Cultura, Santa Maria da Feira

Museu do Papel dá a conhecer a “Botadeira”– Santa Maria da Feira

Nos dias 5, 12, 19 e 26 de Fevereiro, o Museu do Papel Terras de Santa Maria, em Paços de Brandão – Santa Maria da Feira, dá a conhecer a profissão de “Botadeira”, no âmbito do projecto “Conhecer o Papel”.

Durante duas horas, das 15h00 às 17h00, o visitante terá a oportunidade de conhecer a forma como o papel, ainda verde, era colocado a secar, no espande, pelas mãos das “Botadeiras”, podendo mesmo experimentar algumas dessas vivências.

O trabalho feminino nos antigos moinhos e fábricas de papel era determinante e de grande violência física. A mulher tinha a função de escolher a matéria-prima, de colocar o papel a secar, e de escolher e de embalar o papel, na fase final de acabamento.

Pela estatística industrial de 1845, de1852-53 e de 1867, é possível constatar o significativo aumento no uso de mão-de-obra feminina, em meados do século XIX. Era compensatório empregar mulheres, face à diferença salários usufruídos pelos homens, mesmo quando menores de 16 anos, ou seja, ainda aprendizes. Enquanto um operário ganhava entre 200 a 220 réis, uma mulher ganhava somente entre 80 a 100 réis, pelo mesmo horário de trabalho.

O recurso a mão-de-obra feminina, na produção de papel, é já referido no final do século XVIII, na célebre Memoria sobre o Papel, escrita por Estevão Cabral, ao indicar alguns princípios para minimizar os altos custos de mão-de-obra na “arte de fazer papel”. Assim, e no que diz respeito à secagem do papel, o autor questiona: (…) qual a necessidade há de occupar homens a dous tostões por dia, se por muito menor salario desejarão empregar-se neste leve officio as raparigas cantando?

Projecto de investigação

“Conhecer o Papel” é um projecto plurianual de investigação, iniciado em 2010, sobre um conjunto de questões referenciais da História do Papel em Portugal e simultânea divulgação junto do público, a partir do destaque mensal de determinada máquina, peça, qualidade de papel ou mesmo funções específicas dos operários ou operárias do processo manufactureiro e industrial do papel.

Proporcionando um conhecimento mais profundo sobre estas quatro vertentes, criam-se condições para o estudo e divulgação de uma parte do acervo do museu que, não estando integrado na exposição permanente, constitui uma ponte importante para o conhecimento de antigas fábricas de papel de diferentes zonas geográficas do país, cobrindo um período cronológico de três séculos de história desta indústria.

A peça (máquina, profissão ou tipo de papel) em destaque cada mês é mostrada na área de acolhimento aos visitantes ou num momento próprio do percurso expositivo. Para cada uma destas vertentes é composta uma ficha informativa, versando aspectos técnicos e históricos resultantes da investigação produzida.

Mais informações através do telefone 22 744 29 47 ou e-mail investigacao@museudopapel.org.

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