Cantanhede, Cultura

Quatro espectáculos no âmbito do XIII Ciclo de Teatro Amador em Cantanhede

Seguindo o habitual modelo de organização do Ciclo de Teatro, que prevê o intercâmbio entre os grupos congéneres, realizam-se no próximo fim-de-semana, sempre pelas 21.30 horas, mais quatro espectáculos de grupos de teatro amador do Concelho.

O Grupo de Teatro “Renascer” da Sanguinheira actua no Salão Paroquial da sua freguesia onde apresenta novamente as comédias Ensaio Geral e Conselho de Ministros na província, ambas de autores desconhecidos. A primeira peça recria o ambiente de um ensaio geral, em que os actores demonstram não estar minimamente preparados, os nervos sobrepõem-se à serenidade necessária para a representação e as trapalhadas sucedem-se. A última retrata uma deslocação do Conselho de Ministros à província, onde é confrontado com perguntas incómodas e perturbadoras da parte alguns populares. Perante tão inquietantes interpelações os mais altos representantes do Governo Nacional adoptam a mesma receita de sempre: promessas e mais promessas.

A actuação deste dia coincide com o 30.º aniversário da colectividade e será  precedida de um jantar-convívio e da apresentação de um livro editado para assinalar a efeméride.

Por sua vez, o Grupo de Teatro do Pedra Rija de Portunhos desloca-se à sede do Clube União Vilanovense para apresentar Ai os Preços!, comédia adaptada da sátira Os Preços, da autoria de Jaime Salazar Sampaio. O enredo desenvolve-se em torno de um indivíduo que, vivendo atormentado por ver os preços a subir constantemente, recorre a médicos, advogados e até bruxos no sentido de obter um atestado de maluco “…p’ra governar a vida”. Mas o diagnóstico não é exactamente aquele que estava à espera.

O Grupo de Teatro Amador da Tocha leva a palco, na sede do Rancho Regional “Os Esticadinhos” de Cantanhede, um drama em três actos, intitulada A Forja. Da autoria de Alves Redol, a peça de recorte neo-realista retrata a vida de um ferreiro com quem três dos quatro filhos trabalham até ao limite das suas forças, enquanto o mais novo, com apenas 10 anos de idade, ainda anda na escola.

Um dos filhos adoece gravemente e fica sem forças para trabalhar na forja com o pai e os irmãos, acabando por falecer.

Na sequência dessa fatalidade, outro dos rapazes também adoece e consegue convencer o irmão mais velho a abandonar a casa para evitar os efeitos da vida dura que o pai os obriga a ter.

Vendo-se sozinho na oficina, o pai tenta levar o filho mais novo a trabalhar consigo, mas a mãe opõe-se, o que o leva ao vício da bebida, precipitando o abandono dos dois únicos elementos da família que ainda lhe restavam.

Todo o Mundo e Ninguém e Casa de Doidos são as peças que o Grupo de Teatro Amador da União Recreativa de Cadima preparou para esta edição do Ciclo de Teatro e que serão apresentadas no Salão da Junta de Freguesia de Cadima. Todo o Mundo e Ninguém conta a história de um rico mercador, chamado “Todo o Mundo”, e um homem pobre, cujo nome é “Ninguém”, encontram-se e põem-se a conversar sobre o que desejam para o mundo. Em torno desta conversa, dois demónios (Belzebu e Dinato) tecem comentários espirituosos e fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens.

Da autoria de Gil Vicente, a peça foi representada pela primeira vez em 1532, no âmbito da encenação integral do Auto da Lusitânia.

Casa de Doidos, de Aristides Abranches, é uma sátira em torno da infidelidade masculina (de algum modo socialmente tolerada), com muitos mal-entendidos que levam a pensar que se trata de infidelidade feminina (que não é aceite, de modo algum, pela sociedade). Será que no final a verdade se descobre?

Sobre o Grupo de Teatro Renascer Sanguinheira

O Grupo de Teatro da Sanguinheira, actualmente uma secção do Centro Social de Recreio e Cultura da Sanguinheira (C.S.R.C.S.), é a associação com actividade cultural (organizada) mais antiga da Freguesia da Sanguinheira, estreando-se ao público pela primeira vez em 26 de Março de 1981.

