Póvoa de Varzim, Sociedade

WindFloat será testado na Póvoa de Varzim

Foi apresentado, esta manhã, no Salão Nobre da Câmara Municipal, o WindFloat, um projecto pioneiro a nível mundial, cuja instalação será realizada ao largo da Póvoa de Varzim e ligado à rede eléctrica em Aguçadoura.

Será testado brevemente em Portugal, no concelho da Póvoa de Varzim, o primeiro protótipo de uma turbina eólica assente numa plataforma flutuante offshore, sendo que o dispositivo estará localizado a uma distância de cerca de seis quilómetros da orla litoral, numa profundidade de cerca de 50 metros.

José Macedo Vieira, Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim, reportou-se ao projecto expressando que “temos a esperança que este seja um modelo rentável, de vanguarda que possa ser um êxito para a economia portuguesa”. Referindo-se à actualidade, o edil constatou que “hoje vivemos, para além de uma crise financeira e económica, uma crise de sustentabilidade dos recursos fósseis e ainda não tivemos a sorte de encontrar quantidades suficientes que garantam um futuro próspero”. “Temos que encontrar coisas nossas”, concluiu.

Conforme informou João Maciel, da EDP Inovação, empresa que lidera o projecto, o dispositivo WindFloat começou a ser construído em Fevereiro de 2010, estando em execução no LISNAVE. A sua implementação divide-se em três fases, sendo que a primeira é de demonstração, ou seja, após a instalação será testada a operacionalidade, haverá uma fase intermédia pré-comercial e, por último, a comercial. A localização do projecto é a mesma do Parque de Ondas de Aguçadoura possibilitando o aproveitamento do cabo submarino de ligação à subestação eléctrica em terra e a própria subestação eléctrica, ambos já existentes.

João Maciel explicou que o aproveitamento da energia eólica no mar, em grandes profundidades, com turbina assente em plataforma flutuante é uma solução inovadora e mais competitiva do que em plataformas fixas, sendo que a partir dos 40 metros de profundidade deixa de ser economicamente viável uma estrutura rígida fixa ao fundo do mar, devido à complexidade do projecto, fabrico e instalação.

Ana Melo, do Centro de Energia das Ondas, esclareceu que o desenvolvimento do WindFloat em Portugal é uma forte aposta na investigação e desenvolvimento nacional. Em águas profundas, como Portugal, a grande expectativa de desenvolvimento é com sistemas flutuantes que se estão a dar os primeiros passos, enquanto em águas pouco profundas com sistemas fixos existe uma década de experiência.

Teresa Simas, também do Centro de Energia das Ondas, apresentou uma perspectiva ambiental da energia eólica offshore e expôs os impactes ambientais do WindFloat. Demonstração da viabilidade da tecnologia, promoção local e nacional e divulgação ambiental e científica foram apontados como impactes positivos do projecto enquanto risco de colisão de aves e de morcegos e exclusão de área de pesca como negativos. Os riscos ambientais (derrame de substâncias poluentes; libertação do dispositivo; afundamento do dispositivo; quebra da torre do aerogerador) também foram identificados e a sua probabilidade de ocorrência é reduzida, informou.

Carlos Martins, da Multisub, empresa que presta serviços de mergulho profissional, explicou o trabalho desenvolvido a nível de instalações offshore, nomeadamente, da plataforma de energia das ondas.

 

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