na Área Metropolitana do Porto e no turismo da região norte, no qual também está contemplada a classificação de outros geossítios no Geoparque Arouca, por iniciativa da AGA.

 

Na cerimónia que vai ficar marcada na história do município como o primeiro dia da Casa das Pedras Parideiras, houve também lugar para outras palavras de reconhecimento público por esta obra municipal. A presidente da junta de Albergaria da Serra, Natália Tavares, deixou registado: «Este é um investimento emblemático para a nossa freguesia, pois hoje é uma mais-valia, um geossítio que antes não era valorizado».

 

Por seu lado, José Brilha, representante da Progeo (Associação europeia para a conservação do património geológico) e professor na Universidade do Minho, lembrou aos presentes estar-se ali perante um geossítio pertencente ao «inventário do património geológico nacional», pelo que faz todo o sentido o seu uso científico e pedagógico, apresentando-se como local de visitação de professores e alunos motivados pelo conhecimento de um fenómeno que encerra ainda, dentro de si, «muitas perguntas sem respostas».

 

A concluir as intervenções, foi lida uma mensagem enviada pela representante da Comissão Nacional da UNESCO, Elisabeth Silva, onde esta reforçava a importância de um Centro de Interpretação desta natureza para a população de Arouca e seus visitantes, «pois reforça a ideia de que nós vivemos num único planeta e como tal devemos unir forças para o proteger».

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