Cantanhede, Cultura

Cinco espectáculos no âmbito do XIII Ciclo de Teatro Amador – Cantanhede

Seguindo o habitual modelo de organização do Ciclo de Teatro, que prevê o intercâmbio entre os grupos congéneres, realizam-se no próximo fim-de-semana, dias 2 e 3 de Abril, mais cinco espectáculos de grupos de teatro amador do Concelho.

No dia 2 de Abril, sábado, às 21.30 horas o Grupo de Teatro Amador da Tocha leva a palco, no salão da Associação Recreativa e Cultural “1.º de Maio”, um drama em três actos, intitulado A Forja. Da autoria de Alves Redol, a peça de recorte neo-realista retrata a vida de um ferreiro com quem três dos quatro filhos trabalham até ao limite das suas forças, enquanto o mais novo, com apenas 10 anos de idade, ainda anda na escola. Um dos filhos adoece gravemente e fica sem forças para trabalhar na forja com o pai e os irmãos, acabando por falecer.

Na sequência dessa fatalidade, outro dos rapazes também adoece e consegue convencer o irmão mais velho a abandonar a casa para evitar os efeitos da vida dura que o pai os obriga a ter. Vendo-se sozinho na oficina, o pai tenta levar o filho mais novo a trabalhar consigo, mas a mãe opõe-se, o que o leva ao vício da bebida, precipitando o abandono dos dois únicos elementos da família que ainda lhe restavam. 

No mesmo dia e à mesma hora, o Grupo de Teatro Amador da União Recreativa de Cadima volta a apresentar Todo o Mundo e Ninguém e Casa de Doidos, desta vez no salão do Centro Cultural e Recreativo da Pena. Todo o Mundo e Ninguém conta a história de um rico mercador, chamado “Todo o Mundo”, e um homem pobre, cujo nome é “Ninguém”, encontram-se e põem-se a conversar sobre o que desejam para o mundo. Em torno desta conversa, dois demónios (Belzebu e Dinato) tecem comentários espirituosos e fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens. Da autoria de Gil Vicente, a peça foi representada pela primeira vez em 1532, no âmbito da encenação integral do Auto da Lusitânia.

Casa de Doidos, de Aristides Abranches, é uma sátira em torno da infidelidade masculina (de algum modo socialmente tolerada), com muitos mal-entendidos que levam a pensar que se trata de infidelidade feminina (que não é aceite, de modo algum, pela sociedade). Será que no final a verdade se descobre?

Também no sábado às 21.30 horas, o Grupo de Jovens “Estrela que Brilha” de Cordinhã sobe ao palco do salão paroquial de Sanguinheira com Se perguntarem por mim, não estou, uma comédia da autoria de Mário de Carvalho que conta a história de um casal, Alberto e Adelaide, que vive num prédio onde corre o boato que andaria por lá um tigre à solta, o que provoca grande alvoroço e medo em todos os moradores. E o sobressalto é ainda maior quando o porteiro desaparece misteriosamente, levantando a suspeita de que poderá ter sido devorado pela fera. No final o desfecho é de uma imprevisibilidade hilariante.

O Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal” leva a cena nessa mesma noite, pelas 21.30 horas, no salão da Associação Musical da Pocariça, a peça “Flor da Aldeia”. Esta opereta retrata a história de uma rapariga muito bonita que atingiu a maioridade e que é pressionada pela mãe a casar-se com o melhor partido da aldeia, um rapaz oriundo da família mais rica. Por seu lado, o Regedor tem um filho pouco expedito que gostaria de ver casado com a donzela, considerada a autêntica Flor da Aldeia. Enredada nesta teia, a jovem apaixona-se pelo rapaz mais pobre, demonstrando o significado do Amor.

No dia seguinte, 3 de Abril, o Grupo de Teatro S. Pedro apresenta no salão da Junta de Freguesia de Murtede “Viagem de malas feitas”, um drama musical da autoria de Maria Dulce Sancho. Centrado na realidade de uma família que se desestrutura pela falta de atenção aos filhos e principalmente pela futilidade da mãe, “Viagem de malas feitas” tem subjacente a distinção entre o ser e o ter, remetendo para a procura do caminho da verdadeira felicidade. Um desafio à descoberta da essência de cada ser humano que quer encontrar um sentido para a sua existência. 

