Braga, Sociedade

Caminhada na Via Romana XVII no Dia dos Monumentos e Sítios – Braga

A Câmara Municipal de Braga antecipa para sábado (17) a comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que se assinala oficialmente a 18 de Abril, promovendo uma caminhada orientada ao longo do troço inicial da via romana XVII, no caso, entre a cidade de Braga e o concelho fronteiro da Póvoa de Lanhoso.
A participação nesta caminhada está sujeita a marcação prévia, que pode ser efectuada junto do Gabinete de Arqueologia da Câmara Municipal de Braga (253 203 150 ou arqueologia@cm-braga.pt).
A proposta feita pelo Município, através dos serviços tutelados pelo Vereador Hugo Pires, tem em conta o tema definido par este ano pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios: “Património Rural/Paisagens Culturais”.
«Com a evocação deste dia pretendemos potenciar a ligação das várias realidades do património local, regional, nacional e internacional; no caso de Braga, queremos que sirva para divulgar também a riqueza e diversidade do nosso património local e o usufruto que, dois mil anos depois, nos pode ser proporcionado por um caminho romano, aliás uma bela paisagem cultural», justifica Hugo Pires.
A Via XVII integrava, à época, a vasta rede viária iniciada por Octávio Augusto destinada a ligar os núcleos urbanos mais importantes entre Braga (Bracara Augusta) e Astorga (Asturica Augusta), facilitando o transporte das riquezas naturais (produtos mineiros e agrícolas) exploradas nos mais recônditos territórios do vasto Império Romano, designadamente na Província da Galaecia, de que Braga era sede.
Ao promover a divulgação dos usos e costumes romanos (língua, religião, gastronomia, desportos, etc.), este importante eixo de comunicação foi, não só responsável pelo incremento do comércio de bens e da mobilidade de pessoas, como também propiciador da uniformização cultural de populações distantes e heterogéneas.
No sentido Braga/Astorga, a primeira parte da Via XVII atravessa, a uma cota de 400 metros de altitude, a Serra do Carvalho, dirigindo-se para o lugar do Pinheiro, onde se abre uma portela que liga o vale do Cávado ao rio Ave. Ao longo deste traçado conservam-se ainda vários tramos de calçada de boa qualidade.
Apesar dos muitos marcos miliários localizados, o traçado principal desta Via XVII ainda hoje suscita muitas dúvidas, o que é motivado tanto pelas variantes equacionadas como pela incerteza sobre a localização das “mansiones”. O recente levantamento da via no âmbito do projecto “Vias Augustas” está, contudo, a trazer novas informações sobre o trajecto.
Nos alicerces da enfermaria do Hospital de São Marcos foi identificado um miliário que se admite relacionado com esta via, tal como a necrópole de São Lázaro, nos terrenos da Santa Casa da Misericórdia.
A via XVII deveria partir de próximo do Largo Paulo Orósio, antigo Forum, seguindo pela Rua do Alcaide, Rua do Anjo, passando depois pela grande necrópole, que compreendia todo a área do actual Largo Carlos Amarante, continuava pela Igreja de São Vítor, Rua dos Congregados, antiga Cangosta da Palha e Avenida da Liberdade, onde recentemente foi escavado um troço da via sob o antigo edifício dos “Correios de Portugal”.
Hoje é necessário seguir pela Rua de São Marcos, Avenida Central, Rua de São Vítor, Rua Padre Manuel Alaio/Largo do Orfeão – onde, na Quinta das Goladas – foi localizado um miliário da milha I dedicado a Tibério; daí acompanha a margem direita do rio Este pela estrada velha paralela à EN 103, rumo à Serra do Carvalho.

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