Cultura, Palmela

Festival Internacional de Artes de Rua em Palmela

Tem início, amanhã à tarde, o FIAR XI – Festival Internacional de Artes de Rua. Organizado pelo FIAR – Centro de Artes de Rua e pela Câmara Municipal de Palmela, em parceria com o Teatro O Bando, o Festival decorre até domingo, 1 de Agosto, no cenário privilegiado do Centro Histórico de Palmela.
 
A apresentação dos resultados do Curso de Formação de Circo Contemporâneo – a decorrer em Palmela durante esta semana com os formadores Branko Potocan (Eslovénia) e Jean Daniel Fricker (França) – e “O Pino do Verão” no Miradouro do Castelo, às 22 h00, numa criação do Teatro O Bando, marcam o primeiro dia do FIAR XI.
 
Estreias, criações em residência, colaborações de artistas internacionais com grupos locais de amadores, coreografias, textos e instalações, são inspirados e criados propositadamente para este terraço, aquela varanda ou a antiga adega, cheia de estórias. Momentos únicos e irrepetíveis, constituem, desde a primeira edição, o principal apelativo deste Festival, que se orgulha do trabalho realizado no âmbito da pesquisa, experimentação e reflexão sobre as artes de rua.
 
O programa integra espectáculos pagos e de entrada livre. O público poderá adquirir bilhetes individuais nas bilheteiras presentes em cada um dos locais dos espectáculos pagos (disponíveis duas horas antes do início da sessão) ou optar pelo bilhete único, no valor de 10 euros.
 
 
Destaques
 
O Pino do Verão – Criação Teatro O Bando
Evento comunitário de grande dimensão, reúne centenas de músicos e cantores das sociedades filarmónicas do concelho. Alia a componente teatral ao canto, à música e à poesia de Eugénio de Andrade. Dramaturgia, encenação e espaço cénico de João Brites e composição e direcção musical de Jorge Salgueiro.
 
«Uma Pátria tem algum sentido/ quando é a boca/ que nos beija a falar dela»
 
A Vós – Ainhoa Vidal (Estreia – Criação em Residência)
Projecto integrador que trabalha a inclusão de um grupo que necessita de atenção e actividade física e intelectual. É uma ponte entre quem está prestes a desaparecer e quem vê a sua vida ganhar um passado e um futuro. Com a participação de um grupo de idosos, com idades compreendidas entre os 70 e os 90 anos, da Associação de Idosos de Palmela, do Lar da Misericórdia de Palmela e do Centro de Dia de Lagameças.
 
«Quando o corpo envelhece, abandonam-nos histórias. Umas ficam guardadas para sempre, naqueles lugares obscuros do nosso corpo, e outras transformam-se em realidades que parecem contos ficcionais».
 
Canja de Mel – Grupo de Teatro Comunitário “As Avózinhas” (Estreia)
Um grupo de mulheres quer presentear uma criança com uma verdadeira canja. O galo já foi encontrado, a bancada e as cadeiras também. Havia que matar o animal e cozinhar com competência, mas surge um obstáculo com a eleição da matadora. Todas já o tinham feito, mas a coragem esvai-se, à medida que vão chegando, armadas de grandes navalhas. “As Avózinhas” completam, este ano, o seu oitavo aniversário e reúne um conjunto de mulheres da Associação de Idosos de Palmela, dirigidas por Dolores de Matos. Um grupo feminino cheio de energia e consciente do seu poder cénico; uma interpretação poética da urgência de agir sobre o mundo.
 
«As crianças, hoje, já não sabem o que é comer… é só plástico».
 
Estórias de Engraxar (Estreia)
Com partida do CAR – Centro de Artes de Rua, onde a artista plástica Patrícia Costa apresenta uma instalação inspirada no espectáculo, “Estórias de Engraxar” e os seus quatro engraxadores/ contadores de estórias irão percorrer locais improváveis do Centro Histórico, enquanto objecto artístico de intervenção no espaço público. Tom intimista, encontro de proximidade entre a cena e o público, narrativas em torno dos conceitos de viagem, caminho e percursos.
 
«O pé do homem que deixa a sua marca no caminho, ou o pé que leva a marca da caminhada realizada».
 
Trio – Sophie Leso (Bélgica) e Nicolas Arnauld (França) – (Estreia)
Projecto nascido da relação do FIAR com o Clube de Animação Jovem da APPACDM, desenvolvido online, numa primeira fase, e concluído em Palmela. Com a participação de Flávio Santos, jovem com Síndroma de Down, da APPACDM de Setúbal. Três seres semelhantes mas singulares partilham o espaço, revelando os seus pequenos mistérios, manias e maneiras.
 
«Até que ponto é que nos podemos encontrar? Qual é o ponto em que achamos conhecer alguém? Onde é o ponto que me separa do outro?»
 