Grupo Amador de Teatro da Tocha

As origens do Grupo Amador de Teatro da Tocha ninguém as sabe ao certo, e também não existe nenhum documento escrito onde estejam registadas. São os elementos antigos com mais anos de casa que contam, entre as memórias que ainda surgem, os momentos mais marcantes de que há lembrança.

Os ensaios decorriam na antiga sede, localizada na Rua Dr. José Gomes da Cruz. A primeira peça foi levada à cena na década de 60, no antigo Grémio de Instrução e Recreio da Tocha, onde se realizavam os bailes (no actual café Esplanada), mas a continuidade perdeu-se.

É na década de 70, pelas mãos de Júlio Garcia Simão, encenador e antigo funcionário do Rovisco Pais, que o Grupo de Teatro ganha novo alento. Mais tarde é substituído por Américo Guímaro, que levou à cena a peça “A Forja”, também encenada no Festival de Teatro de Montemor-o-Velho. É com ele que se estreia a peça “Frei Thomaz”.

Segue-se novamente um período de interregno, onde apenas se fazem alguns “sketches”, para em 1984 Júlio Campante, de Coimbra, mas casado com a professora da escola primária da Tocha, dar uma nova dinâmica ao Grupo Amador de Teatro, que com ele começou a actuar em palcos um pouco por todo o país.

O bichinho do teatro ficou de vez, e já na sede da Associação Recreativa e Cultural 1.º de Maio da Tocha, “o salão encheu-se um punhado de vezes”. A população aderia aos espectáculos e é com o Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede que a participação no certame se consolida, ficou apenas marcada por um interregno de um ano, em 2003, devido a um vazio de direcção instalado.

O Grupo de Teatro Amador da Tocha já levou a palco diversas peças de diferentes estilos, tais como “A Casa dos Pais”, “Entre Giestas”, “A Mala de Bernardete”, “Serão Homens Amanhã”, “Há Horas Diabólicas”, “As Duas Cartas”, “Uma Sardinha para Três”, “Terra Firme”, “Frei Thomaz”, levada a palco na década de 1970 e que em 2009 voltou a estar em cena, seguida de “Falar Verdade a Mentir”, em 2010. 

Grupo de Teatro Amador da União Recreativa de Cadima

Nasceu por iniciativa da direcção da URC, no ano 2002. Tendo recebido a informação relativa ao II Ciclo de Teatro, promovido pela Câmara Municipal de Cantanhede, esta direcção decidiu contactar/convidar algumas pessoas com anterior experiência de palco, em Cadima. Foram contactadas outras pessoas, que responderam afirmativamente ao desafio – é assim que este Grupo de Teatro renasce, já que até meados da década de oitenta se ia fazendo teatro na colectividade.

Habitualmente, o grupo não recorre a textos próprios. Farsas são o tipo de peça que mais agrada levar à cena. Contudo, e em virtude das dificuldades em encontrar peças deste cariz, cujo conteúdo agrade aos elementos do grupo, temos representado vários dramas e pequenas comédias. É essencial que o texto transmita uma mensagem.

Em 2008, pela dificuldade já mencionada em encontrar peças, o grupo decidiu não integrar o ciclo, mas não deixou de receber um dos grupos que estava nele inserido. No mesmo ano, e para não “adormecer” a actividade, fez uma “soirée” com declamação e teatralização de vários textos em prosa e poesia.

Para além das actuações do ciclo, o grupo tem tido convites de colectividades do concelho e fora deste, nomeadamente Cordinhã, Caniceira e Canelas – Vila Nova de Gaia, com as quais tem partilhado enriquecedoras experiências, contributos relevantes para a própria dinâmica que o grupo tem assumido.

No ano 2006 um grupo de teatro da Escola Pedro Teixeira, com autorização da Câmara Municipal de Cantanhede, acompanhou o grupo nas suas actuações com uma peça da sua autoria.

