Lamego, Sociedade

Lamego recriou Cortes de D. Afonso Henriques

A cidade de Lamego viveu três dias muito especiais com a realização de torneios de armas e juízos de malfeitores, “desmandos heréticos e possessões malignas”, uma autêntica viagem de regresso ao século XII. A edição deste ano da Feira Medieval de Lamego abandonou o histórico bairro do Castelo e desceu até à zona envolvente da Praça do Comércio onde reuniu à sua volta o clero, a nobreza, os mestres de ofício e os servos da gleba para fazerem a evocação histórica do comércio e das artes e dos ofícios medievais.

Este ano, a viagem ao passado destacou a recriação das Cortes de Lamego por D. Afonso Henriques, através da qual o público vivenciou vários episódios da época, enquadrados na moldura de um mercado. Apesar da queda de alguma chuva, milhares de visitantes quiseram ver de perto os mais de 100 “mercadores e artesãos” que ali desenvolveram as suas atividades de comércio. Para quem pretendeu retemperar forças durante tamanha folia também houve “comeres fartos e beberes frescos nas tabernas da feira”.

De 1 a 3 de junho, as ruas e ruelas da zona alta da cidade foram palco de “jogos de destreza e perícia”, “reinos de armas e preitos de vassalagem a D. Afonso”, para além de “bailias e folguedos com músicos”. Fiel ao espírito e à época, a Feira Medieval quis continuar a cativar o interesse de vários públicos através de uma abordagem interativa sobre as lendas e tradições enraizadas nesta cidade. No primeiro dia, o evento foi dedicado às crianças e às escolas, enquanto que no sábado o ponto alto das celebrações ocorreu com a recriação das Cortes de Lamego. No domingo, após a abertura da feira e “fiscalização dos meirinhos e alvazis”, um Cortejo Régio desfilou pelas ruas “com recebimento das várias ordens militares que partem em fossado nas terras de Moirama”.

Ao apresentar uma programação ampla e bastante apelativa, este evento pretendeu cumprir duas missões essenciais: fazer a pedagogia dos usos e costumes medievos e expor artesanato nacional e internacional de qualidade. Para além da Praça do Comércio, o espaço ocupado por mercadores e artesãos, muitos dos quais provenientes do Magrebe, foi este ano alargado às ruas Marquês de Pombal, Padre Alfredo Pinto Teixeira, das Cortes, Almacave e Nova, para além de um pequeno troço da Av. 5 de Outubro e do Jardim da República.

Organizada pela Câmara Municipal de Lamego, através do programa VIVERLamego, a realização da Feira Medieval representou um investimento de 36.700 euros, comparticipado em 80% através do QREN.

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