Cultura, Oliveira de Azeméis

Livro homenageia os resistentes anónimos à segunda Invasão francesa – Oliveira de Azeméis

«Os Mártires da 2ª Invasão Francesa entre Douro e Vouga» é o título do mais recente livro de Samuel de Bastos Oliveira. A obra é uma homenagem aos mortos anónimos de 13 municípios.

«É um livro que documenta o povo simples que, do Douro ao Vouga, enfrentou as investidas dos soldados franceses», resumiu o autor.

Samuel de Bastos Oliveira sublinhou que quis contrariar o modo habitual de fazer história, que quase sempre ignora os mais humildes.

«A história é sempre laudatória dos grandes; dos que comandam à distância», afirmou, realçando que regra geral, os livros históricos dão destaque aos reis, aos nobres, aos generais, «aos descobridores», ignorando «a heroicidade do povo».

Em «Os Mártires da 2ª Invasão Francesa entre Douro e Vouga», o historiador amador de Fajões – docente aposentado – apresenta os actos de «gente do povo», além de «um ou outro clérigo» ou militar. Gente que pagou com a vida a decisão de enfrentar o exército napoleónico comandado pelo marechal Soult que, em Março de 1809, invadiu o nosso país pela segunda vez.

O livro é fruto de uma pesquisa que se embrenhou na «bibliografia disponível e nos assentos paroquiais dos seguintes concelhos: Gaia, Castelo de Paiva, Espinho, Santa Maria da Feira, Arouca, Ovar, S. João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, Murtosa, Estarreja, Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga. Um trabalho realizado em cerca de 160 freguesias.

«Foi como procurar agulha em palheiro», referiu Samuel Oliveira.

O escritor realçou que a obra dá para constatar «o terror que esta Invasão causou». Salientou que «o povo fugiu para as montanhas», abandonando as suas casas e destruindo ou levando tudo o que pudesse ser usado pelos franceses como auxílio para a campanha militar.

«O povo e o clero fugiram e havia freguesias que nem tinham padres para os funerais», relatou.

A obra também aborda episódios bem conhecidos da II Invasão francesa, nomeadamente a morte pela resistência portuguesa de um oficial das forças invasoras, que levaria, depois, à retaliação gaulesa sobre Arrifana, com o episódio dos «quintados» e dos «Mártires de Arrifana».

Samuel de Bastos Oliveira tem outras obras publicadas, em áreas que vão da literatura à história, passando pelas instituições da vila de Fajões.

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