Matosinhos, Sociedade

Reabertura do Museu da Quinta de Santiago assinala 25º aniversário da elevação de Matosinhos/Leça a Cidade

Dia 28 de Junho, o Museu da Quinta de Santiago reabriu ao público. O dia foi, por isso, de festa. Pela reabertura, pela inauguração do Espaço Irene Vilar e pela comemoração dos Dias da Cidade de Matosinhos/Leça que, registou o seu 25º aniversário.

O programa preparado pela autarquia para esta Reabertura foi extenso e diversificado, atraindo ao Museu centenas de pessoas que se deixaram envolver pela beleza dos jardins, pela magnífica vista sobre a cidade e pelo clima festivo resultante desta inauguração que resultou num um evidente e aclamado upgrade, deste espaço museológico tão importante do concelho de Matosinhos.

Esta Reabertura oficial teve início pelas 16 horas, com uma visita guiada ao Museu, destacando-se a exposição documental dos esquiços do Arqº  Nicola Bigaglia, no Salão Luis XVI e a exposição fotográfica dos trabalhos de restauro, na Sala de Jantar.

A Sala do Piano foi dedicada às Novas Incorporações: doações de Nuno Carneiro relativas a obras de António Carneiro, da Dra. Clementina Quaresma relativas a desenhos e espólio de Agostinho Salgado, e ainda as mais recentes aquisições de obras de Augusto gomes e livros pertencentes à Biblioteca de João Tiago.

O Presidente da Câmara, Dr. Guilherme Pinto, acompanhado nesta visita pelo Vereador da Cultura, Fernando Rocha, mostrou-se visivelmente satisfeito com o resultado final da requalificação de que o Museu da Quinta de Santiago foi alvo.

O Museu da Quinta de Santiago é um espaço museológico da autarquia que tem por missão a preservação da Memória da cidade, particularmente das profundas transformações urbanas, sociais e económicas decorrentes do processo industrial e do desenvolvimento portuário de Leixões.

Para atingir tal desiderato, o museu socorre-se, não só do próprio edifício no qual se encontra instalado, mas alicerça-se também na arte, nomeadamente (embora não de um modo exclusivo) nas telas de três testemunhas privilegiadas desses acontecimentos: António Carneiro, Augusto Gomes e Agostinho Salgado. 

Aberto ao público em 1996 pela autarquia, o museu esteve encerrado para obras de restauro e ampliação de espaços desde Agosto de 2007.

Numa primeira abordagem o Museus da Quinta de Santiago é, com efeito, um espaço de memória do que foi a vida de uma família aristocrática e burguesa em Leça da Palmeira na mudança do século XIX para o XX – numa época em que Leça era um dos mais famosos destinos de férias do Norte do país, e palco de encontro privilegiado de janotas, poetas, escritores e pintores.

A partir do final XIX, e com a construção do porto de Leixões, todo esse mundo bucólico das margens do rio Leça começa a desaparecer. As rápidas e profundas mudanças urbanísticas e sociais operadas em Matosinhos e Leça que então têm lugar e se prolongarão ao longo do século XX, serão registadas nas telas de pintores visceralmente identificados com a cidade, como foi o caso de Agostinho Salgado e Augusto Gomes.

Apesar da qualidade de construção do edifício, projectado pelo Arqº Nicola Bigagglia, bem como da recuperação realizada há cerca de 10 anos pelo Arqº Fernando Távora, refira-se que o Museu da Quinta de Santiago, em Leça da Palmeira, estava a dar alguns sinais de degradação com o passar dos anos, que importava sinalizar.

Assim, ao nível exterior, o Museu da Quinta de Santiago foi alvo de obras de arranjo da cobertura, substituição ou recuperação de caixilharias e portadas, colocação de vidros, correcção de fissuras, e pinturas de rebocos e de elementos de madeira ou de ferro.
Também no interior, este edifício teve algumas intervenções, nomeadamente, obras de recuperação de pinturas de paredes e tectos, com especial cuidado nas pinturas decorativas, recuperação de pavimentos de madeira ou mármore, desinfestação de todos os pavimentos de madeira, assim como mobiliário, remodelação de toda a rede eléctrica e recuperação de tecidos em paredes (sedas).

