Santa Maria da Feira, Sociedade

Indicação Geográfica Protegida vai acabar com imitações da fogaça – Manuel Cavaco – Sta. Maria da Feira

O selo de Indicação Geográfica Protegida vai ajudar a erradicar a falsificação da fogaça, garantiu o presidente do Agrupamento de Produtores Artesanais de Fogaça da Feira (APAFF), Manuel Cavaco.

«Quando recebermos a protecção geográfica, as imitações vão desaparecer, pois a contrafacção é o maior flagelo da fogaça», disse à EDV Informação Manuel Cavaco.

Com a Indicação Geográfica Protegida, «o processo de fabrico será uniformizado e não pode ser feito fora do concelho de Santa Maria da Feira», sublinhou, esperando que o reconhecimento oficializado pelo Governo chegue em breve. «O ideal seria esta quarta-feira, precisamente no dia da Festa das Fogaceiras, mas se não for, acreditamos obtê-la no máximo dentro de um mês», referiu.

Os produtores de fogaça estão determinados a seguirem o processo de fabrico original e querem continuar a luta pela qualificação deste secular produto.

«O agrupamento conta actualmente com 19 associados, mas há outros tantos produtores que ainda não aderiram», afirmou.

Criado em 2005, O APAFF é uma estrutura que surgiu da Confraria da Fogaça.

Água, fermento, farinha, ovos, limão, manteiga, canela, açúcar e sal são os ingredientes, mas o segredo está na forma como a massa é trabalhada e na temperatura ideal para a cozedura.

O doce é o «protagonista» da Festa das Fogaceiras – considerada uma das manifestações culturais e religiosas mais importantes do país – que decorre todos os anos a 20 de Janeiro.

As «Fogaceiras» chegaram até aos nossos dias com dois traços essenciais: a realização da missa solene, com sermão, precedida da bênção das fogaças, celebrada na Igreja Matriz, e a procissão, que sai da Igreja Matriz, percorrendo algumas das principais ruas da cidade.

Na procissão as atenções recaem sobre as meninas fogaceiras, provenientes de todo o concelho, vestidas e calçadas de branco, cintadas com faixas coloridas, que levam à cabeça as fogaças do voto, coroadas de papel de prata de diferentes cores, recortado com perfis do castelo.

A festa teve origem num voto ao mártir S. Sebastião, em 1505, altura em que a região foi assolada por um surto de peste que dizimou parte da população. Em troca de protecção, o povo prometeu ao santo a oferta de um pão doce chamado fogaça.

S. Sebastião, que segundo a lenda padeceu de todos os sofrimentos aquando do seu martírio em nome da fé cristã, tornou-se, assim, o santo padroeiro do então condado da Feira.

No cumprimento do voto, os ofertantes incorporavam-se numa procissão que saía do Paço dos Condes e seguia pela Igreja do Convento do Espírito Santo (Lóios), onde eram benzidas as fogaças, divididas em fatias, posteriormente repartidas pelo povo.

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