Cultura, Póvoa de Varzim

Milhares passaram pelo Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim

Apesar da 34ª edição do Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim ter apresentado menos sete espetáculos face às edições anteriores, perto de 2500 pessoas acompanharam o certame que decorreu de 6 a 21 de julho.

Conforme revelou João Marques, Diretor artístico e coordenador-geral do FIMPV, o evento consolidou o seu prestígio, ao conseguir apresentar espetáculos de elevada qualidade, prestou o seu habitual apoio ao lançamento de jovens músicos e apoiou a criação da nova música portuguesa (uma obra de António Chagas Rosa em estreia numa versão para soprano e orquestra de câmara). Para além disso, apresentou em estreia em Portugal uma versão de Serge Olive da 4ª Sinfonia de Gustav Mahler (orquestra de câmara), e conseguiu manter a afluência do público habitual e – tudo leva a crer – terá suscitado a curiosidade do público mais jovem para a beleza e o alcance cultural que a boa música pode proporcionar.

Constata-se que houve espetáculos excecionais (dignos das salas mais cotadas a nível internacional): Coro Gulbenkian sob direção do lendário Michel Corboz, Luísa Tender, Pavel Haas Quartet, La Morra, Huelgas Ensemble e Gli Incogniti (67% dos espetáculos), a que se deverá acrescentar a notável conferência de Rui Vieira Nery.

A lição dada pelo musicólogo, na conferência de abertura, foi um dos momentos mais aplaudidos pelo público no FIMPV. Sobre Ravel, Nery revelou que “foi um compositor muito complexo e difícil de perceber que se soube emancipar sem precisar de fazer o mesmo que compositores mais experimentais. Há, em si, uma noção de rutura necessária e uma procura de vários meios para dar o salto. A descoberta de músicas exóticas e abertura à música de cabaret, folclore e da infância marcaram o seu percurso e fazem dele um génio inspirador de paixão. Ficamos magnetizados com a sua música”. Há uma espécie de otimismo, de que há um lado bom da humanidade que vai sobreviver a todas as crises, assinalou Nery, acrescentando a importância espiritual de Ravel para além da cultural e artística. Por isso, vale a pena celebrar os 75 anos da sua morte.

Assinale-se ainda a honrosa prestação dos nossos jovens músicos, as dos dois agrupamentos residentes do FIMPV e os galardoados com o “Prémio Jovens Músicos 2011” da Antena 2.

As anunciadas Manifestações Paralelas do FIMPV foram integralmente concretizadas: masterclasses, exposições diversas, concertos pelos vencedores dos Concursos de Piano e Trompete da Póvoa de Varzim (2012) e concertos informais por alunos da Escola de Música da Póvoa de Varzim, que, inclusivamente, atuaram nas emissões que a Antena 2 realizou em direto para todo o país, nas tardes de 19 e 20 de julho.

Uma conferência e nove concertos, para além das diversas iniciativas paralelas, foram o êxito de mais uma edição de um evento que, após 34 anos, continua a seduzir e a atrair milhares de espectadores. Recorde os momentos do 34º Festival Internacional de Música da Póvoa de Varzim, aqui.

 

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