Almada, Cultura

Do amor: Jogos sentimentais num rectângulo amoroso – Almada

Joana Brandão e Manuel Wiborg formam um dos dois casais do texto de Lars Norén, que Solveig Nordlund dirige no TMA, à frente de um elenco que conta ainda com Joana Bárcia, Nuno Nunes e Paulo Guerreiro. Do amor, a mais recente peça do autor sueco, aborda a conjugalidade de forma crua e desencantada, expondo através de uma sucessão de cenas, que funcionam como planos cinematográficos, as acções humanas que ocultamente se encarregam de transformar a paixão amorosa no desamor quotidiano. Do amor, que estreia a 17 de Novembro, estará em cena na Sala Experimental até 4 de Dezembro.

Nesta peça, de cariz acentuadamente autobiográfico, um homem divorcia-se da sua mulher depois de terem tentado ter filhos durante oito anos. Encontra então outra mulher, que decide divorciar-se apesar de acabar de ter sido mãe. Estas personagens chamam-se A, B, C, D, e E, como se isto fosse tudo o que precisássemos de saber sobre elas. Os diálogos são de tal forma realistas que, a dada altura, temos a sensação de não sabermos se estamos numa sala de teatro ou no autocarro em que viajamos todos os dias. Tudo o que estas mulheres e homens dizem é tão cru, tão despido de retórica, que parece directamente saído das nossas vidas.

Solveig Nordlund, cineasta sueca naturalizada portuguesa, fala sobre esta peça:

“Do Amor é o mais recente texto dramático de Lars Norén. Como habitual nas suas peças, é repleta de diálogos mudos. As personagens são pessoas que têm dificuldade em se exprimir e que se encontram em situações tão íntimas que basta uma palavra ou o início de uma frase para que se intua o resto do texto. O verdadeiro sentido está, pois, nas entoações e nos silêncios dos actores, na imaginação e interpretação do espectador”.

Lars Norén

Dramaturgo, romancista e poeta sueco (Estocolmo, 1944), Lars Norén é considerado um dos mais proeminentes dramaturgos contemporâneos. Encenador e director do Teatro de Gotemburgo, Norén escreveu a sua primeira peça aos 19 anos. A sua primeira publicação foi uma colecção de poemas, em 1963. Os seus textos são realistas e giram muitas vezes em torno de relações familiares e dos mais pobres e indefesos da sociedade. Em 1971, o escritor viu a sua carreira reconhecida, recebendo o prémio literário atribuído pelo jornal sueco Aftonbladet. A lista das suas peças é longa, com várias destas já representadas em Portugal, como Demónios (1997), Coragem para matar (1999), Categoria 3.1 / Morire di classe (2001), O caos é vizinho de Deus (2001), Acto (2004), A ronda nocturna (2008) e A noite é mãe do dia, que Solveig Nordlund encenou em 2000.

Artigo AnteriorPróximo Artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *