Cultura, Reguengos de Monsaraz

Cendrev apresenta em Monsaraz “O Auto da Criação do Mundo” pelos Bonecos de Santo Aleixo

O Cendrev – Centro Dramático de Évora vai apresentar um espectáculo com os Bonecos de Santo Aleixo no sábado, dia 15 de Janeiro, pelas 21h, na Igreja de Santiago, em Monsaraz. Nesta iniciativa do Município de Reguengos de Monsaraz, com entrada gratuita, os famosos títeres vão interpretar “O Auto da Criação do Mundo”, uma obra teatral popular que nos remete para uma tradição que se terá difundido de forma oral. 

Os Bonecos de Santo Aleixo são títeres de varão manipulados por cima, à semelhança das grandes marionetas do sul de Itália e do norte da Europa, mas de pequeno tamanho, entre 20 e 40 centímetros. Neste espectáculo na vila medieval de Monsaraz vão ser manipulados pelos actores Ana Meira, Gil Salgueiro Nave, Isabel Bilou, José Russo e Vitor Zambujo, com acompanhamento musical de Gil Salgueiro Nave. 

De acordo com o Cendrev, estas marionetas são feitas de madeira e cortiça, vestidas com um guarda-roupa que permite, como no teatro naturalista, identificar as personagens da fábula contada. O essencial dos meios utilizados é composto por um lugar de representação chamado “retábulo”, construído em madeira e tecido florido, reproduzindo um palco tradicional em miniatura, com pano de boca, cenários pintados e iluminado com candeias de azeite. Possui uma rede dupla de cordéis, colocada verticalmente entre os bonecos e o público.  

Os manipuladores estão ocultos por panos de chita. A música, guitarra portuguesa e cantigas, é interpretada ao vivo e os textos, transmitidos oralmente, resultam de uma fusão entre a cultura popular e uma escrita erudita. O repertório consiste em peças de tradição secular, de teor basicamente religioso, para além de outras, cujos textos pertencem, em geral, à chamada literatura de cordel. A representação inicia-se sempre com o Baile dos Anjinhos ou Contradança. As figuras carismáticas são o Padre Chanca e o Mestre-Salas, que, por tradição, tem uma moca, com a qual castiga ou abraça o Padre, enquanto este prega. 

O inicio da história dos Bonecos de Santo Aleixo aponta para o século XIX. Já no século XX, o estojo de bonecos e textos tradicionais, que eram apenas transmitidos via oral, chegou às mãos de Manuel Jaleca através da sua mulher que os recebeu dos seus antepassados. Manuel Jaleca, que manteve o espectáculo durante algumas décadas, conheceu entretanto António Talhinhas, camponês dotado de enorme poder de improvisação e cantador, que veio a imprimir grande dinâmica à companhia, acabando por comprar todo o espólio.  

Em 1978, os Bonecos de Santo Aleixo foram adquiridos ao Mestre Talhinhas pela Assembleia Distrital de Évora e a recolha do repertório iniciou-se em 1980 com os ensaios de manipulação e elocução dirigidos pelo Mestre. O trabalho ficou concluído em 1994 com a recolha de todos os textos tradicionais que a memória de Mestre Talhinhas conservou. Actualmente, os bonecos são manipulados por actores profissionais que garantem a permanência do espectáculo e asseguram a continuidade desta expressão artística alentejana, levando os títeres a certames internacionais em todo o mundo.

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