Neste projecto de requalificação, esteve implícita a necessidade crescente de dotar o museu de espaços alternativos para iniciativas paralelas, nomeadamente dos serviços educativos, que o crescente número de visitantes e utilizadores justificavam.

Entre os espaços novos regista-se a loja, o espaço internet, uma sala multimédia, a reformulação da cafetaria e, fora do edifício, as antigas cavalariças que vão abrigar o Espaço Irene Vilar: um espaço polivalente que inclui auditório, exposição dedicada à Escultora, e áreas oficinais para os Serviços Educativos.

De facto, um dos pontos altos do dia de ontem foi, pelas 17 horas, a inauguração deste novo espaço dedicado a Irene Vilar. Nascida em Matosinhos no ano de 1930, Irene Vilar é autora de vasta obra de escultura, medalhística, numismática e ourivesaria, tendo feito ao município um legado de parte da sua obra escultórica em 1976. 

Depois de uma actuação do Quarteto de Cordas de Matosinhos, com obras de Cláudio Carneyro e Félix Mendelsshon, seguiu-se uma Mostra da Obra da artista no Auditório. Paa além do Presidente da Câmara, Dr. Guilherme Pinto, e do Vereador da Cultura, marcaram também presença nessa tarde festiva o Vice-Presidente, Dr. Nuno Oliveira, o Vereador da Educação, Prof. Correia Pinto, a Vereadora do Ambiente, Dra. Joana Felício e a Vereadora da Promoção Social, Dr. Luisa Salgueiro.

O Museu vai abrir com novos horários. Embora o museu esteja aberto de terça a domingo, o jardim, a loja, a cafetaria, esplanada e o auditório estarão abertos todos os dias.

Às quintas-feiras o Museu encerra apenas à meia-noite. Para estas quintas-feiras, estão programadas várias visitas guiadas, teatralizadas, às escuras, entre outros. O projecto “Salve a Língua de Camões” adapta-se também ao novo espaço e horário, passando a ocorrer nas últimas quintas-feiras de cada mês. Nesse dia da semana, a cafetaria e a esplanada estarão abertas também até à meia-noite.

Para a reabertura, o Museu da Quinta de Santiago preparou duas novas exposições de longa duração, duas temporárias, bem como reformulou a exposição de escultura patente nos jardins, onde agora se podem encontrar esculturas, espreguiçadeiras e baloiços suspensos.

O “Museu faz Saber” conta este ano com cursos de Teatro, Figurinos e Música para Teatro, para crianças e adultos, Pintura e Desenho, Jardinagem, Desenho para crianças dos 4 aos 6.

Imediatamente a seguir à reabertura do Museu, inicia-se o “Aprender com Arte”, iniciativa com mais de uma década de existência e destinada à ocupação dos tempos livres das crianças durante as férias. No primeiro domingo de cada mês, o Museu vai receber as famílias, promovendo ateliês a elas dedicados. Vai também continuar a realizar Festas de Aniversário aos sábados e domingos.

Ainda no âmbito da programação da Reabertura do Museu, destaca-se o espectáculo baseado na trágica história de Inês de Castro, de Ângelo Silva, com Ana Barros, Bruno Ribeiro e José Emídio, “A História de Inês de Castro”, que decorreu pelas 18.30 horas no jardim.

À noite, pelas 21 horas, no Auditório, realizou-se um Concerto da Academia de Música Antiga Raquel Martins. Em seguida, de volta ao jardim, foi a vez de “10amor”, peça de Teatro resultante do Curso de Iniciação ao Teatro da programação de cursos do Museu.

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