Póvoa de Varzim, Sociedade

Aprendizagem, iniciativa e optimismo – a receita para uma vida profissional de sucesso – P. Varzim

 Não ser comodista e apostar na formação ao longo da vida foram as duas ideias que ontem à tarde, no Diana Bar, deram a tónica ao seminário “Formação ao Longo da Vida: um imperativo para a empregabilidade”, inserido na programação do 7º Fórum de Saídas/Formação e Opções Profissionais (FSFOP). Quase centena e meia de pessoas participou nesta sessão.
Luís Diamantino, Vereador do Pelouro da Educação, deu início aos trabalhos, resumindo o objectivo do Fórum como um esforço, por parte da autarquia, de informar e falar de formação. Apelando aos jovens para que não se acomodem, para que sejam “ criativos”, o Vereador partilhou com a audiência uma frase de Mia Couto, imortalizada no livro Jesusalém “Quem tem medo da infelicidade nunca chega a ser feliz”.
Também para dar as boas-vindas aos presentes, Ema Gonçalo, Directora Regional Adjunta da DREN, e José Manuel Castro, Subdelegado Regional no Norte do Instituto de Emprego e Formação Profissional, não deixaram de elogiar o objectivo nobre do Fórum, que, acreditam, contribui para que surjam novas perspectivas para o futuro.
Seguiu-se a primeira mesa de debate, moderada por Andrea Silva, Vereadora do Pelouro da Acção Social. Explicando que esta mesa contava com a participação de quatro jovens “que ao longo da sua vida, pela sua atitude empreendedora, foram sendo bons exemplos”, a Vereadora encontrou motivos para não temer o futuro. “Afinal, os jovens ainda são a esperança e com estes jovens não tenho medo do futuro”.
E foram mesmo exemplos de perseverança e esforço os que se ouviram. Ana Sofia Pinho tirou um curso de gestão e imaginava que, quando terminasse, uma empresa de topo a viria buscar e ela iria ser profissional de sucesso. Mas com o fim do curso agarrou a oportunidade de assistir, no Centro de Emprego, a uma sessão informativa sobre como criar o seu próprio negócio. Assim nasceu a sua loja de pronto-a-vestir, a que se foram juntando outras. “Arrisquei”, resumiu, “não fiquei em casa à espera que aparece a empresa de sucesso à procura de uma gestora”. Por isso acredita que é “imprescindível” a formação e “fundamental” o não ficar de braços cruzados.
Já Bruno Silva tem a agradecer ao Fórum o facto de ter ficado a conhecer a Casa Escola Agrícola Campo Verde, onde tirou um curso de Mecânica Automóvel. Estagiou numa empresa onde ficou a trabalhar mas o desejo de saber mais levou-o de novo à mesma escola, onde, em três anos, tirou um outro curso, de Mecatrónica. E foi de novo acolhido pela primeira empresa, sinal “de que o meu trabalho lhes agradava e motivo de orgulho para a Casa Escola pois tinha mais um formando de sucesso”. Nunca deixando de elogiar a escola pelo acompanhamento que dá aos formandos mesmo após estes terminarem o seu curso, Bruno Silva contou que, estando há cinco anos a trabalhar no ramo, decidiu, entretanto, abrir o seu próprio negócio, contando com a ajuda do IEFP e da Casa Escola Agrícola. 
A mesma escola frequenta Pedro Soares, no curso de Hotelaria. Explicando que este é um curso que alia aulas e estágio, estando já a trabalhar na área, afirmou que esta experiência lhe permite conhecer novas pessoas e, quem sabe, poderá conhecer novos lugares, já que a sua aposta passa por, no futuro, desempenhar a sua profissão a bordo de cruzeiros.
Com 33 anos, João Moura passou 13 da sua vida profissional a trabalhar para uma companhia aérea no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, depois de tirar o curso de guia intérprete. Fez de tudo, frequentou todas as formações que pôde e foi subindo na carreira. Mas, há um ano atrás, a companhia para que trabalhava saiu do Porto e com isso veio o desemprego. Mas não durou muito. “Estive desempregado um mês. Informei-me e avancei com a empresa de animação turística. Não foi fácil mas nada me fez desistir”. Um sonho cumprido por um homem que apontou a disponibilidade para aprender e a polivalência como trunfos no mercado de trabalho. “Mais vale ser aprendiz de muitos do que mestre de poucos”, parafraseou.
A formação ao longo da vida foi o mote da segunda mesa. Isabel Gomes, formadora na área de Educação e Formação de Adultos e responsável pelo Gabinete de Inserção Profissional da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, explicou que “a formação tem vindo a adquirir um papel cada vez mais preponderante”, ou não tivesse ela uma directa relação com a competitividade, a produtividade e o desenvolvimento económico. A mesma ideia defendeu Joaquim Luís Coimbra, Professor Associado da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação (FPCE) da Universidade do Porto e Coordenador do Centro de Desenvolvimento Vocacional e Aprendizagem ao Longo da Vida na FPCE da Universidade do Porto. “Cada vez mais temos que ser sensíveis à aprendizagem” até porque permite um futuro melhor. “O mundo é mais exigente, mais complexo”, analisou, “se não fizermos nada, nada nos acontece em termos de oportunidades”. O espírito de iniciativa e a autonomia (a subsídio-dependência foi criticada), foram qualidades que defendeu, aliadas à persistência e ao optimismo. E disse ainda que não se trata de descobrir uma vocação, trata-se, isso sim, de “construir caminhos”.
Para José Manuel Castro o termo “empregabilidade” é “horrível”. Uma etiqueta que se coloca nas pessoas, fruto das sua relação com o mercado de trabalho. Agora, defendeu, não faz sentido a “lógica da carreira”, um emprego para toda a vida. Hoje, é a construção contínua de carreiras que é importante, sendo que essa construção tanto pode passar pelos ciclos de qualificação como pelo voluntariado, pelos estágios, entre outros. 
O FSFOP continua até 9 de Maio, por entre mesas de debate, sessões informativas e demonstrações práticas. No portal municipal pode encontrar informações sobre o programa assim como imagens relativas às últimas actividades realizadas, entre elas a demonstração do Grupo Cinotécnico da Polícia de Segurança Pública (PSP), na Escola EB 2/3 Cego do Maio. Perante centenas de alunos, a equipa exibiu uma série de exercícios onde o cão pastor alemão foi estrela. Com esta actividade, a PSP pretendeu não só dar a conhecer uma possível profissão, como também aproximar-se à comunidade. Exercício semelhante será feito pelo Grupo Cinotécnico da Força Aérea Portuguesa, a 7 de Maio na EB 2/3 de Aver-o-Mar, às 10h00, e 9 de Maio, no Largo do passeio Alegre, no âmbito da Mostra Informativa que começa já no dia 5.
Todos estão convidados a participar nesta 7ª edição do Fórum que é dirigida não só ao público escolar como também a todos aqueles para quem a aposta na formação é algo imprescindível.

Artigo AnteriorPróximo Artigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *