Cultura, Lousã

Biblioteca lousanense relembra José Maria Cardoso – Lousã

A figura do antigo autarca José Maria Cardoso vai estar em destaque na Biblioteca Municipal Comendador Montenegro – Lousã numa exposição que estará patente entre os dias 3 e 31 de Outubro.

 

A iniciativa resulta de um esforço conjunto da biblioteca lousanense e da Associação de Juristas de Pampilhosa da Serra e surge no âmbito da comemoração do centenário da Constituição da República de 1911, da qual José Maria Cardoso foi um dos pais na medida em que integrou a Assembleia Nacional Constituinte encarregada de criar uma nova lei fundamental após a instauração da República. Para além de coincidir com os 100 anos da primeira constituição republicana, no corrente ano celebram-se igualmente 90 anos sobre a nomeação de José Maria Cardoso para o cargo de Governador Civil de Coimbra e 85 anos sobre a sua primeira eleição para a Câmara Municipal da Lousã.

 

José Maria Cardoso nasceu em 1885 em Fajão, concelho de Pampilhosa da Serra. Fez activa propaganda em vários comícios ao lado dos grandes oradores do Partido Republicano. Em 1911 foi eleito deputado à Assembleia Constituinte de 1911 pelo círculo eleitoral de Arganil e eleito administrador do concelho da Lousã. Obtida a licenciatura em Direito, inicia funções como notário na Figueira da Foz (1916-1919), tendo aqui refundado o jornal “O Figueirense”. No ano de 1919 é nomeado inspector do notariado, cargo que exerce quase durante um quarto de século. É eleito para a Câmara dos Deputados em 1921, desta feita pelo círculo de Braga e integrado nas listas do Partido Liberal. A 30 de Maio é nomeado para o cargo de Governador Civil do Distrito de Coimbra, sendo exonerado a 25 de Outubro, na sequência da revolução de 19 de Outubro.

 

Foi presidente da Câmara Municipal da Lousã entre 1926 e 1929. Para além de político e jornalista, José Maria Cardoso foi igualmente um destacado regionalista e associativista, tendo desempenhado diversos cargos na Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra, no Grupo de Amigos de Olivença, na Casa das Beiras no Ginásio Clube Figueirense e na Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Figueira da Foz.

 

Apesar de não ter nascido no concelho lousanense, aqui deixou a sua marca. No ano de 1916 publica “Energia eléctrica pedido de concessão para a sua distribuição na Vila da Louzã”. Entre 1922 e 1939 foi redactor do jornal lousanense “Alma Nova”. No entanto, em 1909 já colaborava com o jornal “Comércio da Lousã”. Foi vice-presidente do Centro Republicano da Lousã e colaborou na criação da Cantina Correia de Seixas (1930). Mesmo após a sua morte em 1959, a Lousã não esqueceu este seu filho adoptivo, tendo colocado o seu busto junto do Cineteatro em 1972 e atribuído o seu nome a uma das artérias da vila dois anos depois.

 

Na exposição que vai ficar patente no átrio da Biblioteca Municipal da Lousã, para além de recordar a ligação de José Maria Cardoso à 1.ª República e ao concelho lousanense, o visitante poderá conhecer as suas facetas de publicista e de regionalista, a par da forma como a sua figura tem sido recordada nas últimas décadas. A mostra evocativa pode ser visitada durante o horário de funcionamento da biblioteca: de 2.ª a 5.ª feira das 11 às 20 horas, 6.ª feira das 10 às 22 horas e domingos das 14 às 18 horas.

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