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Governo prevê dois milhões de euros para estimular investimento de emigrantes

O Governo estima gastar nos próximos três anos cerca de dois milhões de euros para captar investimentos de empresários emigrantes para Portugal, criando nas embaixadas e consulados uma «via verde» para a entrada de projectos.

O programa Netinvest, que será apresentado sábado durante o primeiro Fórum dos Empresários das Comunidades Portuguesas, foi preparado durante dois anos em conjunto pelos ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Economia e é apontado como a «primeira política» dirigida aos empresários emigrantes.

«É a primeira vez que se realiza uma política pública», diz em entrevista à Agência Lusa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, para que «os empresários portugueses da diáspora possam conhecer melhor os empresários em Portugal, conhecer-se entre si, potenciar esse relacionamento e reconhecer em Portugal novas oportunidades de investimento e negócio».

António Braga, que foi o percursor da iniciativa, destaca o facto de o programa Netinvest colocar «toda a rede diplomatica e consular como “interface” entre estes empresários [emigrantes], os diferentes programas [de apoio ao investimento] e com o os empresários em Portugal».

Com o objectivo de atrair o investimento para Portugal (In-Invest) e apoiar a internacionalização das empresas portuguesas (Out-Invest), o programa prevê um concurso anual que premiará a instalação de firmas detidas por emigrantes em Portugal.

No âmbito deste programa, destaca António Braga, o Governo português, vai criar um balcão que será «uma via verde de relacionamento [dos empresários emigrantes] com as empresas em Portugal e com os quadros de apoio e incentivo a novos projectos, nomeadamente na área da inovação ou da internacionalização das pequenas e médias empresas».

O Balcão Netinvest, que estará sedeado na Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), focar-se-á na informação, atendimento, aconselhamento e acompanhamento dos projectos dos empresários das comunidades portuguesas.

Prevista está também a realização do encontro de negócios Netinvest, no âmbito do Fórum de Empresários das Comunidades Portuguesas, que passará a realizar-se anualmente.

O programa, refere António Braga, oferece aos empresários das comunidades portuguesas a possibilidade de acederem a fundos do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), para a realização de investimentos em Portugal.

Os empresários emigrantes poderão ainda ser financiados através de um fundo de capital de risco e de uma linha de crédito acordada com bancos e sociedades de capital de risco nacionais.

António Braga adianta que o trabalho de investigação feito na preparação do Netinvest revelou a existência em todo o mundo de «mais de 120 mil empresas propriedade de portugueses, e dessas cerca de 20 mil são grandes empresas, algumas cotadas em bolsa».

O secretário de Estado das Comunidades recusa para já estimativas sobre o volume de negócios potenciados pelo Netinvest, sublinhando que o Governo se limita a colocar à disposição dos empresários «um instrumento que capitalize para o país investimento da diáspora portuguesa», e, por outro lado, possa «dar a conhecer os empresários da diáspora entre si para que façam trocas em Português».

Cerca de meia centena de empresários, representantes de câmaras de comércio e bancos no estrangeiro participam no sábado, em Lisboa, no primeiro Fórum de Empresários das Comunidades Portuguesas.

O Fórum dos Empresários das Comunidades Portuguesas é iniciativa da Secretaria de Estado das Comunidades em parceria com a Confederação Internacional dos Empresários Portugueses (CIEP), estando previstas as presenças do primeiro-ministro, José Sócrates, e do ministro da Economia, Manuel Pinho.

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