Guimarães, Sociedade

Comemorações do 1º de Dezembro de 1640 em Guimarães

 comemoração da Restauração da Independência de Portugal, de 1640, constitui, desde há largos anos, uma efeméride historicamente relevante que o Grupo Cultural e Recreativo “Os Vinte Arautos de D. Afonso Henriques” tradicionalmente assinala.

Mais recentemente, aquela Associação abordou a Autarquia no sentido de estabelecer uma parceria através da qual se pudessem optimizar alguns aspectos relacionados com a organização e a logística associadas ao programa, pelo que, nessa conformidade, a Câmara Municipal de Guimarães, reconhecendo a relevância da data e a importância de manter a sua comemoração, mantendo uma tradição já muito popular, passou a organizá-la conjuntamente com “Os Vinte Arautos de D. Afonso Henriques”. 

Em 2011 as Comemorações terão o seguinte

 
Programa: 
 
26, Sexta, 21h30  
Orquestra do Norte  

Programa 

Piotr Llich Tchaikovsky  

Concerto para violino e Orquestra em Ré Maior

. Allegro moderato

. Canzonetta

. finale: Allegro vivacissimo 

Ludwing van Beethoven

Sinfonia nº 3 em mi bemol maior, Op.55 “Heróica”

. Allegro com brio

. Marcha fúnebre:Adagio assai em dó menor

. Scherzo:Allegro vivace

– Finale: Allegro molto

 
Paço dos Duques de Bragança 
 

30, Terça, 22h30  
Hastear das bandeiras sede do Grupo Cultural e Recreativa “Os Vinte Arautos de D. Afonso Henriques”; 
 
22h45 – Início do desfile pelas ruas da cidade, percorrendo, fundamentalmente, as principais artérias do Centro Histórico, onde irá sendo cantado o Hino da Restauração, para que o final decorra por volta das 24h00.  
 
Percurso:  
– Rua Gravador Molarinho (Sede dos “20 Arautos”);  
– Rua da Rainha D. Maria II  
– Rua Alfredo Guimarães;  
– Rua Egas Moniz;  
– Largo Condessa do Juncal;  
– Rua da Arrochela;  
– Largo João Franco;  
– Rua Vale de Donas;  
– Largo dos Laranjais;  
– Rua das Trinas;  
– Largo do Carmo;  
– Rua Conde D. Henrique (Estátua D. Afonso Henriques) – Actuação do Grupo Coral de Pevidém  
– Largo do Carmo;  
– Rua de Santa Maria;  
– Travessa D. Aninhas; 
– Praça de S. Tiago;  
– Rua Gravador Molarinho (Sede do Grupo Cultural e Recreativo “ Os Vinte Arautos de D. Afonso Henriques”);  
 
Entidades Organizadoras:  
– Câmara Municipal de Guimarães  
– Grupo Cultural e Recreativo “ Os Vinte Arautos de D. Afonso Henriques”  
 

A Restauração

“Assim se designa tradicionalmente o movimento histórico que restituiu Portugal à plena autonomia a partir de 1 de Dezembro de 1640, usurpada sessenta anos antes pela Espanha centralista e imperialista de Felipe II. Em 1580, deixada a Nação em crise sucessória pela morte de D. Sebastião em Alcácer Quibir e pelo remate da sucessão precária do Cardeal D. Henrique, o monarca espanhol impôs pela força das armas os seus pretendidos direitos à coroa portuguesa, em detrimento dos demais candidatos ao trono. É certo que nas Cortes de Tomar, em 1581, Filipe II jurou manter todas as prerrogativas de autonomia de Portugal como Estado e Nação, ligando o reino de que se apossara à coroa espanhola num regime de monarquia dual, por união dinástica. Mas as promessas juradas foram sucessivamente traídas, ainda no reinado do soberano que as firmara, agravando-se nos reinados seguintes e acumulando-se razões de queixa que propiciaram o movimento “restaurador”: violações de privilégios tradicionais, empobrecimento geral, arrastamento de Portugal para as lutas europeias em que Espanha se envolvia e suas derivantes em territórios ultramarinos, agravamentos assíduos de impostos, etc. A Restauração significou, assim, antes de tudo, o restabelecimento do Estado Português na plenitude da sua soberania – o que implicava à luz da ideologia jurídica da época a instauração de uma nova dinastia representativa da vontade nacional autónoma e apta a obter o reconhecimento das outras potências europeias. O grupo de conspiradores que promoveram o golpe de 1 de Dezembro, constituído por nobres e juristas, fez aclamar o Duque de Bragança, D. João (…), que foi proclamado monarca legítimo logo depois do movimento insurreccional (…). A coroação de D. João IV efectuou-se em Lisboa, no Terreiro do Paço, em 15 de Dezembro de 1640.

(…) A Restauração foi um dos efeitos e foi também agente do enfraquecimento do Estado centralista espanhol – mas é  inegável que no seu êxito se afirmou uma vontade colectiva capaz de resistir vigorosamente às forças ainda poderosas que a contrariavam.”

In Dicionário Ilustrado da História de Portugal, Lisboa, Alfa, [DL 1982], vol. II, p.165-166 

Associação Cultural e Recreativa “Os Vinte Arautos de D. Afonso Henriques”

“Remonta ao ano de 1926, tempo de instabilidade política e social, a criação de uma associação, com sede na R. de S. Dâmaso, agora Alameda da Resistência, por um grupo de jovens que discordavam do costume de usar a taberna como centro de reunião das camadas populares, onde se viciavam no álcool, no jogo e, até, na violência.

Assim, norteados por um desejo de dignificação pessoal e social, e para que tudo funcionasse na melhor ordem e civismo nesse espaço de convívio nos tempos livres, foi elaborado um regulamento. Ali expandiam a sua criatividade, recreavam-se com jogos tradicionais, e tinham o apoio de um bar. Dos fundadores, destacam-se os nomes de Amílcar Lopes, Alexandre da Silva, Abílio Lobo e José Vila Nova. Foi estabelecido um limite de sócios para coincidir com o nome de baptismo: “Os Vinte Filhos de D. Afonso Henriques”.

Seguiu-se um período de evolução, e a sede da Associação muda-se para a Rua Egas Moniz.

Em 1929, já  sob a liderança de Domingos Alves Machado, é legalizada pelo Governo Civil, passando a denominar-se , por sugestão do ilustre publicista A. L. de Carvalho, “Grupo Recreativo Vinte Arautos de D. Afonso Henriques”. Dizem os estatutos que esta Associação é defensora e divulgadora dos monumentos e potencialidades de Guimarães, e alheia a política e religião. (…)

Começa então a fase mais importante do seu desenvolvimento, instalando-se a sede no gaveto da Rua de S. Dâmaso e Campo da Feira. Cria uma pequena biblioteca, abre uma escola de música, participa em espectáculos e manifestações bairristas, publica nas datas festivas um jornal – “O Arauto” -, organiza excursões por todo o país, levando bem longe o nome de Guimarães e seus monumentos.

Em 1952, com o projecto da demolição dos prédios da Rua S. Dâmaso, mudou a sede para a Rua da Rainha. Em 1954, fixa-se definitivamente na Rua Gravador Molarinho, onde viveu uma época de importante actividade cultural, realizando inúmeras palestras e conferências com personagens notáveis. Por esta razão foi o seu nome alterado para Grupo Cultural e Recreativo Os Vinte Arautos de D. Afonso Henriques.

Com a guerra do Ultramar sofre uma crise, e, com o 25 de Abril, cede por empréstimo as suas instalações à Associação dos Reformados de Guimarães.

Mais recentemente, com a admissão de novos sócios, retomou a sua actividade tradicional, tendo adquirido o imóvel onde está instalado”.

In Revista da Associação dos Viajantes e Técnicos de Vendas de Guimarães.

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2 comentários

  1. cada vez mais e preciso lembar esse dia que d. sebastiao com a sua generosidade mas tambem com a sua loucura permitiu.
    Cada vez mais e preciso que a data seja simbolicamente relembrada. %0 anos em que portugal perdeu muita coisa.

  2. Hoje a celebração desta data, impõe-se pelo seu significado e importância que tem, à luz da situação actual em que o País se encontra. O retirar esta data dos feriados nacionais, é a demonstração cabal de que a classe que nos (des)governa , como se não já bastasse o que tem feito nos últimos trinta anos, procura retirar-nos agora a celebração do dia em que os patriotas,, nossos antepassados com a sua coragem e determinção conseguiram. Libertar e devolver ao Povo português a sua identidade secular. Esses sim foram Heróis. Esquecer e banalizar este dia é o mesmo que que estar de acordo com aqueles que destruíram a industria naval, a a agricultura, as pescas, etc,. a entrega da nossa independência aos castelhanos, franceses, aos alemães, aos chineses, Se não fosse o Primeiro de Dezembro, não haveria implantação da Républica não haveria pensamento luso, enfim não teríamos a oportunidade de nos afirmar como Estado e Nação da qual nos orgulhamos ( infelizmente nem todos).Ignorar e vilampear o Primeiro de Dezembro é querer empurrar para as brumas da história o direito legítimo deste Povo aspirar á sua autodeterminação e independência. Se não houvesse o Primeiro de Dezembro, não haveria a Portuguesa.Honra aos ” Vinte Arautos de D. Afonso Henriques” .Um Républicano Laico Orgulhos da História Monárquica. Levantemo-nos contra os Migueis de Vasconcelos que por cá têm proliferdado.

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