Arouca, Cultura

«Arouca, uma recriação histórica»: o século XIX revivido

As monjas preparam-se para o jantar, acompanhado pela leitora-mor, e convidam-nos a participar. Mais tarde, vivem-se momentos de pânico, a que só a intervenção divina de Santa Mafalda porá fim. O Mosteiro, o coração de Arouca, está em chamas, e é preciso salvar este tesouro. É aqui que se abre a porta do tempo, para uma viagem ao passado. Junto ao Mosteiro de Arouca, camponeses e artesãos convidam-nos a apreciar o cheiro, a cor e o sabor da fruta e da doçaria conventual. Há sons de um povo que trabalha. Ferreiros, sapateiros e carpinteiros mostram as suas peças. Passam nobres, de carruagem puxada a cavalo, para visitarem familiares no Mosteiro, deixando a esmola aos mendigos. No interior do Mosteiro, as freiras tecem um silêncio devoto, por entre orações, cânticos e trabalhos, e recebem os «filhos da roda». Cerca de 200 figurantes, oriundos de 20 associações do concelho, dão vida a este regresso ao passado, com direcção artística da Panmixia. Venha fazer parte da história de Arouca.
 
Depois do êxito assinalável das edições anteriores, a Câmara Municipal de Arouca organiza pela sexta vez consecutiva, o evento «Arouca uma Recriação Histórica». Uma reconstituição do quotidiano das monjas do Mosteiro cisterciense e do seu relacionamento com a vida da população local.
 
No Mosteiro, podemos conhecer a vida das monjas, no Claustro em oração e recreio, no Capítulo em reunião deliberativa, na Cozinha a preparar receitas tradicionais, no Refeitório a cear, numa das Celas em isolamento, na porta da Caridade a praticá-la, na Roda dos Expostos a acolher as crianças abandonadas, nos Locutórios em contacto com a vida social exterior, na Botica a acumular conhecimento.
 
No Terreiro em frente, entre o Mosteiro e a Antiga Casa dos Padres, desenrolam-se actividades e situações que compunham a vida de Arouca daquele século: o ferreiro, o carpinteiro, o mendigo, o padres e os frade, o hortelão, o aguadeiro, o cego da literatura de cordel, nobres de charrette ou a cavalo para visitar monjas parentas que viviam no Mosteiro.
 
À hora do jantar, as monjas abrem-nos a porta do refeitório, para que partilhemos com elas o banquete celeste.
 
O que distingue esta recriação histórica de outras, é que a vida diária do Portugal oitocentista não é tratada como um espectáculo, ou como uma representação. O público cruza-se com as personagens vivas, e vê-se, de repente, no centro da realidade.

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