Matosinhos, Sociedade

Clima de Festa na inauguração do Centro Cívico de Santa Cruz do Bispo – Matosinhos

O Presidente da Câmara, Dr, Guilherme Pinto, inaugurou no passado sábado, pelas 11.30 horas, o Centro Cívico de Santa Cruz do Bispo. O clima foi de festa, pelo simbolismo da data, 25 de Abril, e por se tratar da inauguração da mais importante obra realizada na freguesia nos últimos anos.

Este é um investimento municipal – ultrapassa um milhão de euros – de grande envergadura, não só pela qualidade do projecto, mas também pela forte aposta na recuperação de património arquitectónico de grande importância para o concelho, como é o caso da Escola da Viscondessa, agora transformada em Museu Guilherme Thedim.

A preocupação com as acessibilidades, as áreas de estacionamento e a criação de espaços verdes esteve sempre presente ao longo desta intervenção que resultou num novo «rosto» para a freguesia. “Santa Cruz do Bispo precisava de uma mais-valia que trouxesse mais pessoas ao centro. Já no ano passado, a autarquia tinha feito investimentos cerca de 500 mil euros na requalificação do Largo da Viscondessa”, recordou o Presidente da Câmara, Dr. Guilherme Pinto.

Foram muitos os cidadãos de Santa Cruz do Bispo que fizeram questão de marcar presença neste dia tão importante para a freguesia. Lurdes Queirós, Presidente da Junta de Freguesia, estava visivelmente feliz, sobretudo porque as novas instalações da Junta de Freguesia, foram também inauguradas no sábado. Refira-se que as anteriores instalações se encontram já num estado de degradação considerável, para além de já serem manifestamente insuficientes quer em termos de espaço, quer em termos de conforto.

Além da Junta de Freguesia, o Centro Cívico vai acolher também gabinetes próprios para os serviços sociais, nomeadamente para o serviço de atendimento integrado.

Os vereadores Fernando Rocha, Prof. Correia Pinto e Dra. Joana Felício, bem como o Presidente da Assembleia Municipal, Guilherme Vilaverde, marcaram também marcar presença nesta inauguração. Também estiveram presentes os Administradores da Empresas Municipais, Eng.ª Helena Vaz (Matosinhos Sport) e Eng. Alcino Glória (Matosinhos Habit).

Este dia foi também de festa por marcar a inauguração do Museu Guilherme Thedim, nome do mais famoso santeiro de Matosinhos que teve a sua oficina exactamente nesta freguesia. O espólio do museu é constituído por materiais doados à autarquia pela família de Guilherme Thedim, incluindo dezenas de esculturas em diferentes fases do processo de produção, instrumentos e correspondência.

A génese deste projecto remonta a 2004, quando a autarquia organizou uma grande exposição sobre este famoso escultor-santeiro, autor, entre outras imagens, da de Nossa Senhora de Fátima. Na sequência desta exposição e da doação que a família fez à Câmara Municipal, resultou a necessidade de se criar um espaço expositivo permanente desta colecção, tendo de imediato sido apontadas as instalações da antiga escola da Viscondessa, bem no centro da freguesia de Santa Cruz do Bispo.

O Museu Guilherme Thedim vai dar a conhecer aos seus visitantes a conhecer não só a obra do escultor, como a evolução na concepção da arte sacra, desde o seu estado bruto até à obra final já policromada.

Vai ser possível, por exemplo, apreciar o “Mártir S. Gabriel Perboire”, uma representação de um mártir francês estrangulado na China, sacrificado na cruz por apregoar a fé cristã.

Com esta escultura, Guilherme Thedim foi galardoado na categoria de arte sacra com o 1º prémio da 1ª Exposição Colonial Portuguesa, em 1934.

O público poderá igualmente apreciar outras peças como a “Santa Ana com a virgem”, um “Menino Jesus enquanto criança”, “S. João de Deus”, “S. Lourenço”, o “Mártir S. Sebastião”, a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que tinha como destino a Austrália, entre outras.

A concepção da imagem de Nossa Senhora de Fátima esteve envolta em polémica. Há alguns anos, surgiu a tese de que Guilherme Thedim não teria respeitado os pormenores dos relatos dos videntes. No entanto, existe documentação que contrapõe esta tese, nomeadamente um inquérito sobre as aparições que Guilherme Thedim enviou à irmã Lúcia.

O escultor foi, de resto, uma das poucas pessoas autorizadas pela Igreja Católica a contactar directamente com a vidente, na década de 40. Das deslocações ao Convento de Coimbra (Carmelo de Santa Teresa) e da troca de correspondência, nasceu uma relação de amizade.

Guilherme Ferreira Thedim nasceu em S. Mamede do Coronado a 27 de Fevereiro de 1900. Depois do casamento, veio viver para Santa Cruz do Bispo e aí instalou a sua oficina, na Rua do Chouso.

Católico convicto, o mestre conviveu, desde cedo, com a escultura, por influência do avô e do pai. Foi, todavia, com o seu irmão mais velho, José Ferreira Thedim, que aprendeu o ofício e colaborou na concepção da imagem de Nossa Senhora de Fátima, que hoje se encontra exposta na Capelinha das Aparições.

A primeira obra encomendada foi um “Santo António”, a pedido do seu amigo padre Grilo. A partir daí, Guilherme Thedim iniciou uma carreira de escultor de arte sacra, produzindo imagens em madeira, terracota, pedra ançã e mármore. Os trabalhos de Guilherme Thedim estão espalhados por vários países e continentes, como Rússia, Austrália, Estados Unidos e África. Guilherme Thedim morreu em Santa Cruz do Bispo, em 1985.

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