Portimão, Sociedade

Município de Portimão informa o falecimento de Manuel Dias

O município de Portimão está mais pobre com o desaparecimento do seu ilustre e dedicado cidadão Manuel António Marques Dias, carinhosamente conhecido como o ‘Manuel Dias dos Frangos’, falecido na noite de 18 de Agosto de 2010, vítima de doença prolongada. 

Homem com convicções fortes e de reconhecida generosidade, Manuel Dias nasceu a 23 de Agosto de 1921 na então Vila Nova de Portimão. Foi empresário, exerceu funções autárquicas antes e depois do 25 de Abril de 1974 e abraçou diversas causas sociais, em particular no Centro de Apoio a Idosos de Portimão. 

Pela sua actividade em prol da comunidade local, recebeu da Câmara de Portimão o Diploma de Cidadão de Mérito no ano de 1992. 

O seu último escrito conhecido, publicado na edição nº 6 do mensário “Portimão em Directo” (Abril de 2007), reflecte com fidelidade o incondicional apreço que Manuel Dias nutria pela cidade que o viu nascer e onde fez a sua vida: 

«Portimão, para um portimonense que se preze, tem um sabor muito especial. É que a família, os amigos do coração e a nossa terra são o que mais queremos na vida!

Sempre foi linda a nossa cidade, para o que em muito contribui o rio Arade. De Silves para Portimão, ou vice-versa, bastantes são os seus encantos.

Tive a sorte de ter nascido aqui e aqui ter vivido, acompanhando de perto o bom e o mau, (…) nomeadamente em 1949, durante a campanha política de Norton de Matos. Como elemento da organização da comissão política, e porque uma manifestação teve lugar no meu armazém, cortaram-me o passaporte por cinco longos anos e aí começou uma perseguição reservada à minha vida, às minhas companhias, enfim, um inferno!…

(…)

Já no início dos 70, porque, como rotário, fiz certa noite uma bonita conversa no Hotel Júpiter sobre Portimão, onde estavam presentes pessoas ligadas à Câmara que acharam que o meu carinho pela cidade era muito, fui indicado para vereador da autarquia. Imaginem… Caiu o Carmo e a Trindade!

“Ao que chegámos!”, diziam os situacionistas, “Até os comunistas já vêm para vereadores?!”. Da esquerda, os comunistas raciocinavam de forma diferente: “O Manuel Dias foi para a outra banda, qual bola de pingue-pongue”, como me chamaram na altura.

Tudo somado, o que mais me sensibilizou após o 25 de Abril de 1974 tem a ver com as enormes diferenças que se podem encontrar nas mais pequenas coisas.

Como paradigma, recordo o que era o velhinho asilo, que funcionava numa ala da Igreja do Colégio em condições precárias. Poucos anos depois da Revolução dos Cravos, justamente a 25 de Abril de 1980, foram inauguradas as instalações na Raminha, já como Centro de Apoio a Idosos de Portimão. De facto, a vontade conjugada dos homens começava a fazer a diferença.

(…)

Soube-me muito bem este “depois” da minha querida cidade!» 
 

A Câmara Municipal de Portimão expressa publicamente à família enlutada as mais sentidas condolências. 

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