Póvoa de Varzim, Sociedade

20 anos depois, ETAR do Ave é uma realidade – P. Varzim

Uma luta com quase 20 anos chegou hoje, 31 de Agosto, ao fim com a inauguração da Estação de Tratamentos de Águas Residuais (ETAR) do Ave pela Ministra do Ambiente e do Ordenamento do Território, Dulce Pássaro. Esta estrutura, situada em Tougues, Vila do Conde, serve a Póvoa de Varzim e Vila do Conde e é da responsabilidade da Águas do Noroeste.
“Já o povo diz que temos que ser como S. Tomé, ver para crer”, confessou José Macedo Viera, Presidente da Câmara Municipal da Póvoa de Varzim que, conjuntamente como seu congénere vila-condense Mário Almeida, lutou pela construção da ETAR. Recordando as inúmeras viagens a Lisboa e as horas de espera “nas antecâmaras dos gabinetes dos Ministros”, o autarca afiançou que se reuniram com oito Ministros do Ambiente até finalmente verem construída a estação, equipada com tecnologia de ponta, num investimento total que ronda os 40 milhões de euros. “Hoje é um dia particularmente feliz para a população da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde e para nós autarcas”, resumiu, acrescentando que a entrada em funcionamento da ETAR “é um grande sossego para a população, para a saúde pública e para nós”. 
Mas a ETAR não foi, relembrou, o primeiro projecto intermunicipal e, a crer na vontade da população, não será o último. Isto porque depois da Escola Superior de Estudos Industriais e Gestão, que fica entre municípios, e da ETAR, José Macedo Vieira deseja agora a construção do Hospital que iria servir ambos os municípios. “É isto que nos falta para ficarmos mais sossegados”, avançado que estes projectos comuns contribuem para solucionar “todos os grandes problemas que duas cidades contíguas possam ter a nível da qualidade de vida e de serviços”. Mas, curiosamente, foi esta vontade de criar um projecto intermunicipal que mais dificultou a construção da ETAR. “Hoje é comum haver associações intermunicipais, mas há 20 anos não era”, justificou José Macedo Vieira. Por isso, considerou esta ETAR “um grande desafio, numa escala à qual não estamos habituados em Portugal. Mas é necessário começar a pensar numa escala maior, para que o grande beneficiário seja, de facto, o consumidor”.
Mário Almeida, Presidente da Câmara Municipal de Vila do Conde, afirmou mesmo que “a população da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde vive um sonho, porque concretizámos algo que sentíamos cada vez mais longe”. No entanto, o trabalho não acaba aqui, relembrou, pedindo à Administração Central que tome medidas no que respeita à poluição do Ave a montante. “Estamos obviamente satisfeitos. A ETAR está a funcionar há menos de um mês mas o seu impacto na melhoria da qualidade da água é já evidente”, avaliou, considerando que este é um dos primeiros passos para que as populações possam ter, de novo, orgulho no seu rio, agora também factor de unidade entre dois municípios. 
Sendo a 9ª Ministra pelas mãos da qual passou o processo da ETAR, pode-se dizer que a Dulce Pássaro coube, como ela própria afirmou “a parte mais agradável deste processo”. Congratulando-se por ver a problemática da poluição do Ave “em vias de ser completamente ultrapassada”, a Ministra elogiou o envolvimento dos autarcas mas não esqueceu o papel do Estado. “Independentemente da área política dos Ministros que fomos tendo, sei que esta era uma área emblemática e que urgia ultrapassar, pois sem a sua resolução o nosso país não se poderia considerar verdadeiramente qualificado”. Salientado o papel fundamental do grupo Águas de Portugal, da qual a Águas do Noroeste faz parte, Dulce Pássaro afirmou ainda que o fundamental “está resolvido”. “Mas neste domínio nunca está tudo feito. Ainda temos caminho a fazer, mas o mais importante, o tratamento das águas residuais dos grande centros urbanos e da componente industrial, está garantido. Falta realmente complementar-se em termos de tratamento o que respeita às águas residuais de aglomerados urbanos de menor dimensão”. 
Martins Soares, Presidente da Águas do Noroeste, explicou que este grupo, sob a alçada da Águas de Portugal, resultou da fusão da Águas do Ave, Águas do Cávado e Águas do Minho e Lima. Sobre a ETAR do Ave avançou que foram investidos 20.6 milhões de euros na construção da estrutura, a que se juntam outros 20 milhões para a construção dos interceptores e estações elevatórias. Orgulhoso da rapidez com que se desenrolou o processo, que envolveu estudos de impacto ambiental, aquisição de terrenos, entre outros, até à construção da ETAR, o administrador explicou que a estrutura conta com inovadores processos de tratamento, “tirando partido das suas capacidades endógenas na medida em que cria energia suficiente para alimentar um terço das suas necessidades”. Dimensionada para tratar 42.900 m3/dia de águas residuais, à ETAR chegam já 15 mil m3 de esgoto. O caudal tratado, depois de passar por um processo de microtamisação e desinfecção por ultra-violetas, é em parte reutilizado na própria ETAR (por exemplo, para a rega de espaços verdes) e o restante é devolvido, em condições ambientalmente seguras, ao Rio Ave.
 
Póvoa de Varzim aguarda libertação de candidatura para concluir rede de saneamento
Aires Pereira, Vice-Presidente da Câmara Municipal e Vereador do Pelouro do Ambiente explicou, à margem da inauguração, que “nesta altura, toda a rede de saneamento da Póvoa vem para esta ETAR. Mas quando estiver concluído o processo de ligação à Apúlia ou eventualmente a Esposende, parte do tratamento da bacia norte da Póvoa, que inclui as freguesias de Aguçadoura, Estela e Laundos, irá para essa parte Norte”. Em Abril de 2009 foi concluída grande parte da empreitada da rede de saneamento do concelho, um investimento de 60 milhões de euros. “Naquilo que é a área urbana, temos uma cobertura total e em termos de densidade populacional, a taxa de cobertura é de 85%. Em termos territoriais é que faltam algumas zonas de Balasar, Rates, Laundos e Estela. São zonas mais rurais e em algumas delas nem se justifica uma ligação à rede geral. Terão que ter sistemas próprios de tratamento”. No entanto, é desejo do município completar a rede em falta mas, explicou o Vereador, se até agora a autarquia contava com fundos comunitários, no âmbito do Plano Estratégico de Abastecimento e Saneamento e Águas Residuais (PEASAR), “a partir do momento em que temos uma taxa de cobertura superior a 85% já não são libertados fundos para financiar o resto da rede. Tudo tem que ser feito à custa dos dinheiros municipais”. O custo total do investimento será de 10 milhões de euros e, por isso, a autarquia decidiu avançar com uma candidatura em parceria com a Área Metropolitana do Porto. “Essa candidatura esteve suspensa de aprovação até à definição dos critérios daquilo que vai ser o saneamento em alta e o saneamento em baixa, nomeadamente pelas Águas do Noroeste”, explicou, mas a espera pode estar prestes a terminar. “Contamos que este ano as candidaturas sejam libertadas e aprovadas”.

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