Cultura, Póvoa de Varzim

Biblioteca Municipal recorda Caetano Soares de Oliveira – P. Varzim

A Biblioteca Municipal organiza uma mostra documental em memória a Caetano Soares de Oliveira, médico oftalmologista e filho de Caetano Marques de Oliveira, médico de clínica geral e Presidente da Câmara Municipal entre 1896 e 1898.

A mostra documental surge quando passam 70 anos sobre o seu falecimento (20 de Novembro de 1911) e é constituída por notícias da imprensa local, fotografias e documentos.

Estará patente no átrio da Biblioteca Municipal até ao dia 30 de Novembro.

 

Caetano Marques Soares de Oliveira, médico oftalmologista, faleceu na Póvoa de Varzim, no dia 20 de Novembro de 1941, com 49 anos de idade.

“…homem de fortes convicções sem nunca se desviar um milímetro daquilo que considerava o “ideal de servir”, tinha o seu consultório em casa, no Passeio Alegre, esquina com Avenida dos Banhos, prédio onde mais tarde, e por muitos anos, se instalou o “Café Ribeiro”, popularmente conhecido pelo “Café da Libânia”. Vítima de invejas e guerras partidárias, estava proibido de trabalhar no Hospital local e Posto da Casa dos Pescadores, sendo obrigado a consultar (e operar) os doentes em sua casa onde tinha quartos para pacientes sem possibilidades económicas, oferecendo mesmo a estadia de convalescença e as refeições. Médico em Lisboa, passava três/quatro meses na Póvoa, a sua terra de quem tanto gostava e fazia a maior das propagandas. Gazeado na Grande Guerra (1914/18), foi dado como morto em combate. Quando se encontrava na enfermaria de campanha, onde se mantinha há três meses em estado deplorável, recebeu a visita de um oficial médico inglês a quem pediu que o mandassem para Portugal. “Morrer por morrer, antes em casa!”, dizia. O pedido foi aceite e, por coincidência, foi outro médico da Póvoa que o acompanhou na viagem de regresso: o Dr. Joaquim Graça. Implorando cura a N. Sra das Dores, e como foi melhorando até ficar “quase bom”, Caetano de Oliveira prometeu acompanhar a procissão das Dores enquanto fosse vivo. Depois da sua morte, a sua filha Lourdes cumpre a promessa do pai.

Era tal o seu amor à Póvoa que, todos os anos, durante o Verão, Caetano de Oliveira se deslocava de carro (na Póvoa havia muito poucos) de Lisboa para a sua praia. Os colegas lisboetas chamavam-lhe o “Aventureiro”. E porquê? Porque, saindo da Capital com a mulher e os dois filhos pequenos (Lourdes e Zeca), por entre caminhos de terra batida, (estamos nos anos vinte do século passado…) guiando-se pelos cabos de telefones, e parando em algumas cidades como Caldas da Rainha, Coimbra e Porto, só ao fim de três dias chegava à Póvoa. Era uma verdadeira odisseia para os mais novos, com dormidas e visitas históricas programadas durante a viagem.” (José de Azevedo – O Café da Guia. O Comércio da Póvoa de Varzim, nº.40, (5 Outubro 2011), p. 2)

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