Outros convites houve que ficaram sem uma resposta afirmativa do Grupo de Teatro Amador da União Recreativa de Cadima, por dificuldades e ocupações inerentes às actividades profissionais de alguns elementos. 

Sobre o Grupo de Jovens “Estrela que Brilha”

A ideia de formar uma associação composta apenas por jovens de Cordinhã surgiu em Dezembro de 2000, numa conversa de café entre alguns indivíduos da localidade, designadamente Pedro Ribeiro, João Grilo e João Pascoal.

A intenção era formar um agrupamento com as mesmas características do extinto Grupo de Jovens Estrela D´Alva a que tiveram oportunidade de pertencer Pedro Ribeiro e João Pascoal. Essa associação foi constituída por aquela que é considerada “geração de ouro” de Cordinhã a que pertenceram nomes como Adérito Machado, Branca Oliveira, Luís Fernandes, Helena Santos, Dora Ferreira, Paulo Sá, Pedro Carrana, Dora Dinis, Nuno Dinis, Fernando Gomes, Nuno Fernandes, Gina Serafim, Fernando Oliveira, Ana Lúcia Bastos, Vítor Machado, Carlos Machado, Marta Grilo, Sara Grilo, Idálio Ventura, Paulo Oliveira, Rui Ventura, Helena Cadima, Natália Nogueira, entre outros.

A vontade e determinação de dar continuidade ao trabalho executado pelo antigo Grupo de Jovens “Estrela D’Alva” foi tal que o grupo de três jovens dinamizadores conseguiu reunir, logo na sua primeira reunião, de carácter meramente informal, um conjunto de 40 jovens, todos pertencentes à freguesia.

Era intenção destes impulsionadores do novo grupo que se estava a constituir proporcionar um momento de encontro e partilha de ideias para a população local, aos sábados à noite e, ao mesmo tempo, promover eventos lúdicos e recreativos à freguesia.

Em 2001, após a eleição de Adérito Machado como Presidente da Junta de Freguesia de Cordinhã, o executivo da autarquia cedeu um espaço para que os elementos desta associação se pudessem reunir e atribuiu um apoio financeiro para o seu primeiro evento, juntamente com o valor angariado por estes elementos relativo à limpeza das valetas da freguesia. Realiza-se então, na Sexta-feira Santa desse ano, uma Via-Sacra pelas ruas da freguesia, o primeiro evento desta associação.

Desde então, a associação tem participado em diversas iniciativas, designadamente na Noite de Tunas, no Ciclo de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede, nas Tasquinhas da Expofacic, no Festival Internacional de Dixieland, na Feira do Vinho e da Gastronomia de Cordinhã, nos desfiles alegóricos do feriado municipal de Cantanhede e nos Festivais de Sopas de Cordinhã onde foi várias vezes campeã, com a famosa “sopa Aporcalhada”, entre muitas outras actividades.

Em relação às peças de teatro que leva a palco no Ciclo de Teatro Amador, o Grupo de Jovens “Estrela que Brilha” tem a preocupação de alternar anualmente entre a apresentação de dramas, comédias ou revistas, de forma a quebrar a rotina. Os autores escolhidos, seguindo a mesma linha de orientação, variam entre criadores da terra, como de autores sobejamente conhecidos.

Em 2006, foi cedida uma sala no edifício da Junta de Freguesia, que passou a ser a sede desta associação, tornando-se assim a segunda casa de todos os elementos desta colectividade. 

Grupo de Teatro “As Fontes” do Zambujal

O Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal” foi constituído há 14 anos e é composto actualmente por cerca de 12 elementos, maioritariamente das localidades de Zambujal e Fornos. A sua designação é uma referência às quatro fontes de origem romana que existiram no Zambujal, designadamente Fonte de Rodelos, Fonte Má, Fonte Perto e Fonte Seca.

As raízes desta formação teatral podem ser encontradas em 1954, mais precisamente em 27 de Maio, data em que foi fundado um agrupamento com o nome “Viva O. R. Zal” (Viva o Rancho do Zambujal). A iniciativa partiu de alguns indivíduos da comunidade que pretendiam desenvolver actividades de lazer para preencher os seus tempos livres, assim como manter vivas a tradição e a autenticidade dos trajes danças e cantares do Zambujal.

Depois de uma interrupção de alguns anos, o Grupo retomou o seu funcionamento em 1992, sob a nova designação de Grupo Folclórico “Os Malmequeres do Zambujal”. Em Julho de 1995, passou a integrar a Associação Juvenil do Zambujal e Fornos, mais precisamente a sua secção de folclore e em 1996 filiou-se no INATEL.

É nessa mesma altura que surge o Grupo de Teatro “As Fontes do Zambujal” que inicia um trabalho de produção teatral regular apresentando uma a duas peças anualmente, por altura da quadra natalícia e participando no Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, desde a sua primeira edição.

Em 1998, faz a sua primeira apresentação fora da terra, mais precisamente nas Franciscas, no âmbito do I Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, com as peças “Falar a Verdade a Mentir” e “O Senhor”. No ano seguinte faz um périplo por varias localidades do Concelho de Cantanhede com as produções “O Céu da Minha Rua” e “Terra Firme”.

A peça que ensaiou e apresentou de seguida, no Natal de 2000, a comédia em três actos “Dois maridos em apuros”, constituiu-se como um grande sucesso perante o público, sendo apresentada igualmente no Ciclo de Teatro de Cantanhede do ano seguinte. Em Dezembro de 2001 esta formação teatral apresentou a comédia “O Padre Piedade”, que também apresentou no Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, em 2002.

Nos anos seguintes levou à cena as peças “A Carta Anónima”, em 2003, a comédia “O processo de Mário Dâmaso”, em 2004, o drama “As Rosas de Nossa Senhora”, em 2005 e, em 2006, a comédia “Mendonça & Mendonça”.

Desde o início da sua actividade que cabe a Dinis Fatia, actualmente Presidente da Assembleia-Geral e Coordenador do Grupo de Teatro, escolher as peças a serem apresentadas, bem como distribuir os diferentes papéis pelos actores, atendendo sempre às características e capacidades de cada um. É também o autor dos cenários, passando largas horas a pintar as imagens que servirão de fundo à actuação dos actores e cede, na sua própria casa, o espaço para os ensaios.

Em breve, quando a sede da colectividade for edificada (o terreno já foi adquirido e o projecto elaborado), será nesse espaço que as peças terão a sua preparação e subsequente ensaio. Será também aí que os cenários serão elaborados e onde terão lugar as apresentações ao público. 
 

Grupo de Teatro de S. Pedro

O grupo de Teatro S. Pedro de Cantanhede nasceu em 2006 quando se preparava a inauguração do Centro Social e Paroquial S. Pedro, em Cantanhede. A iniciativa foi de um grupo de cristãos, elementos do Grupo Coral Litúrgico de Cantanhede, que quiseram ajudar a equipar um espaço que estava pronto a usar.

Assim, como todos gostavam de cantar, integraram alguns elementos ligados ao Grupo Coral de Jovens de Cantanhede e também algumas crianças e prepararam um espectáculo musical – “Festa na Aldeia” – que fez a sua estreia no referido Centro, uma semana após a sua inauguração. Foi com este primeiro espectáculo que o Grupo participa pela primeira vez no Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede, em 2007, uma participação que tem sido constante desde então.

Integra cerca de 25 adultos, entre os quais alguns muito jovens, e oito crianças, que na sua maioria nunca tinham pisado um palco. O elemento mais novo tem 6 anos e a mais velha mais de 80.

De referir que a actividade do grupo se centra no teatro numa procura constante por mais formação, nomeadamente a promovida pela Câmara Municipal. 
 

NOTA: Devido a um imprevisto de saúde de um elemento do Rancho Regional «Os Esticadinhos de Cantanhede», o Grupo de Teatro Amador desta entidade, viu-se obrigada a cancelar o espectáculo previsto para este fim-de-semana.

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