Cultura, Sociedade, Vila Nova de Gaia

“Marés Vivas” congregou 52 mil espectadores em três dias de música na praia de Cabedelo – Gaia

Terminou o VI Festival Marés Vivas, mas para o próximo ano, a “maré” vai voltar a subir, sendo esta uma garantia dada pela organização. Num novo recinto – situado na praia do Cabedelo, em Vila Nova de Gaia – a edição 2008 atraiu cerca de 52 mil espectadores, com o segundo e terceiro dia esgotados, deixando de fora alguns fãs que não se precaveram na compra do seu bilhete antecipadamente.  

Vários espectadores não pouparam elogios à organização da edição deste ano do Festival Marés Vivas, não só pelo novo recinto disponibilizado, mas também pela segurança sentida no espaço e no seu exterior, motivo forte para que o público tenha sido bastante diversificado no que concerne às classes etárias.

Desde avós aventureiros, aos netos ainda no seus carrinhos, a festa foi para todos, até mesmo para “nuestros hermanos” presentes em número significativo, sem confusões, apertos ou excessos dos “festivaleiros”. 

Dia 1 – 17 de Julho

Os Klepht, nova banda portuguesa, inauguraram a sexta edição do Festival Marés Vivas, no palco “Novos Portugueses – Rádio Comercial”, contando com a presença de muitos fãs que acompanhavam Diogo Dias nos seus temas exclusivamente cantados em português. Seguiram-se os Tara Perdida, onde João Ribas, vocalista da banda, mostrou que em Portugal se faz bom punk-rock cantado em português capaz de contagiar os presentes, quer sejam fãs ou não.

Terminados os concertos destas duas bandas portuguesas, a onda de espectadores rumou para o palco principal, situado na extremidade oposta do recinto e do palco secundário.

Os suecos Shout Out Louds, primeira banda internacional da noite a subir ao palco “Marés Vivas”, apresentaram o seu segundo álbum, “Our III Wills”, mas foi com o tema “Tonight I have to leave it”, que conseguiram fazer com que a primeira onda de saltos fosse notada junto a este palco.

Seguiram os britânicos The Sisters of Mercy, banda de estilo rock-gótico dos anos 80, os quais contaram com a presença de alguns velhos fãs vestidos a rigor, bem como de uma nova geração gótica, que provou que os temas “More” e “Dominion” são intemporais.

Peter Murphy, o mais esperado da noite, foi sem dúvida o “senhor” deste primeiro dia de festival. Este inglês inconfundível e de excelente “performance” repetiu várias vezes os movimentos de um pássaro prestes a levantar voo. Até “trepou” a estrutura que suporta as luzes em palco e interpretou aí um tema, proporcionando aos presentes um espectáculo memorável, fazendo mesmo com que espectadores que pouco ou nada conheciam do seu trabalho, ficassem rendidos aos seus temas e à sua voz. Temas como “Strange Kind Of Love”, “Indigo Eyes”, fizeram as delícias dos presentes, mas foi com “Cuts You Up”, último tema já no segundo encore, que a onda de pulos se fez notar em todo o recinto. Mais uma vez, o ex-líder dos Bauhaus, provou que a sua música é recebida de braços abertos por várias gerações e que a sua legião de fãs irá crescer de actuação para actuação. 

Dia 2 – 18 de Julho

Mazgany, fez o arranque do segundo dia. Ainda com poucos espectadores, o músico iraniano radicado em Portugal, apresentou os seus temas a um público sentado no chão em frente ao palco secundário, que elevaram a sua voz com a interpretação do tema “Bring Your Love”. Seguiram-se os Classificados, banda do Porto, que conseguiram atrair mais algum público com o seu Pop-Rock cantado em português. Ainda um pouco desconhecidos nesta fase, certamente, esta nova banda, irá a seu tempo conquistar o público português.

No palco principal, Slimmy – projecto lusitano que já conquistou o público internacional – conquistou agora o público português com o seu rock combinado com sons electrónicos e dançantes. Actuando pela primeira vez num festival, apresentaram o seu álbum de estreia, fazendo com que alguma poeira se levantasse com os temas “Showgirl” e “Beatsound Loverboy”. Com uma indumentária “rock star”, Slimmy agradeceu aos seus amigos/fãs das conhecidas comunidades Hi5, myspace e youtube, fazendo a histeria soar por todo o recinto.

Seguiu-se Tricky, o senhor que dividiu as opiniões. Para uns, a melhor actuação de sempre, para outros, um artista louco que não pára de fumar e passa o tempo de costas viradas para o público. Acompanhado pela voz da dinamarquesa Kira, Tricky apresentou alguns temas do seu novo álbum, “Knowle West Boy” e contemplou os seus fãs e apreciadores do seu trip-hop com temas do seu período áureo, “Black Steel”, “Overcome” e “Pumpking”.

Adivinha quem voltou. Pois é, a doninha voltou e em grande. Sem dúvida umas das melhores actuações nesta edição do Festival Marés Vivas. Os Da Weasel, tinham prometido um concerto diferente do habitual, apostando em temas que raramente fossem tocados ao vivo. A aposta foi ganha. Embora tivessem interpretado os temas “God Bless Johnny” e “Tás na Boa” os “b-sides”, fizeram com que cerca de 20 mil espectadores saltassem energicamente, gerando a “boa onda” e o “tá-se bem” com o som.

E a banda mais esperada de todo o cartaz deste festival subiu, finalmente, ao palco. Os The Prodigy, fizeram sem dúvida o ritmo cardíaco dos presentes aumentar. Com batidas inconfundíveis, associadas a um sistema de luzes potentíssimo, estes britânicos não desiludiram os fiéis seguidores portugueses e espanhóis, que transformaram o recinto numa enorme discoteca ao ar livre. Os temas “Smack My Bitch Up”, “Breath”, “Diesel Power” e “Firestarter” foram as explosões da noite, mostrando assim que os seus funky-beats fortíssimos são a arma ideal para um combate no meio da música, proporcionando grandes saltos, danças muito pessoais e até mesmo o inconfundível mosh, perdido numa enorme nuvem de pó, bastante sentido no tema “Voodoo People”.  

Dia 3 – 19 de Julho

Neste último dia, o palco “Novos Portugueses – Rádio Comercial”, contou com a presença em palco dos Per7ume, mais uma nova banda portuense, que deixou o seu aroma no ar, com a apresentação do seu álbum de estreia. Seguiram-se os Lulla Bye, também estes do porto, provaram que em Portugal se faz bom pop/rock, tendo já assegurado um vasto grupo de fãs e conquistando novos públicos.

Encerrados os concertos no palco “Novos Portugueses – Rádio Comercial”, toda a atenção se virou para a outra extremidade do recinto. Em grande forma, a diva do neo-soul norte-americano, Macy Gray, apresentou o seu mais recente álbum “Big”, dando grande destaque ao seu coro feminino, raparigas dotadas de uma voz forte, mas mesmo muito forte. Interpretando alguns temas mais conhecidos, os quais fizeram as delícias dos presentes, Macy Gray ainda conseguiu surpreender o público presente, interpretando temas como “Creep”, dos Radiohead e “No Woman No Cry” de Bob Marley.

Com um público especial à sua espera, um pouco mais “velhinho”, foi a vez dos Riders On The Storm subirem ao palco e tentarem ressuscitar os The Doors. Algumas músicas foram conseguidas e acompanhadas pelo público presente, mesmo o mais novo, tais como “Break on Through (To The Other Side)”, “Love Me Two Times” e “Light My Fire”, mas infelizmente, houve momentos em que o excesso de invocação ao Jim Morrisom e às drogas, feita pelo Ray Manzarek, não permitiram a Scallions, vocalista da banda, desempenhar o seu papel, deixando a sensação no ar de que “faltava ali qualquer coisa”.

Eis que chega a vez dos cabeça-de-cartaz do terceiro e último dia. Os James, chegaram, viram e venceram. Tim Booth, com o seu folk-pop, conseguiu contagiar os presentes e fazer deste encerramento “uma verdadeira festa de alegria, diversão e boa disposição”. Com uma vasta legião de fãs, presentes neste último dia de casa cheia e esgotada, os James intercalaram os novos temas do álbum “Hey Ma”, com os hits mais badalados e decorados já por todos nós, temas estes que se fizeram ecoar por todo o espaço. “Born of Frustration”, “Sit Down” entre outros, foram os temas responsáveis pela alegria contagiante em todo o recinto e a apoteose do espectáculo, foi mesmo no seu final com o último tema “Laid”, onde várias dezenas de felizardos tiveram a possibilidade de subirem ao palco e saltarem energicamente ao lado de todos os elementos dos James. 

O Festival Marés Vivas foi a prova de que os bons festivais urbanos também se fazem a norte e mais vos digo: Marés Vivas 2009, eu vou!!! 

Liliana Soares

Bruno Fonseca (foto) 

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