A Saboaria (Estreia)
Espectáculo em homenagem ao Mestre Pinóia, que ao longo de todas as edições do FIAR, recebeu, na sua carpintaria, tantos espectáculos em estreia. Segunda criação no âmbito do projecto Circundar, de circo contemporâneo, a partir do mesmo dispositivo cénico de “Uma Rampa Para Ti”.
 
«Por esse lugar do nada e de ninguém, hoje, suspendem vidas eternas e outras, em trânsito, que brotam da urbe como aquelas da água.»
 
A Rulote – Nuno Nunes (Estreia – Criação em Residência)
Num lugar improvável, esquecido e acidental, estaciona uma rulote. Um acontecimento banal, que engendra uma nova realidade, num sítio que, até então, era como se não existisse. Este projecto cruza uma equipa de profissionais com actores em início de carreira, e conta com a participação do Grupo Coral 1º de Maio, do Bairro Alentejano, e habitantes locais.
«Personagens vindas do escuro da noite, viajantes, seres errantes, figuras do quotidiano mas, também, do sonho, a pretexto da instituição desse sítio, passam a existir diante do espectador…»
 
FANFIAR (Estreia)
Num contexto que requer competências cada vez mais especializadas, damos resposta aos novos desafios colocados aos profissionais deste sector. A FANFIAR é uma Fanfarra de sonhos, tecida por jovens músicos de Palmela, com direcção artística de Alberto Carvalhal. Um quase-concerto, onde a malha das emoções é tecida ao sabor do vento e a vontade de estar em palco rebenta com alegria.
 
«Nesta história narrada por sons, são os palhaços que marcam o ritmo…»
 
Les Deux Fridas – Aïe Sandunga (Bélgica)
Duas actrizes dão vida ao quadro “Las Dos Fridas” da pintora mexicana Frida Kahlo, sob um fundo musical de Sandunga, uma dança típica do México. Um momento teatral, baseado na simplicidade, onde a técnica corporal e a arte do clown são utilizados como ferramenta poética. 
 
«A pintura pode suscitar coisas muito estranhas nos seres humanos e levá-los a delírios insuspeitáveis».
 
Pedestrian Zone – Branko Potocan (Eslovénia)
O título desta performance simboliza uma zona livre da agitação citadina, onde podemos dar largas à nossa imaginação e deixá-la levar-nos para um espaço regido por diferentes leis da existência. Uma coreografia criativa, recheada de detalhes e soluções surpreendentes.
 
«Mosaico de surrealismo onde os nossos desejos e sonhos por concretizar são confrontados com a realidade»
 
We Meet in Paradise – Theatre Fragile (Alemanha)
Uma residência artística em Graz permitiu à companhia contactar com os imigrantes que aí viviam, oriundos de diferentes culturas. “We Meet in Paradise” apresenta o resultado dessa pesquisa e do contacto com essas pessoas, que deixam para trás o lar e aqueles que amam, em busca de um paraíso promissor.
 
«Teatro mascarado numa balada fascinante sobre o exílio e a esperança»
 
I – Jean Daniel Fricker (França)
Performance intimista e pessoal de um artista singular. Malabarista, dançarino e contorcionista, Jean Daniel Fricker apresenta-se em “I” despido de preconceitos e expõe-se, fundindo-se numa explosão telúrica. O homem chega à essência de si mesmo, através do movimento. Prémio de interpretação do júri internacional do Festival de Valladolid, Espanha, em 2009.
 
«Ninguém tem um nome. Eu sou apenas movimento».
 
Casa-Abrigo – Circolando
Um concerto encenado para uma orquestra de instrumentos inventados, uma projecção-video e um percurso por vários quartos-instalação conduzem-nos através da interpretação própria dos Circolando sobre o tema “Casa”. Lugares refúgio do sonho e de todos os que decidiram viver fora do mundo.
 
«Velhas casas abandonadas, que a natureza aos poucos abraçou. Casas feitas de um tempo suspenso, próximo da eternidade».
 
At Once – Coreografia de Deborah Hay
Na sequência de uma residência artística na Escócia, a coreógrafa norte-americana Deborah Hay transmite aos participantes o guião de um solo e a prática de performance da sua investigação em dança, e deixa o desafio para que cada um adapte o solo através de uma prática pessoal. Margarida Bettencourt e Ana Mira apresentam no FIAR XI as suas adaptações de At Once, no espaço singular da Adega Tomé.
 
«Interessa-nos o confronto e o eco da relação entre o lugar escolhido e os dois solos, para além da proximidade com as pessoas».
 
 
Melte – Ana Rita Teodoro
Neste projecto, a bailarina e professora Ana Rita Teodoro explora a possibilidade de o corpo humano “escorrer”, transformando-se noutra matéria, sem os contornos anatómicos que conhecemos. Uma nova percepção do ser, que religa o corpo ao espaço envolvente.
 
«Num movimento contínuo, sem princípio, sem fim, entre as pedras articuladas, deixo-me escorrer muito a pique…»

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