Lamego, Sociedade

Francisco Lopes pede novo tipo de internamento para o Hospital de Proximidade de Lamego

O Presidente da Câmara Municipal de Lamego, Francisco Lopes, voltou a apontar algumas fragilidades ao modelo do novo hospital que está a ser construído na cidade, nomeadamente a “incapacidade de garantir uma resposta suficiente para os doentes agudos” e, por esta razão, avisou que ficará atento à eventual necessidade de vir a ser repensado o tipo de internamento, uma vez que está prevista uma unidade de cuidados continuados de convalescença com capacidade para apenas 30 camas. Este alerta foi deixado durante a visita que efectuou, na companhia dos eleitos da Assembleia Municipal de Lamego, a 22 de Março último, às obras de construção do novo equipamento.

Segundo o Ministério da Saúde, o novo Hospital de Lamego será o primeiro edifício hospitalar de proximidade do país a privilegiar a componente de ambulatório com o objectivo de reduzir o impacto do internamento na vida dos doentes e das suas famílias. Francisco Lopes avisa, no entanto, que a população tem tido “alguma dificuldade” em compreender o conceito que está aqui a ser implementado, sobretudo “quando noutros hospitais similares, nomeadamente em Amarante, a questão do internamento foi repensada”. E deixa uma pergunta ao Governo: “Se este modelo hospitalar é assim tão bom, porque é que ainda não foi desenvolvido em mais nenhuma unidade de saúde do país?”.

Durante a visita realizada ao local das obras, José Carrapatoso, primeiro secretário da Assembleia Municipal, recordou que o modelo adoptado responde a um conceito de proximidade, mas “não responde a uma população de mais de 80 mil pessoas, facto agravado pela ausência de transportes colectivos de passageiros, entre todo o Douro Sul e Vila Real”. Este autarca lembra que o hospital actual mantém uma taxa de ocupação superior a 100 por cento nas 45 camas que dispõe e que, por esta razão, “as 30 camas não serão suficientes. Não se concebe um hospital na verdadeira acepção do termo sem um serviço de medicina interna para doentes agudos”. A ausência de resposta para este tipo de doentes, cuja abrangência passará para Vila Real, é também apontada por Francisco Lopes como uma grande lacuna: “Não deixaremos de continuar a acompanhar a eventual necessidade de este hospital vir a incluir uma unidade de internamento, que não será mais do que afectar de forma diferente as camas que já estarão neste mesmo local”.

No início do processo de construção do Hospital de Proximidade de Lamego, a Câmara Municipal propôs o aproveitamento das instalações onde funciona o actual hospital, propriedade da Santa Casa da Misericórdia, para o acolhimento de uma unidade de cuidados continuados apta a servir os utentes da região do Douro Sul.

Com um investimento estimado em cerca de 42 milhões de euros, a nova infra-estrutura será integrada no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro, EPE, o que implicará a articulação em rede de várias unidades de saúde. Após a sua entrada em funcionamento, está previsto que cerca de 60 mil consultas por ano serão feitas no Serviço de Urgência Básico e cerca de 6 mil doentes serão atendidos todos os anos na unidade de dia e no serviço domiciliário, naquela que será uma das grandes apostas de um hospital de proximidade.

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