Cultura, Póvoa de Varzim

António Maranhão Peixoto desvendou segredos da Casa da Memória – P. Varzim

“Os Arquivos, mais do que guardiões do Passado, são antecipações do Futuro.” Esta afirmação foi feita por António Maranhão Peixoto, ontem à noite, numa conferência proferida no Arquivo Municipal, intitulada “Testemunhos da República no Arquivo Municipal. O chefe da Divisão de Arquivo da Câmara Municipal de Viana do Castelo fez a apresentação das fontes documentais existentes na Casa da Memória Poveira que contribuem para o conhecimento e estudo da implantação da República na Póvoa de Varzim.
Imprensa local, Auto de Proclamação, Actas, Correspondência recebida e expedida, Legislação, Toponímia e Filatelia foram os recursos identificados e analisados pelo investigador.
António Maranhão Peixoto apresentou diversos excertos de periódicos locais (Avante, O Poveiro, O Comércio da Póvoa de Varzim, O Intransigente, A Propaganda, O Liberal, Estrela Povoense) que retratam o que foi a vivência da época.
O Auto de Proclamação foi outro documento de relevante interesse que foi lido na sacada dos Paços do Concelho a 7 de Outubro de 1910 pelo Secretário da Câmara José António Castro Alves e assinado tanto pelo Presidente da Câmara, David José Alves, como pelo Administrador do Concelho, João Pedro de Sousa Campos, num total de 116 assinaturas, somente de homens.
O arquivista referiu-se ainda às Actas da Câmara, nomeadamente a de 19 e a de 24 de Outubro, que deliberaram a nomeação de António Francisco dos Santos Graça como Presidente e Vice-Presidente da Câmara, por impedimento de Sousa Campos acumular estas funções à de administrador, e a distribuição dos Pelouros, respectivamente.
No que se refere à correspondência recebida e expedida neste período, António Maranhão Peixoto enumerou os diferentes destinatários e remetentes com importância para o estudo desta fonte: Governo Civil, Administrador do Concelho, Juntas de Paróquia, Presidência da República, Governo, Ministérios e organizações políticas.
O conferencista falou também da Legislação, com destaque para a Constituição de 1910 e para o Arrolamento dos bens das igrejas, e dos Símbolos que marcaram a República, como a bandeira e o hino nacionais.
A Filatelia e a Toponímia foram abordadas por António Maranhão Peixoto que exibiu imagens dos primeiros selos emitidos com o novo desenho após a implantação da República – a Ceres (símbolo de fertilidade e abundância) – e chamou a atenção para o nome de ruas do concelho que se identificam com o período republicano, nomeadamente, Praça da República e 5 de Outubro, entre outras.
Relembramos que, com o mesmo título desta conferência, o Arquivo Municipal actualmente expõe uma mostra que “viaja” até à Póvoa de Varzim de 1910 através de registos documentais, cuidadosamente preservados. Para os mais novos, o Serviço Educativo disponibiliza actividades que dão a conhecer os antecedentes e os principais acontecimentos que levaram à revolução e implantação da República a 5 de Outubro de 1910. Conheça-as aqui.
O ciclo de conferências que o Arquivo Municipal organiza no âmbito das Comemorações do Centenário da Implantação da República, termina a 9 de Dezembro, com José Augusto de Sotto Mayor Pizarro.

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