Porto, Sociedade

Governo volta a adiar investimento a Norte – Porto

Desta vez é o não cumprimento do memorando de entendimento assinado a 21 de

Maio de 2007, entre a Junta Metropolitana do Porto e o Governo, que definiu a nova

composição do Conselho de Administração do Metro do Porto e estabeleceu uma

calendarização da segunda fase das obras do metro.

Esta segunda fase previa a expansão da rede do metro do Porto através das linhas

de Gondomar, da Trofa, da zona Ocidental do Porto (Boavista) e da extensão da

linha de Gaia até Laborim.

A população da zona Ocidental do Porto, particularmente da Freguesia de Lordelo

do Ouro, tem sido recorrentemente prejudicada por um Governo centralista e com

prioridades estratégicas politizadas, sempre à revelia das prioridades locais e dos

Cidadãos.

Este Governo:

Não procurou parcerias nem tem nenhum projecto de fundo para intervir na

zona onde há maior concentração de bairros sociais na Cidade do Porto.

Nem uma reabilitação como em Campanhã, nem um projecto de intervenção

Social como em Aldoar;

Em conjunto com o Governo Civil, vai reorganizar as actuais esquadras na

Cidade do Porto em 9, colocando apenas 3 em toda a zona Ocidental da

Cidade, sendo que nenhuma estará na Freguesia de Lordelo do Ouro;

Cancelou os investimentos na reabilitação Ribeirinha desta zona da Cidade a

cargo da APDL;

Não reforçou o sistema de saúde público na Capital Europeia da Tuberculose

não garantindo, sequer, um médico de família a toda a população de Lordelo

do Ouro, conforme é sua obrigação;

Adiou permanentemente a construção da linha da Boavista, um projecto

barato, que custa dois meses de funcionamento do Metro de Lisboa, mas

que não merece um cêntimo do Governo.

Confirma-se agora que, este último, o único grande projecto do Governo que

poderia servir para a melhoria da Qualidade de Vida das populações nesta zona da

Cidade, vai ser, novamente, adiado. Isto depois de ter sido expressamente

negociada a entrega de lugares para nomeação de administradores ao Governo em

contrapartida da calendarização da expansão da rede num acordo que incluía a

linha da Boavista.

O executivo da Junta de Freguesia de Lordelo do Ouro manifesta-se chocado com

esta falta de solidariedade do Governo de Lisboa para com os seus compatriotas,

para mais numa situação em que o próprio Governo alimentou expectativas de um

desfecho favorável e célere, conforme declarações que citamos:

“O Governo deve ter um papel decisivo na gestão da Empresa do Metro do Porto, mas, no que diz

respeito à estratégia da rede, os autarcas têm de ter também um papel decisivo.”

Renato Sampaio, 26 de Dezembro de 2006

PS/Porto propõe reinício das obras do metro só para 2009:

O presidente da distrital recusou fazer “chicana política”, mas fez questão de deixar claro que “não foi o

Governo PS que travou esta obra. Foi o Governo de Santana Lopes e o ministro António Mexia”.

Renato Sampaio, 25 de Fevereiro de 2007

Expansão do Metro do Porto avança antes de 2009 garante ministro:

“A posição do Governo assenta no pressuposto de que a construção de novas linhas se deve iniciar tão

breve quanto possível, com base num contrato de concessão para a construção, exploração e

manutenção dessas linhas”

O gabinete de Mário Lino desmente assim notícias hoje divulgadas que atribuíam ao Governo a intenção

de não iniciar as obras antes de 2009.

Mário Lino, 4 de Abril de 2007

“O Metro do Porto é um projecto prioritário”

Mario Lino, 27 de Maio de 2008.

Outra certeza: o memorando de entendimento assinado pela Junta Metropolitana do Porto e pelo

Governo, a 21 de Maio de 2007, na presença do primeiro-ministro, José Sócrates, não foi cumprido. O

documento estabelecia que o concurso para a construção e exploração da segunda fase do metro do

Porto deveria ser lançado até Janeiro deste ano e que, caso isso não acontecesse no prazo de seis

meses, então deveriam ser lançados os concursos para as linhas da Boavista e da Trofa. Nada disso foi

feito.

In JN, 15 de Agosto de 2008

As citações valem mais do que todas as palavras.

 

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