Almada, Cultura

Teatro Municipal de Almada repõe O Mercador de Veneza com João Reis e Albano Jerónimo nos protagonistas

O Teatro Municipal de Almada repõe a 20 de Outubro a peça O Mercador de Veneza, protagonizada por Albano Jerónimo e João Reis, numa recriação do encenador Ricardo Pais para a Companhia de Teatro de Almada, em parceria com o Teatro Nacional São João. O espectáculo, da autoria de William Shakespeare, estará em cena na Sala Principal do TMA até 11 de Novembro, depois de uma ante-estreia em Julho no 29º Festival de Almada. “É um espectáculo belo e inteligente, esteticamente aprimorado, que persegue a fugacidade da beleza e de facto a captura, para nosso prazer”, escreveu Helena Simões no Jornal de Letras a propósito desta representação.

 

Presumivelmente escrita entre 1596 e 1598 e publicada em 1600, a peça de William Shakespeare foi representada pela primeira vez em 1605 e entrecruza duas intrigas: a que decorre na Veneza sombria e mercantil, e a que tem por cenário a beleza de portas abertas à música e ao amor de uma Belmonte supostamente virtuosa. Uma dupla narrativa que evoca a multiplicidade humana, partindo das personagens de um judeu cruel, porém humano, e dos cristãos que fazem dele a sua vítima.

 

Albano Jerónimo interpreta António, um mercador cristão em estado de depressão. “Este António é um desafio particular porque nunca me tinha sido proposto fazer tal trabalho em cena. E começa logo na primeira coisa que António diz ao público, que de certa forma é um convite para o público perceber esta tristeza. O António diz: ‘na verdade não sei porque ando tão triste’ e de facto fica no ar lançada esta questão de tentar perceber esta tristeza”, explica o actor.

 

Já João Reis dá vida a Shylock, um especulador judeu. “Esta peça tem uma característica que a torna aos olhos de muitos anti-semita, observação com a qual eu não concordo de todo. O Mercador de Veneza levanta questões raciais, sexuais, religiosas… São assuntos sempre presentes” refere o actor, que considera Shakespeare “o maior dramaturgo de sempre, de toda a história do teatro”.

 

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