Cultura, Santa Maria da Feira

Viagem Medieval recria assalto a um acampamento militar numa guerra feudal – Sta. Maria da Feira

O assalto ao arraial é um dos espectáculos que diariamente poderão ser vistos, às 23:30, na XIII Viagem Medieval, a decorrer em Santa Maria da Feira até domingo.

Pela calada da noite, tropas de um senhor feudal atravessam o rio Cáster, no sopé do monte encimado pelo Castelo da Feira, para atacar o arraial (acampamento) de um outro senhor da guerra, ilustrando assim uma das muitas guerras privadas que os poderosos da Idade Média travavam entre si.

Na recriação, participam seis dezenas de actores e figurantes, muitos deles especialistas nas artes da guerra da época, o reinado de D. Afonso IV, em pleno século XIV.

A encenação do «Assalto ao Arraial» está a cargo do grupo profissional de recriação histórica militar «Espada Lusitana», de Lisboa, dirigido por João Maia, 39 anos, professor de esgrima e mestre de armas especialista em recriação histórica.

«É uma actividade que exige, além da aprendizagem, um treino constante, já que encenar estas lutas é extremamente exigente do ponto de vista físico, dado o peso do equipamento, são mais de 25 quilos, fora a espada», disse João Maia, em declarações à Lusa quando se preparava para o ensaio geral do assalto.

Exige ainda um grande esforço de pesquisa histórica, em múltiplos aspectos, nomeadamente no que respeita ao guarda-roupa.

O grupo Espada Lusitana fundado em 2002, dedica-se à recriação do quotidiano dos homens de armas e dos civis (nobres, cavaleiros, lanceiros, besteiros, etc.), tendo como primeiras preocupações «o rigor histórico, a segurança de todos os participantes e proporcionar um espectáculo educativo e divertido ao público», disse João Maia.

É uma ocupação a que João Maia dedica todo o tempo que a leccionação da esgrima lhe deixa livre.

No caso específico da recriação escolhida para esta XIII Viagem Medieval, evento em que o grupo Espada Lusitana participa há vários anos, João Maia explica que o objectivo é «reconstituir a brutalidade da guerra medieval».

«A qualquer momento uma povoação podia ser assaltada e saqueada, as suas mulheres podiam ser violadas ou raptadas, era uma época sem lei nem ordem em que reinava a absoluta arbitrariedade da força e o perigo espreitava a cada momento», afirmou João Maia.

O grupo Espada Lusitana participa anualmente em mais de 30 festivais medievais – a maior parte dos quais em Portugal – recriando conflitos de todos os tempos, mas com especial incidência nos períodos em que as espadas são o elemento preponderante, ou seja, desde o tempo da Antiguidade Clássica até ao período do Renascimento.

Todos os elementos do grupo praticam esgrima histórica e artística na Sala de Armas da Liga dos Combatentes no Forte do Bom Sucesso, na Praça do Império, junto à Torre de Belém, em Lisboa.

Na Viagem Medieval, os elementos do grupo participarão também em diversas animações e espectáculos distribuídos pelo recinto do festival que ocupa, praticamente todo o centro da cidade e o morro do Castelo da Feira.

O tema deste ano é o reinado de D. Afonso IV, que levará o previsto cerca de meio milhão de visitantes da XIII Viagem Medieval até ao século XIV.

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