O Grupo surgiu da vontade de um conjunto de jovens representar teatro amador. Iniciou a sua actividade nessa altura para não mais cessar e levar continuamente a palco, todos os anos, peças de autores consagrados, como também algumas escritas por elementos ligados ao grupo, tanto da Sanguinheira como de outras localidades.

Para além das peças de teatro, que apresentou publicamente durante quase 30 anos, os elementos do grupo também participaram em várias edições da Feira Medieval de Coimbra, como figurantes, e entre os seus associados encontramos os fundadores da primeira associação da Freguesia da Sanguinheira (C.S.R.C.S.).

Sobre o Grupo de Teatro do “Pedra Rija” de Portunhos

O teatro em Portunhos terá tido alguma expressão há cerca de cinco décadas, por dinamização do pároco local à altura, Padre Ramiro Moreira. As actividades tinham lugar num espaço cedido por Antónia Moreira, sobrinha do Conselheiro Ferreira Freire.

Entretanto, com a constituição da Fundação Ferreira Freire e a chegada a Portunhos de animadoras sociais, foram dinamizadas diversas actividades culturais e recreativas, como é o caso de algumas récitas, com canções e pequenos “sketches”, realizadas no referido espaço.

Com a construção de um novo salão pela Fundação Ferreira Freire, a Associação Cultural Desportiva e Recreativa “Pedra Rija de Portunhos”, fundada em 1978, passou a levar a cabo algumas actividades nesse local. Entre elas, destaca-se a recepção a alguns grupos de teatro e a promoção e ensaio de um espectáculo de variedades com artistas e músicos de Portunhos, Pena, Outil, Ançã e Cantanhede, que teve a sua estreia na passagem de ano 1982/83, seguindo-se a sua apresentação noutras localidades.

Esta experiência deu origem ao Grupo de Teatro do Pedra Rija, que levou à cena o drama, em três actos, “Justiça ou vingança” de Gabriel da Frada a que se seguiram as peças “A flor de aldeia” (opereta), “O doente imaginário” (Moliére), “Almas do outro mundo” (comédia em dois actos), “O Mar” (Miguel Torga), “Na boca do lobo” (comédia), para além de outras pequenas peças.

Já em 1993 foi preparado o texto “O passageiro do expresso” de José  Rodrigues Miguéis, mas devido a dificuldades relacionadas com as obrigações profissionais e académicas dos actores, o Grupo foi obrigado a parar a sua actividade.

Com a realização dos Ciclos de Teatro Amador do Concelho de Cantanhede foi reiniciada a sua actividade em 2004, com a apresentação, em 2005, da peça “De um caso…virá um dia, virá…”, a partir dos textos “O meu caso”, de José Régio, e “Virá um dia, virá…”  de António Cabral. Seguiram-se as peças “Na Barca de Mestre Gil”  (Gil Vicente) de Jaime Gralheiro, “O Doido e a Morte” de Raul Brandão, “Temos tempo Matilde” de António Cabral, “A Revolta da Maria da Fonte” de Dino de Sousa e “Leandro, Rei de Helíria” de Alice Vieira.

O Grupo de Teatro do “Pedra Rija” de Portunhos participou no “Ciclo de Teatro da Primavera” do INATEL de 2009, actuando em Casal de S. João (Arganil) e Lavos (Figueira da Foz), e apresentou também o mesmo espectáculo na E.B. 2,3 de Cantanhede e em Enxofães, para além de Portunhos, Pena e Cordinhã.

No ano passado apresentou uma peça a que deu o nome de “História com reis, curandeiros e outros que tais…” e que resultou de uma adaptação de dois textos –  “História com reis…”, de Manuel António Pina, e o “Auto do Curandeiro” de António Aleixo – a que juntou algumas poesias e canções (adaptadas), como a “Criação do mundo” de Vinícius de Moraes, ou os “Vampiros” de Zeca Afonso.

