Mangualde, Sociedade

Invasão Francesa em debate – Mangualde

No âmbito da programação «Mangualde na Rota da 3ª Invasão Francesa» realizam-se, nos dias 15 e 22 de Setembro, duas palestras que terão como oradores convidados Maria Antónia Figueiredo Lopes e João Paulo Avelãs Nunes, ambos professores da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Os encontros agendados para as 21h30, no Auditório da Câmara Municipal, terão como pano de fundo a passagem dos 200 anos do exército francês por Mangualde. A entrada é livre.
 
Entretanto continua aberta ao público, até ao dia 30 de Setembro, a exposição “Guerras Peninsulares”. Esta mostra, cuja entrada é também livre, é composta por 11 peças, entre elas uniformes (Cavalaria, Infantaria e Artilharia), uma espingarda, peças de faiança, uma gola de serviço e um sabre, oriundas da Colecção do Museu Militar de Lisboa. A exposição inclui ainda uma parte documental, onde é possível ficar a conhecer a história que colocou Mangualde na rota da 3ª Invasão Francesa. Poderá ser visitada de segunda a sexta-feira das 14h00 às 18h00 e aos sábados das 10h00 às 12h00 e das 14h00 às 18h00.
 
 
Dia 15 Setembro, quarta-feira:
“Na rota da 3ª invasão francesa: o concelho de Mangualde e as suas vítimas”
 
Maria Antónia Figueiredo Lopes é a convidada do dia 15, quarta-feira, e sua dissertação abordará o tema “Na rota da 3ª invasão francesa: o concelho de Mangualde e as suas vítimas”.
Maria Antónia Lopes, doutorada e agregada em História Moderna e Contemporânea pela Universidade de Coimbra, é Professora da Faculdade de Letras da mesma Universidade (FLUC), investigadora integrada do Centro de História da Sociedade e da Cultura da Universidade de Coimbra e colaboradora do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa. Lecciona disciplinas de História Moderna e de História Contemporânea na Licenciatura, no
 
Mestrado e no Doutoramento em História da FLUC. A sua área de investigação é a história social de Portugal nos séculos XVIII a XX, nomeadamente os seguintes temas: mulheres, crianças, pobres, políticas sociais, instituições de assistência e de saúde, vida privada e história de Coimbra. É autora do único artigo existente na historiografia portuguesa sobre a população civil assassinada durante a 3ª invasão francesa. Foi publicado em Espanha com o título: “Mujeres y hombres víctimas de la 3ª invasión francesa en el Centro de Portugal” in Emílio de Diego (dir.) e José Luis Martínez Sanz (coord.), El comienzo de la Guerra de la Independencia, Madrid, Editorial Actas, 2009, pp. 750-772.
 
Dia 22 Setembro, quarta-feira:
 “As Invasões Francesas hoje. Transformações e continuidades ao longo de dois séculos de história contemporânea de Portugal”
 
Já no dia 22, também quarta-feira, João Paulo Avelãs Nunes fará a sua intervenção sobre a temática “As Invasões Francesas hoje. Transformações e continuidades ao longo de dois séculos de história contemporânea de Portugal”. Tendo como palavras-chave as Invasões Francesas, o Liberalismo, a Modernização, o Absentismo Cívico e os Direitos Sociais, o docente mostrará que Portugal já era uma “sociedade contemporânea” no período das invasões francesas refutando a ideia de um País fechado e pouco esclarecido na época do Estado Novo.
João Paulo Avelãs Nunes é licenciado em História (Junho de 1987), Mestre em História Contemporânea de Portugal (Outubro de 1993) e Doutor em História Contemporânea (Janeiro de 2006) pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC). É professor auxiliar de História Contemporânea na FLUC e Investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra (CEIS20 da UC). Do seu currículo fazem ainda parte diversas publicações relacionadas com diferentes temáticas.
 
 
«Mangualde na Rota da 3ª Invasão Francesa»
 
De acordo com os relatos históricos, quando os franceses chegaram a Mangualde grande parte da população tinha-se refugiado para os lados de Penalva do Castelo, não sem antes queimarem, no Rossio, todo o milho que a vila possuía, e esvaziaram as adegas. Também os objectos de valor que não podiam ser transportados foram escondidos e enterrados. Apesar da vila estar quase deserta, ainda perderam a vida várias pessoas, que na altura, estavam a trabalhar no campo. A Igreja Matriz foi assaltada, tendo sido roubada a Palma de S. Julião, e a custódia tinha sido escondida num lugar seguro não tendo sido levada. A busca por mais objectos continuou, com o arrombamento da porta da Capela da Família Rebelo, hoje pertença da Câmara Municipal, e onde acabaram por cortar uma perna a um dos anjos que ladeiam o Sacrário, facto que ainda hoje se pode verificar. Aquando da sua passagem por Mangualde, o marechal Massena pernoitou, na noite de 18 para 19 de Setembro, na casa de Anadia, tendo sido daqui que rumou para o Buçaco, onde acabaria por ser derrotado na batalha liderada por Wellington, que dirigia o exército anglo-luso.

Artigo AnteriorPróximo Artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *