Cultura, Marinha Grande

“Mulheres da Marinha Grande”

 A 2ª edição do Livro “Mulheres da Marinha Grande – histórias de luta e de coragem”, da autoria de Júlia Guarda Ribeiro, foi lançada no passado dia 6 de Novembro, no Auditório da Biblioteca Municipal da Marinha Grande.

A apresentação da sessão esteve a cargo de Graça Abranches. Trata-se do registo escrito de outros tantos relatos orais, contados na primeira pessoa, por mulheres anónimas, cuja voz nem sequer era escutada, mulheres que sofreram a miséria e a penúria, que sentiram a humilhação do tacão fascista, sentiram o pavor e o desespero.

De certo, muitas mais histórias, doridas, pungentes, ficaram por contar. E, uma vez perdidas estas memórias, não há recuperação possível. As 15 histórias ali reunidas são representativas das que se não contaram e possam ser lições de vida para todos nós, que ainda estamos presentes, e, principalmente para os vindouros.

Na cerimónia de lançamento do livro, o Presidente da Câmara referiu que “com estas iniciativas os autores perpetuam o seu talento para a memória futura do concelho e fomentam no público o gosto pelos livros e pela leitura, aumentando a sua literacia”.

O livro “Mulheres da Marinha Grande – histórias de luta e de coragem” “é o segundo registo escrito de relatos orais, contados na primeira pessoa, de mulheres cuja voz não era escutada e que sofreram pelos maridos, pelos filhos e devido a uma sociedade que não lhes concedia os direitos e deveres que hoje felizmente conhecemos”, comentou Álvaro Pereira.

O Presidente lembrou que “as histórias retratadas nesta obra são verdadeiras lições de vida e testemunhos para as gerações que não viveram a privação da liberdade”. Além disso, “permitem retratar uma vivência que não foi apenas a destas mulheres. Foi o modo de vida de tantas famílias que, decerto, se revêem nestes relatos”. O título do livro “remete-nos também para a história deste povo, habituado a combater as amarguras da vida, a lutar, a trabalhar e a empreender”.

Por fim, Álvaro Pereira reiterou que “Júlia Guarda Ribeiro foi sempre uma mulher das letras, da educação e de causas. Talvez por isso, o teor maioritariamente cívico e reivindicativo dos seus escritos”.

Biografia de Júlia Guarda Ribeiro

Maria Júlia Ferreira Barros Guarda Ribeiro nasceu em Torre de Moncorvo, em Agosto de 1938. Fez a sua escolaridade em Moncorvo e em Bragança. Terminou o Curso de Filologia Germânica em Coimbra, em Julho de 1961.

Nesse mesmo ano começou a dar aulas no Liceu da Figueira da Foz. Casou na Marinha Grande, em 1962, com António José Guarda Ribeiro, tendo adoptado este nome. O marido, então estudante finalista de Direito, estivera sempre implicado nas várias movimentações estudantis, incluindo a de 1962. Daí que o nome Guarda Ribeiro fosse bem conhecido da PIDE.

Por isso, Júlia Guarda Ribeiro foi expulsa do ensino oficial. Trabalhou então no ensino particular (um ano na Marinha Grande e cinco anos em Porto de Mós). Em 1970, terminado o estágio no então Liceu D. João III, em Coimbra, (hoje Esc. Sec. José Falcão), foi dar aulas para o Liceu de Leiria. Aí estava em 25 de Abril de ‘74. Mais tarde recebeu o convite para dirigir a Escola do Magistério Primário de Leiria.

Dos seus 37 anos de serviço, cerca de 25 dedicou-os à Formação de Professores, como Orientadora de Estágios, Coordenadora da Formação em Serviço e Formadora de Formadores. Leccionou ainda no ISLA durante 10 anos, onde desempenhou os cargos de Directora do Curso de Tradutores e Coordenadora do Departamento de Línguas.

Foi já como professora aposentada que decidiu dedicar-se à escrita.

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