Arouca, Cultura

Victor Alegria: homem das letras com coração em Arouca e vida em Brasília

Victor Alegria nasceu em Arouca, mas o destino levou-o a radicar-se no Brasil, em dezembro de 1963. Fugindo da ditadura de Salazar, decidiu atravessar o Atlântico e ir viver para o “país irmão”. Instalou-se, à chegada, na “cidade maravilhosa” do Rio de Janeiro e, mais tarde, fixou residência em Brasília (capital federal), desenhada pelo arquiteto Oscar Niemeyer.

 

Hoje, Victor Alegria é um cidadão acarinhado na terra desvendada pelo navegador português Pedro Álvares Cabral, em 1500, tendo sido agraciado com o título de cidadão honorário de Brasília. Todavia, o seu percurso está marcado, indelevelmente, pela dura batalha, primeiro em Portugal e depois no Brasil, em prol dos ideais da Democracia: Liberdade, Paz, Justiça Social e Amizade, entre os povos.

 

Esse desígnio, que parece nascer impregnado no ADN de certas pessoas, obrigou-o a deixar para trás a sua Terra Natal, Arouca, bem como a sua Pátria, Portugal, após ter sido preso político às mãos dos carrascos do Estado Novo. Quando aportou na “cidade maravilha”, talvez não imaginasse que naquele “país-irmão” também iria conhecer as agruras do cárcere. Na realidade, a ditadura militar brasileira (1964-1985) cerceou-lhe por duas vezes a liberdade de ação, já como editor livreiro. Victor Alegria esteve desterrado na Ilha das Cobras e na Ilha das Flores.

 

O mítico Papillon provou também as agruras da deportação na Ilha do Diabo, na Guiana Francesa, uma história verídica contada pelo punho do próprio Henri Charrièrre e recriada pela sétima arte, tendo por finalidade alertar a humanidade para o crime da justiça injusta.

Entretanto, o “Português de Arouca” reganhou força anímica e voltou a dar asas à sua paixão pela edição literária, dedicando-se outra vez ao trabalho da produção do saber, tornando-se um dos primeiros livreiros e editores de Brasília.

Assim nasceu a Livraria, editora mal-amada pela antiga elite do poder, e a atual Thesaurus, considerada por muitos como uma das mais importantes editoras no mercado cultural brasileiro e além fronteiras, sendo hoje responsável pela publicação de cerca de 3 mil títulos.

 

 

 

Arouca Geopark na “Quinta viagem às nascentes da Língua Portuguesa”

 

 

Victor Alegria idealizou há cerca de dois anos um projeto de turismo cultural entre o Brasil e Portugal. Com a ajuda de poetas, escritores, professores e voluntários das mais diversas expressões artísticas e culturais, puseram de pé a iniciativa “Viagem às nascentes da Língua Portuguesa”.

 

Como navegadores de uma qualquer caravela quinhentista, agora em rota inversa, o grupo vai estar em Portugal, entre 16 e 27 de junho, na sua quinta epopeia por terras lusitanas, trazendo no horizonte um roteiro cultural que os vai levar a conhecer especialmente certos sítios, locais, lugares e monumentos, onde a portugalidade está impressa, quer seja através da beleza natural e da época histórica quer seja também por via do espólio de museus e de obras com o cunho de artistas portugueses ou representativas da nossa nacionalidade.

 

Arouca está igualmente presente neste roteiro cultural. Pelo segundo ano consecutivo, a delegação vai fazer-nos uma visita, chegando hoje ao final da tarde e seguindo viagem amanhã para o Porto, após dedicarem toda a manhã ao contacto com património do Arouca Geopark. Desta vez, o programa do roteiro cultural a realizar entre nós inclui visitas ao centro histórico da vila, ao Museu de Arte Sacra, ao Mosteiro de Arouca, à Frecha da Mizarela, às Pedras parideiras e ao Centro de Interpretação Geológica de Canelas. De referir, ainda, estar incluída também no programa a doação de livros à biblioteca municipal, à semelhança do que fizeram no ano passado, numa ação simbólica a ter lugar hoje, a seguir ao jantar numa unidade hoteleira da vila.

 

Do roteiro cultural a realizar entre o Sul e o Norte de Portugal, o destaque vai também para as sessões de lançamento de livros de autores brasileiros, que integram a comitiva.

“Esta viagem é também uma mensagem de carinho e solidariedade”, assim termina o programa da visita de doze dias ao nosso país, tendo como objetivo “mostrar que Brasília é um coração onde palpita a brasilidade que nos une ao povo português”.

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