Cultura, Santo Tirso

O Homem no seu limite mais básico – Santo Tirso

«O Escurial»  é uma peça de teatro que retrata o homem no seu limite mais básico; um Rei refém da sua loucura e um Bobo escravizado à sua condição de plebeu. Mas o autor, Michel de Ghelderode, vai mais longe e inverte os papéis. Se por um capricho da vontade (do Rei), o bufão ascende à cadeira do poder, confundir-se-á ele com a figura do opressor?… Na sexta-feira, dia 21 de Janeiro, às 21h30, o Centro Cultural de Vila das Aves abre as portas para apresentação da peça “O Escurial”.  

Promovida pela Câmara Municipal de Santo Tirso com entrada livre, a peça cuja encenação e interpretação são de Flávio Hamilton, Pedro Carvalho e Valdemar Santos, sobe ao palco do Centro Cultural de Vila das Aves. «O Escurial» é uma peça de Michel de Ghelderode e produção do Teatro Art’Imagem. 

Num espectáculo cuja maior aposta recai no trabalho de actor, importa também referir a concepção cénica alicerçada na ideia transmitida pelo próprio Rei, ou seja, «para ser qualquer coisa bastará um simples adereço». Desta forma, e a partir dos desperdícios do quotidiano, se faz o palácio, se vestem as personagens e se utilizam armas de tortura.  

SINOPSE

Um rei vagueia solitário na sua própria loucura e diverte-se com ela. Num espaço muito próximo, a rainha agoniza no leito de morte, envenenada, assassinada no seu próprio palácio. Um monge prepara-se para as honras fúnebres, observando de perto a clepsidra do expirar de mais uma alma. Nos bastidores deste terror, um bobo, tratador de cães, obriga-se, por dever, divertir o rei nos jogos que este mesmo cria, para conforto do seu sadismo e crueldade. Tudo se passa nos últimos momentos de vida da rainha… 

Michel de Ghelderode é um escritor belga nascido a 3 de Abril de 1898 no seio de uma família de origem flamenga. Com pseudónimo de Adhemar Martens, é autor de vários sucessos teatrais, entre os quais se contam as obras «Os cegos», «O estranho e o cavaleiro», «Escola de bufões», «Barbarás» e «Christophe Colomb», entre outras. Recuperando as origens do teatro vivo e popular – e explorando sempre a condição humana -, Michel de Ghelderode substitui a ‘psicologia’ pelos elementos visuais e gestuais, atribuindo aos objectos e ao cenário valores simbólicos. «Para mim, o teatro é um jogo do instinto. O autor dramático, não deve viver senão de visão e de adivinhação. A inteligência é secundária», afirmou o autor.  

Fundado em 20 de Agosto de 1981, o Teatro Art’Imagem, com sede no Porto, integra actualmente três gerações de profissionais. Um novo autor contemporâneo, a revisitação de um clássico e a adaptação de um grande autor da literatura universal para jovens são os vértices da criação artística do Teatro Art’Imagem, que estreia por ano três espectáculos, com recurso a diversas disciplinas teatrais. Os seus espectáculos têm temporada no Porto e na Maia e são levados a todo o território nacional, com uma média de 120 representações/ano e participações em vários festivais de teatro, dentro e fora do país. O grupo organiza ainda, deste 1982, o «Fazer a Festa» – Festival Internacional de Teatro e desde 1994 o Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia, onde recebe os melhores espectáculos deste género de Portugal, Espanha e do resto da Europa, América, África e Oceânia.

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