Cultura, Póvoa de Varzim

Histórias de África para saborear em novo livro de crónicas – P. Varzim

Na noite da passada sexta-feira, 12 de Março, o Diana Bar recebeu histórias de África, reunidas em Para Além da Terra, livro de José Cavalheiro Homem, pseudónimo de Adelino José Cavalheiro Gonçalves.
O autor explicou que no livro estão editadas as crónicas sobre as suas memórias de África, que escreveu para o site Comunidade Luena. Na obra, explica, dá relevo “acima de tudo, a valores, praticados por gente simples, tão simples que dentro deles só pode existir felicidade”. Fazendo-se valer da linguagem autóctone, misturada com a língua portuguesa e termos inventados pelo próprio, o autor conta histórias de vida. “Na essência estamos a falar de seres que vivem, que sofrem e nesta história apercebem-se que a felicidade anda no mesmo sítio que o suicídio. Ambas vivem implacavelmente juntas”. 
Margarida Fernandes levantou um pouco mais o véu sobre o livro, explicando que os 55 contos que compõem Para Além da Terra são quase todos contados na primeira pessoa, ainda que não tenham sido, de facto, vividos pelo autor. “A Terra Mãe é pintada, cantada e chorada nesta obra”, explicou, encontrando como temas a política, o racismo, a (des)organização social. “José Cavalheiro Homem cria um narrador que ora descansa nas descrições ora avança no meio das intrigas”, disse, referindo ainda a “linguagem popular” do livro ou a “luz quente de África” que irradia.
E se a Margarida Fernandes coube falar do livro, a Ângelo Vaz, pintor, coube falar do autor, que conheceu nas aulas de pintura que ministra. Assim, o Mestre conheceu primeiro a vertente de pintor do autor e só depois a sua faceta de escritor. “Surpreendeu-me pela positiva”, afiançou. “O José Cavalheiro Homem é natural de Luena, Angola, e é uma pessoa ligada ao céu, pois é controlador de tráfego aéreo. Reside na Póvoa de Varzim desde 1993 mas também está ligado ao Alentejo, local onde aproveita para reflectir e descansar. E escolheu o Alentejo porque lhe faz lembrar a sua terra natal, Luena”. Antes de ler duas das 55 crónicas do livro, Ângelo Vaz avisou: “este livro não é para ser lido, é para ser saboreado”.
José Cavalheiro Homem é também autor de M’Africando e Trilhos, obras que já apresentou na Póvoa de Varzim.

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