Arouca, Educação, Sociedade

Projecto de estudantes de Arouca conquista prémio na Dinamarca

Um dos projectos portugueses apresentados no Concurso Europeu de Jovens Cientistas, em Copenhaga (Dinamarca), da autoria de três alunos, de Ovar e Arouca, conquistou quarta-feira um dos Prémios Especiais da competição, alusivo às alterações climáticas.

Ana Beatriz Moreira, da escola de Arouca, Vasco Sá Pinto e Sérgio Almeida, da escola secundária Júlio Dinis, de Ovar, são os alunos que venceram o «Pémio do Clima”.

Este foi um dos Prémios Especiais, atribuídos pelo governo dinamarquês, entregues na capital daquele país, numa cerimónia no Museu Nacional.

O projecto vencedor, um dos dois que Portugal levou à competição, que termina sexta-feira, enquadra-se na área da Biologia e intitula-se «A Ameaça Xenobiótica – Paracentrotus lividus e a Barrinha de Esmoriz”.

O trabalho, vencedor da última edição do concurso nacional Jovens Cientistas e Investigadores, da Fundação da Juventude, assenta num novo modelo de estudo para ecossistemas lagunares e estuarinos, utilizando bioensaios de toxicidade em ouriços-do-mar da espécie Paracentrotus lividus.

Através dos ouriços-do-mar, os estudantes conseguiram definir um novo modelo de biomonitorização (forma de avaliar a qualidade ambiental recorrendo a organismos vivos) para o ecossistema da Barrinha de Esmoriz/Lagoa de Paramos, analisando três poluentes.

Após receberem o diploma do prémio, os estudantes mostraram-se, em declarações à agência Lusa, incrédulos por estar entre o lote de galardoados da noite.

«Quando disseram os nossos nomes, limitei-me a levantar da cadeira, a seguir o protocolo e a receber o diploma. Só quando me sentei é que comecei a pensar que era inesperado”, confessou Vasco Sá Pinto, de 18 anos, acabado de entrar em Medicina, no Porto.

Este Prémio Especial, um dos seis atribuídos pelo país organizador da edição deste ano do concurso, enquadra-se na conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas agendada para Copenhaga, em Dezembro de 2009.

O galardão, além da importância de que se reveste para a carreira académica e profissional dos estudantes portugueses, vai permitir que participem, durante cinco dias, nessa conferência das Nações Unidas, sendo as despesas suportadas pelo Governo dinamarquês.

«A nível pessoal, é claro que este prémio só terá vantagens”, congratulou-se Vasco, interessado em permanecer ligado ao mundo da investigação científica.

Também Ana Beatriz Moreira admitiu que «não estava à espera” do prémio mas apressou-se logo a telefonar aos pais: «Já lhes contei. Também não estavam à espera e ficaram contentes”.

Agora, esta «caloira” de Ciências Farmacêuticas, que sonha um dia fazer o doutoramento e especializar-se no ramo das Neurociências, acredita que a distinção pode «abrir outras portas”, nomeadamente para continuar como investigadora.

«É o reconhecimento, de terceiros e a nível internacional, do nosso trabalho. Ganhar aqui um prémio, atribuído pelos melhores cientistas do mundo, é a prova de que o projecto tem alguma qualidade e penso que, a nível académico, pode ser muito importante”, disse.

Susana Chaves, da Fundação da Juventude, mostrou-se igualmente satisfeita pela prestação portuguesa nesta cerimónia de entrega dos Prémios Especiais.

«Este prémio é mesmo muito importante para estes jovens e para o desenvolvimento das suas carreiras”, realçou, lembrando que, em anos anteriores, Portugal também tem ganho outros prémios na competição, aos quais se junta agora este: «Prova que o talento português está no bom caminho”.

O Concurso Europeu de Jovens Cientistas, cujos Grandes Prémios são entregues hoje à noite, é tutelado pela União Europeia e reúne mais de oito dezenas de projectos, de quase 200 estudantes do ensino secundário, oriundos de perto de 40 países, entre os 14 e os 21 anos.

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