Cultura, Santo Tirso, Sociedade

“A cultura é um factor importante de democracia e, por isso, várias autarquias despertaram para essa realidade” – Santo Tirso

Foram dois dias dedicados ao debate da “Cultura e da Contemporaneidade”, o tema das 23ªs Jornadas Culturais de Vila das Aves, organizadas pela Câmara Municipal de Santo Tirso e que decorreram no passado fim-de-semana e que, segundo palavras da coordenadora desta iniciativa, Manuela de Melo, “são palavras que fazem parte de nós”. Na cerimónia de abertura, sexta-feira (dia 30), Manuela de Melo coordenou uma conferência sobre o tema central das jornadas e onde defendeu que “se há uma palavra que pode definir tudo o que estamos a viver é a globalização”. 

Castro Fernandes, presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso, sublinhou que a autarquia “está sempre disponível a delegar competências e apoiar a dinâmica que a comunidade souber e desejar criar, na área da cultura; desde que estas instituições assumam as responsabilidades desta dinâmica, partilhando os encargos do serviço público e a ambição na sua concretização”. Para além do autarca e da coordenadora das jornadas, estiveram na mesa da presidência da cerimónia de abertura (foto) a Vereadora da Cultura, Júlia Godinho, o Director do Centro Cultural de Vila das Aves, Nuno Olaio, o Presidente da Junta de Freguesia de Vila das Aves, Carlos Alberto Carvalho Fernandes, e o Padre Fernando Abreu, mentor desta iniciativa e organizador das 20 primeiras edições das Jornadas Culturais. 

“Cultura, Democracia e Desenvolvimento”, “Políticas Culturais Autárquicas” e “Inovação e Criatividade – Desafios do Presente” foram os temas dos três painéis que permitiram explorar questões como a criatividade no ensino, nas autarquias e na indústria e a definição de programas culturais. No final de cada painel, foram apresentados exemplos tirsenses que resultam da aplicação e junção dos conceitos em destaque nas jornadas – ARTAVE, Museu Internacional de Escultura Contemporânea e iMOD – Inovação, moda e design. 

Na sua apresentação, Manuela de Melo explicou que “através dos media, da televisão, da internet, todas as visões do mundo estão em nossa casa. Até em casa somos invadidos pelo mundo dos outros. Isto decorre da globalização. Mas isto não é bom nem mau. Existe e é ambivalente. É preciso é que haja um certo equilíbrio.” A coordenadora salientou ainda que “os problemas para a nossa cultura não são as outras culturas mas os subprodutos culturais que são massificados”. “Fala-se muito que a indústria só terá futuro se inovarmos, estamos a falar de inovação e cultura. Para sobrevivermos, temos que estar nesse mundo e saber viver nele.” Salientando que “em Santo Tirso há vários exemplos desta actividade artística”, Manuela de Melo defende que o “acesso à cultura é cada vez mais um imperativo democrático.” “Só conhecendo temos oportunidade de optar; para optar, é preciso conhecer diferentes opções”, esclareceu. 

“O acesso à cultura é um importante factor de aperfeiçoamento de democracia e, por isso, várias autarquias despertaram para essa realidade”, defendeu a coordenadora destas 23ªs jornadas sublinhando que, em Portugal, “finalmente os municípios perceberam que é tão importante ter um cine-teatro como um acesso ou uma fonte”. “Tenho conhecimento”, adiantou, que “em Santo Tirso isso já acontece”. 

Manuela de Melo, licenciada em Biologia e com um percurso que passa pela vereação na Câmara do Porto, pelo jornalismo na RTP e pela função de deputada, conclui a sua conferência destacando “o risco de perdermos a nossa cultura para a globalização”. Em resposta, defende que todos “devem aprender mais para que se possam desenvolver e valorizar os nossos valores”. 

No sábado, dia 31, o segundo dia das Jornadas Culturais arrancaram pelas 14h15 com as intervenções de Elvira Leite (Consultora da Fundação de Serralves), Helena Miguel (directora da Escola Secundária D. Afonso Henriques) e José Alexandre Reis (Director ARTAVE) que apresentou o projecto e o seu crescimento e destaque ao nível local e nacional. Helena Coutinho (directora da Direcção Regional de Cultura do Norte) moderou este painel subordinado à “Cultura, Democracia e Desenvolvimento”. A importância da criatividade na escola e no ensino assim como o destaque que o poder local atribui à cultura foram as conclusões chave destas participações. “Queremos jovens mais críticos. É preciso que sejam dotados de meios que lhes permita escolher”, defendeu Helena Coutinho.

Elvira Leite deixou um conselho: “ser-se aprendiz para toda a vida”. “Todos podemos aprender mais”, sublinhou a Consultora da Fundação de Serralves, defendendo que “é urgente partilhar; criar espaços; democratizar-se a escola, a cultura”. 

O segundo painel, dedicado às «Políticas Culturais Autárquicas», moderado por Júlia Godinho (Vereadora da Cultura, Município de Santo Tirso), contou a presença de José Ferreira Nobre (Director do Departamento de Acção Social e Cultura do Município de Guimarães), Carlos Martins e Paula Aleixo (consultores na área da cultura) e Álvaro Moreira (Director do Departamento da Cultura, Município de Santo Tirso) que apresentou o Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso. Carlos Martins, consultor e responsável pelo projecto “Guimarães Capital Europeia da Cultura 2012” destacou a “importância política da cultura”, defendendo que ela deve “ser interligada com outras áreas como a educação, turismo, urbanismo…devido à sua transversalidade”. Paula Aleixo encontrou na “dinâmica” a palavra-chave para o desenvolvimento uma vez que “não basta dotar de infra-estruturas” mas “temos que apelar a uma urgência de aceitação do conceito de rede (de infra-estruturas e de programas)”, esclareceu. “Sem insistência e sem preocupação em cativar novos públicos é muito difícil atingir resultados”, rematou José Ferreira Nobre. 

As 23ªs Jornadas Culturais terminaram com um painel, moderado por Victor Baltazar Dias (IPJ – Centro Regional do Porto), dedicado à “Inovação e Criatividade: Desafios do Presente”. Pedro Costa (ISCTE), Jorge Cerveira Pinto (Agência INOVA) e Leonel Moura (Embaixador Português do Ano Europeu da Inovação e Criatividade) e Elisa Babo (Quartenaire Portugal) debateram a importância e integração do conceito “criatividade” e, essencialmente, a sua transversalidade e, consequentemente, aplicação em áreas tão distintas como a indústria, a cultura, o ensino, etc. “A questão fundamental das cidades criativas é a criatividade” rematou Leonel Moura. 

O objectivo destas 23 ªs Jornadas Culturais de Vila das Aves – que culminaram com um recital apresentado pela ARTAVE – foi tentar perceber a relação existente entre os dois conceitos – cultura e contemporaneidade – quando se comemora o Ano Europeu da Inovação e Criatividade.  

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