Grupo Amador de Teatro da Tocha

As origens do Grupo Amador de Teatro da Tocha ninguém as sabe ao certo, e também não existe nenhum documento escrito onde estejam registadas. São os elementos antigos com mais anos de casa que contam, entre as memórias que ainda surgem, os momentos mais marcantes de que há lembrança.

Os ensaios decorriam na antiga sede, localizada na Rua Dr. José Gomes da Cruz. A primeira peça foi levada à cena na década de 60, no antigo Grémio de Instrução e Recreio da Tocha, onde se realizavam os bailes (no actual café Esplanada), mas a continuidade perdeu-se.

É na década de 70, pelas mãos de Júlio Garcia Simão, encenador e antigo funcionário do Rovisco Pais, que o Grupo de Teatro ganha novo alento. Mais tarde é substituído por Américo Guímaro, que levou à cena a peça “A Forja”, também encenada no Festival de Teatro de Montemor-o-Velho. É com ele que se estreia a peça “Frei Thomaz”.

Segue-se novamente um período de interregno, onde apenas se fazem alguns “sketches”, para em 1984 Júlio Campante, de Coimbra, mas casado com a professora da escola primária da Tocha, dar uma nova dinâmica ao Grupo Amador de Teatro, que com ele começou a actuar em palcos um pouco por todo o país.

O bichinho do teatro ficou de vez, e já na sede da Associação Recreativa e Cultural 1.º de Maio da Tocha, “o salão encheu-se um punhado de vezes”. A população aderia aos espectáculos e é com o Ciclo de Teatro Amador de Cantanhede que a participação no certame se consolida, ficou apenas marcada por um interregno de um ano, em 2003, devido a um vazio de direcção instalado.

O Grupo de Teatro Amador da Tocha já levou a palco diversas peças de diferentes estilos, tais como “A Casa dos Pais”, “Entre Giestas”, “A Mala de Bernardete”, “Serão Homens Amanhã”, “Há Horas Diabólicas”, “As Duas Cartas”, “Uma Sardinha para Três”, “Terra Firme”, “Frei Thomaz”, levada a palco na década de 1970 e que em 2009 voltou a estar em cena, seguida de “Falar Verdade a Mentir”, em 2010.

Grupo de Teatro Amador da União Recreativa de Cadima

Nasceu por iniciativa da direcção da URC, no ano 2002. Tendo recebido a informação relativa ao II Ciclo de Teatro, promovido pela Câmara Municipal de Cantanhede, esta direcção decidiu contactar/convidar algumas pessoas com anterior experiência de palco, em Cadima. Foram contactadas outras pessoas, que responderam afirmativamente ao desafio – é assim que este Grupo de Teatro renasce, já que até meados da década de oitenta se ia fazendo teatro na colectividade.

Habitualmente, o grupo não recorre a textos próprios. Farsas são o tipo de peça que mais agrada levar à cena. Contudo, e em virtude das dificuldades em encontrar peças deste cariz, cujo conteúdo agrade aos elementos do grupo, temos representado vários dramas e pequenas comédias. É  essencial que o texto transmita uma mensagem.

Em 2008, pela dificuldade já mencionada em encontrar peças, o grupo decidiu não integrar o ciclo, mas não deixou de receber um dos grupos que estava nele inserido. No mesmo ano, e para não “adormecer” a actividade, fez uma “soirée” com declamação e teatralização de vários textos em prosa e poesia.

Para além das actuações do ciclo, o grupo tem tido convites de colectividades do concelho e fora deste, nomeadamente Cordinhã, Caniceira e Canelas – Vila Nova de Gaia, com as quais tem partilhado enriquecedoras experiências, contributos relevantes para a própria dinâmica que o grupo tem assumido.

No ano 2006 um grupo de teatro da Escola Pedro Teixeira, com autorização da Câmara Municipal de Cantanhede, acompanhou o grupo nas suas actuações com uma peça da sua autoria.

Outros convites houve que ficaram sem uma resposta afirmativa do Grupo de Teatro Amador da União Recreativa de Cadima, por dificuldades e ocupações inerentes às actividades profissionais de alguns elementos.

Artigo AnteriorPróximo Artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *