Sociedade

FIMAP e FERRÁLIA revelam empresas que aproveitam a crise para crescer

Não será a regra geral, admita-se. Mas o actual clima económico tem obrigado muitas empresas portuguesas da fileira florestal e da madeira a adoptar uma outra postura de negócio, a qual tem não só permitido explorar oportunidades nunca antes aproveitadas como, inclusive, potenciado o aumento das vendas e da margem de ganhos. E o mercado evidencia igualmente os exemplos de quem está a servir-se dos ventos da conjuntura adversa para ganhar embalagem no domínio da evolução tecnológica e da diferenciação do produto e/ou serviço.

      Esta é a perspectiva de várias empresas no contexto da próxima FIMAP – 16.ª Feira Internacional de Máquinas para Trabalhar Madeira e do FERRÁLIA – 11.º Salão de Acessórios e Equipamento Auxiliar para a Indústria da Madeira, que decorrem na EXPONOR desta quarta-feira a sábado (todos os pormenores em www.fimap.exponor.pt).

      O evento, que traduzirá para três pavilhões do recinto de feiras (cerca de 90 expositores) toda a cadeia nacional de transformação industrial das matérias-primas florestais, dirige-se aos profissionais do sector, e são eles a dar voz ao actual momento de uma indústria que alimenta 260 mil postos de trabalho directos e indirectos (cinco por cento do emprego industrial) e que é responsável por 11 por cento das exportações nacionais.

      Amaro Martins, administrador da MARJOS – Equipamentos Industriais, está no mercado com a sua firma há 30 anos (celebra-os na FIMAP 2010) e, não obstante afirmar «nunca» ter visto o sector em tamanha condição, sublinha que «muitas» empresas «têm enfrentado de modo positivo esta conjuntura adversa, e, inclusive, aumentado as vendas e a margem» de ganhos.

     De um modo geral, sustenta o gestor, «as empresas de referência estão a agir de modo programado e consistente sobre os factores críticos de sucesso do negócio». A saber: forte aposta na internacionalização; distribuição mais próxima do consumidor final; diferenciação pelo design e em equipamento que o permite, também através de novas operações; flexibilização na mudança rápida de produto e na capacidade de produção de pequenos lotes; transposição rápida do design ao móvel; redução dos custos de produção e, sinal dos tempos, ter a capacidade de conceder crédito aos clientes, aguardando por vezes pagamentos com atrasos significativos. 

«Por estranho que possa parecer»… 

     Carlos Rodrigues, sócio-gerente da BITMIND – Sistemas de Informação, tem um ponto de vista alinhado pelo mesmo diapasão. Representa em Portugal marcas de programas informáticos muito específicos para áreas produtivas ligadas ao sector da madeira (mas também para os ramos automóvel e aeronáutico) e não tem pejo em assegurar que «a actual conjuntura económica está a ser uma oportunidade de desenvolvimento para a empresa».

     Mais do que isso, e «por estranho que possa parecer, sentimos na BITMIND que a actual conjuntura está a contribuir para a diferenciação e evolução tecnológica das empresas». E há uma explicação: «Tendo em vista o contorno da crise, os empresários com que nos relacionamos estão a adoptar medidas de modernização e de inovação que lhes permitam continuar activos e de boa saúde nos mercados. Esse tipo de atitudes de gestão tem um reflexo directo na nossa acção, pois que trabalhamos com “software” capaz de lhes fornecer as soluções que procuram», argumenta Carlos Rodrigues, firme na observação que os empresários do sector «estão cada vez mais apostados na qualidade, na capacidade de resposta em termos temporais e na demarcação das suas empresas».

     Os estudos sectoriais que nos últimos anos se têm debruçado sobre a fileira assim o indicam. E dão conta de avanços em vários domínios, que suportam um aglomerado empresarial que representa quatro por cento do Produto Interno Bruto português e 14 por cento do PIB industrial. Trata-se, afinal de contas, da força – e do potencial – do principal recurso natural renovável do País e de um conjunto de indústrias responsáveis por um saldo comercial positivo em quase 250 milhões de euros. 

«A Floresta como Recurso» em debate 

     É, pois, todo este enquadramento que justifica a importância da FIMAP e do FERRÁLIA e motivou a EXPONOR na organização de uma iniciativa de reflexão e debate – «A Floresta como Recurso» – que aprofundará algumas das temáticas mais actuais do sector, com empresários, especialistas e profissionais do mercado.

     A iniciativa tem o arranque programado para as 9:30 horas de quarta-feira (dia 20), no Centro de Congressos da Feira Internacional do Porto, e versará assuntos como a produção, a transformação, o design e a segurança, o movimento associativo e o comércio externo (oportunidades de negócio e mercados da fileira da madeira).

     Valente de Oliveira (administrador da Associação Empresarial de Portugal), João Ferreira do Amaral (presidente da Direcção da Associação Para a Competitividade da Indústria da Fileira Florestal), Paulo Nunes de Almeida (vice-presidente da AEP), Carlos Moreira da Silva (presidente da COTEC Associação Empresarial para a Inovação) são os moderadores dos cinco painéis em agenda.

     A reflexão e o debate, esses, levarão à mesa de trabalho Rosário Alves (directora-executiva da Forestis), António Gonçalves Ferreira (presidente da União da Floresta Mediterrânica), Carlos Bianchi de Aguiar (Sonae Indústria), Isolete Matos (Portucel Viana), José Honório (Portucel Soporcel), António Amorim (Corticeira Amorim), Vasco Pedro (da Associação das Indústrias de Madeira e Mobiliário de Portugal), Rui Moutinho (presidente da Associação Portuguesa das Indústrias de Mobiliário e Afins), Rafael Campos Ferreira (vice-presidente executivo da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal), Carlos Aguiar (Designer e docente da FEUP), António Rocha (CEO da Móveis Viriato), Gustavo Cruz (do CATIM – Centro de Apoio Tecnológico à Indústria Metalomecânica), José Vital Morgado (administrador executivo da AICEP – Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) e José Leitão (CEO da Associação Portuguesa de Certificação).

     Valente de Oliveira abrirá a sessão, tendo como convidado para o acto Américo Mendes (da Universidade Católica). O encerramento caberá  ao presidente da AEP, José António Barros, e Amândio Torres, presidente da Autoridade Florestal Nacional.

     Nas últimas seis edições, os certames permitiram a 2.554 empresas e marcas exibirem as suas novidades técnicas e/ou tecnológicas (ou seja, uma média de 425 expositores por certame). A exposição recebeu – de 1998 até 2008 – um global de 103.284 visitas de profissionais do sector, à razão de 17.214 entradas médias por evento. 

Síntese:

FIMAP – 16.ª Feira Internacional de Máquinas para Trabalhar Madeira

FERRÁLIA – 11.º Salão de Acessórios e Equipamento Auxiliar para a Indústria da Madeira

Data: de 20 a 23 de Outubro

Horário: das 10:00 às 19:00, todos os dias

Organização e local: EXPONOR – Feira Internacional do Porto (Matosinhos)

Perfil do visitante: profissional; entrada interdita a menores de 14 anos

Em exposição: na FIMAP – máquinas de corte; máquinas de serrar; fresadoras; máquinas perfuradoras; máquinas de lixar e polir; máquinas combinadas de carpintaria, máquinas de deformar; máquinas de montar e revestir superfícies; máquinas de colar; prensas; máquinas para tratamento de madeira; máquinas portáteis; veículos, ferramentas e outro equipamento auxiliar. Na FERRÁLIA – madeiras e derivados; tintas; vernizes; colas; caixilharia e acessórios para mobiliário; produtos químicos para tratamento da madeira.

Artigo AnteriorPróximo Artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *