Arouca, Cultura

Brasília: 50 anos de uma cidade, em exposição na biblioteca – Arouca

Uma cidade construída de raiz para ser capital do Brasil. Um conjunto de edifícios belíssimos, com o traço inconfundível de Óscar Niemeyer. O sonho de um país tornado realidade. São fragmentos desta história, agora com 50 anos, que estão patentes ao público, na exposição «50 anos de Brasília», a decorrer na Biblioteca Municipal de Arouca. Fruto do empenho do comendador Victor Alegria, distinto arouquense e importante cidadão brasileiro, esta interessante exposição merece a sua visita.
 
Esta exposição é um exemplo de parceria real e efectiva, visando um conhecimento mais profundo entre os povos português e brasileiro. De um lado e do outro do oceano, muitas vezes não nos apercebemos de que grandes iniciativas têm, na sua origem, a visão estratégica de grandes estadistas e de homens de poder que colocam, para além dos seus interesses pessoais, opções decisivas, e por vezes messiânicas, no destino de suas pátrias.
 
Brasília, a mais moderna capital do mundo, Património Cultural da Humanidade, tem nas suas raízes um espírito visionário semelhante ao do Marques de Pombal. No caso de Brasília, e contra alguns interesses instalados, a determinação do Presidente Brasileiro Juscelino Kubitschek de Oliveira fez com que a cidade capital do país fosse pensada de raiz: Brasília.
 
O sonho da nova capital, um ideal quase místico, preconizado por Kubitschek, galvanizou o povo brasileiro, que, em apenas três anos, construiu uma cidade, a comemorar o seu 50.º aniversário desde 21 de Abril de 2010. Uma cidade que, hoje, coloca o Brasil na vanguarda dos países mais dinâmicos do mundo.
 
As fotos expostas, oriundas do Arquivo Publico de Brasília, revelam que essa aventura de todo um povo só foi possível graças à liderança de um grande homem publico, que soube corporizar os anseios da nação. Esta exposição, nascida da acção de pessoas simples mas dinâmicas, e de instituições públicas e privadas, pretende trazer a Portugal o conhecimento de uma verdadeira façanha.
 
Simultaneamente, estão a ser encetados contactos no sentido de divulgar no Brasil «Guimarães em 2012, Capital Europeia da Cultura».
 
 
Victor Alegria, verdadeiro «guerreiro da cultura», é o principal responsável por esta exposição. Nascido em Arouca, recentemente agraciado com a Comenda da Ordem do Infante D. Henrique, é o rosto da editora e livraria «Thesaurus». Ainda enquanto estudante de Direito, no Porto, esteve na linha da frente contra a ditadura salazarista, chegando mesmo a ser preso pela PIDE e julgado pela sua actividade cultural. Aos 26 anos, em 1963, exila-se no Brasil (precisamente em Brasília), onde volta a viver a realidade ditatorial. A sua editora «Coordenada», através da qual importava livros portugueses, sempre com grandes dificuldades e em defesa da liberdade de pensamento, foi destruída pelos militares brasileiros. Sem desistir, em 1965 funda a livraria «Encontro», que se afirma como ponto de encontro dos resistentes e foco de cultura. Em 1977, funda a «Thesaurus», onde dá asas, ainda hoje, ao seu espírito inquieto. É responsável pela edição de mais de 2000 obras literárias, tendo doado muitas delas à Biblioteca Nacional de Brasília.

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1 comentário

  1. Li a notícia da exposição.Quero cumprimentar um primo que mal conheço. Sou neta da Raquel, de S.Mateus. filha do Fernando.Desejo êxito para a exposição. Se tiver oportunidade, vou ver. Não vi quando acabava.

    Beijos e felicides primo.

    Isabel

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