Educação, Póvoa de Varzim

Realidade e mito de D. Afonso Henriques retratada pelos alunos – P. Varzim

O entusiasmo, a criatividade e a energia dos jovens alunos marcaram as comemorações dos 900 anos sobre o nascimento de D. Afonso Henriques, que a EB 2/3 de Rates celebrou hoje. A actividade, à qual assistiu Luís Diamantino, Vereador do Pelouro da Educação da Câmara Municipal, contou com o empenho de dezenas de alunos do 5º ano que, aliando o conhecimento à diversão, organizam duas exposições, uma sessão de teatro e até uma opereta. Geraldo Coelho foi o convidado de honra da comemoração, ao professar uma palestra sobre a Idade Média.
Desenvolvida pelo Grupo de História e Geografia da escola, com o apoio do Museu Municipal, o plano de comemorações teve um objectivo pedagógico, ao contribuir para que todos aprendessem um pouco mais sobre as origens de Portugal fora do ambiente da sala de aula.
 
“Era uma vez um rei” deu título à peça de teatro apresentada pelos alunos do 5º C, que discorreu sobre a vida de D. Afonso Henriques, desde muito pequeno, altura em que dizia “Hei-de ser um rei”, passando pela sua educação com Egas Moniz, que não só lhe ofereceu bons conselhos mas também uma espada. “Destemido, atrevido e valente” o ainda Infante tinha um sonho – “ter coragem para criar o Reino de Portugal”. De batalha em batalha, desentendendo-se com a sua mãe D. Teresa, o fim da história é bem conhecido de todos: D. Afonso Henriques torna-se de facto rei e, a pouco e pouco, expande o território português. Um final feliz, comum a todas as histórias de príncipes e princesas, a que os jovens “actores” decidiram juntar um ingrediente não tão comum: a peça de teatro acabou com um muito bem ritmado rap.
 
E porque o desejo de saber mais aguçava a curiosidade de todos os alunos, Geraldo Coelho, historiador licenciado em Teologia, em Roma, e doutorado do Curso de História, pela Faculdade de Letras, partilhou com todos o seu vasto conhecimento sobre a Idade Média. E começou por referir a relação existente entre Rates e D. Afonso Henriques já que o pai deste, Conde D. Henrique, reconstrui a Igreja de Rates, até aí entregue a uma comunidade monástica, e ofereceu-a aos Beneditinos. A pouco e pouco, esta ordem religiosa, originária de França, vai-se expandido por toda a região de Entre o Douro e Minho, fundando 22 mosteiros. Apesar do desagrado do Arcebispado de Braga, D. Afonso Henriques, por volta de 1045, renova os bens e privilégios que o seu pai tinha doado ao agora Mosteiro de Rates.
Feito este enquadramento, o historiador centrou-se na figura de D. Afonso Henriques, “uma figura histórica, sem dúvida nenhuma, mas cuja existência tem sido vista pelo prisma da lenda e do mito”. Certo é que D. Afonso Henriques casou com D. Mafalda, que em dez anos de casamento lhe deu dez filhos. As suas heróicas acções conquistadoras contra Mouros, Leoneses e Castelhanos são também factos, assim como a sua decisão de entregar o poder ao seu filho D. Sancho I após a Batalha de Badajoz, em 1169. Não restam dúvidas também acerca do seu fervor em fazer do Condado Portucalense um novo país, independente, algo que consegue em 1143, após o reconhecimento de D. Afonso VII de Leão e Castela. Em 1178 é a vez de o novo reino ser reconhecido pelo Papa Alexandre III. 
 
Mas boa parte da vida do 1º Rei de Portugal permanece um mistério. Não se sabe a data de nascimento e até o local suscita dúvida – durante muitos anos julgou-se Guimarães como berço do país e do rei. José Matosos, historiador e companheiro de estudos de Geraldo Coelho, lançou recentemente um livro onde defende a tese de que D. Afonso Henriques nasceu em Viseu, apontando a data de 5 de Agosto de 1109. O próprio Geraldo Coelho descobriu um documento que lhe aponta outro local: Coimbra, onde D. Teresa permaneceu em Julho de 1109, pouco menos de um mês antes do nascimento do filho. Geraldo Coelho defende que tal condição a impediria de viajar para Viseu. “Não posso aderir à tese de José Matoso, é preciso investigar mais”, defendeu. “A vida do nosso rei está envolvida numa nebulosa que a História procura evidenciar”, explicou, “mas não podemos deixar de ter presente a sua heroicidade a sua portugalidade”, concluiu.
 
No final, uma opereta percorreu “Os castelos de D. Afonso Henriques”. As turmas do 5ºE e do 5º G interpretaram vários temas musicais, espelhando também os vários géneros de música típicos do nosso país, e contaram as histórias dos castelos de Guimarães, de Leiria, de Almourol, de Coimbra, de Palmela, entre muitos outros, que ainda hoje fazem parte do nosso património histórico e cultural.
 
“D. Afonso Henriques é tão grande que chega para este Portugal que é de todos nós”, resumiu Luís Diamantino, no encerramento da sessão, referindo-se à polémica do local natal de D. Afonso Henriques. Agradecendo o empenho dos alunos e reconhecendo a qualidade do espectáculo apresentando, o Vereador lançou o desafio: fazer nova apresentação, ainda este Natal, mas para todos os poveiros, no Museu Municipal.

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